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A desdita do imperador do Brasil e os espelhos da dinastia em Portugal (1889-1891)

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Pelas 6 horas da manhã do dia 15 de novembro de 1889 nascia no paço de Belém, em Lisboa, aquele que viria a ser o último rei português, D. Manuel II. Poucas horas depois, no Rio de Janeiro, era deposto o último soberano brasileiro, D. Pedro II. Tio e sobrinho protagonizavam simultânea e involuntariamente o epílogo da Casa de Bragança como dinastia real e o desmoronar da instituição monárquica em Portugal e no Brasil. É claro que o futuro do passado só nós é que o sabemos, e é claro também que os pais da criança que vinha ao mundo naquela madrugada invernil de 1889 não suspeitavam que ela viesse um dia a ser rei e muito menos nas circunstâncias trágicas em que tal veio a suceder2. Mas a coincidência que liga o destino dos derradeiros Braganças reinantes não deixa de impressionar. O final do ano de 1889 foi particularmente agitado para a Casa de Bragança. Em final de setembro falecera o infante D. Augusto, irmão do rei de Portugal D. Luís, e menos de um mês depois, no dia 19 de outubro, morreu o próprio rei. A 15 de novembro, nasceu o infante D. Manuel, segundo filho do já casal régio D. Carlos e D. Amélia. Algumas semanas depois, a família real portuguesa via chegarem a Lisboa os seus primos do Brasil, exilados na sequência da implantação da República no Brasil. E, no dia 28 de dezembro, tinha lugar a cerimónia da aclamação de D. Carlos contando, o que poucas semanas antes seria difícil de imaginar, com a presença do ex-imperador do Brasil D. Pedro II, tio do novo rei português.

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Contexto Educativo

Citação

Silva, I. C. da (2023). A desdita do imperador do Brasil e os espelhos da dinastia em Portugal (1889-1891). In Fraguas, A. B. F., Ferreira Júnior, M. V. (Eds.), D. Pedro II e Portugal: memória, representações e sociabilidades, pp. 100-120. Petrópolis: Museu Imperial.

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