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Orientador(es)
Resumo(s)
A indisciplina na sala de aula constitui um dos sintomas
mais significativos do "mal estar" existente nos sistemas de ensino
de um grande número de países, afectando particularmente dois
dos seus elementos mais importantes: alunos e professores.
Se em relação aos primeiros (alunos) os efeitos da indisciplina
não são menosprezáveis, dadas as implicações nocivas no
que concerne aos seus processos "de aprendizagem e de socialização"
(Estrela, 1989: 29), já no que diz respeito aos segundos
(professores), inúmeros trabalhos têm evidenciado as repercussões
negativas que esta problemática desempenha na sua actividade,
devido ao desperdício de tempo e de energia psíquica a que
obriga, emergindo, não raro, como um dos factores determinantes
do stress docente. Daí que, a capacidade de manter o controle
disciplinar na sala de aula, seja uma variável importante na determinação
da imagem profissional que o professor tem de si próprio
e dá de si aos outros.
Não admira, por isso, as frequentes dificuldades que são
colocadas aos investigadores que se propõem estudar este tema,
sobretudo quando pretendem obter informações através da utilização
de métodos de observação directa dos acontecimentos que
ocorrem na sala de aula. Não é, também para estranhar, que a preocupação com o
controle disciplinar seja um foco importante das preocupações
profissionais dos professores -como tem sido evidenciado, de
resto, por diversos autores - em especial, como assinala Veenman
(1988), citado por Afonso (1991), dos que estão no início da sua
actividade profissional. No contexto português, há um trabalho
ainda relativamente recente de Cavaco (1990) que dá bem conta
destas preocupações dos professores, próprias da fase a que Fuller
(1975) chamou de "sobrevivência profissional".
A acuidade e a actualidade do estudo deste fenómeno são
particularmente evidentes quando se analisa a formação recebida
pelos professores, e se constata que, regra geral, a sua preparação,
nesta matéria, é escassa ficando estes profissionais durante muito
tempo à deriva, até que a experiência adquirida ao longo dos anos
os ajude a enfrentar ou a prevenir mais eficazmente as situações
de indisciplina.
Mas o fenómeno da disciplina/indisciplina concita igualmente
a preocupação de outros agentes sociais (pais, políticos,
opinião pública em geral) que, directa ou indirectamente,
condicionam o que se passa no território escolar. Estando o
sistema formal de ensino em crescente expansão (apesar da sua tão
propagada crise e declínio), num processo que já foi designado por
"pedagogização da sociedade" (Novoa, 1989: 448), tudo o que
afecta a instituição escolar não deixa de ter uma enorme repercussão
social, detectando-se com frequência na opinião pública a
ideia, por vezes reforçada por autoridades científicas, de que a indisciplina dos alunos na escola pode vir , a marcar "o início de
uma carreira de delinquência fora dela" (Estrela, Id., Ibid.)1
Todos estes aspectos dão conta da relevância que o estudo
desta problemática comporta, o que é, de resto, revelado pelo
crescente aparecimento de trabalhos e de investigações que, inspirados
nos diversos ramos das Ciências Humanas e Sociais, têm
procurado estudar as diferentes e complexas variáveis que nela
intervêm. De entre estas investigações, apraz-nos registar o considerável
número das que têm vindo a estudar este fenómeno sob um
ponto de vista marcadamente pedagógico. (...)
Descrição
Dissertação de Mestrado em Ciências da Educação (Análise e Organização do Ensino), 1994
Palavras-chave
Teses de mestrado - 1994 Processo educativo Relações professor-aluno Indisciplina escolar Comportamento dos alunos Motivação Metacognição
