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Orientador(es)
Resumo(s)
Spontaneous trait inference (STI) is an effect occurring when a personality trait
derived from a behavior made by an actor is inferred unintentionally. Literature
suggests that this effect underlies group perception and stereotypes formation. However,
research on STIs when multiple actors perform the same behavior is scarce. Following
on Benrós’ (2018), which studied STIs when two actors from different social categories
(namely age categories) perform the same behavior, the main goal of the present
research was to test whether people tend to make more STIs for adults than children,
specifically when adults perform a behavior with children, or more generally when
either adults or children perform the same behavior. In an initial study phase, sets of two
faces associated with trait-implying behavior were presented. In the different age
condition, faces belonged to a child and an adult, whereas in the same age condition,
faces belonged to two children or two adults. In the test phase, participants identified
whether a given trait was present in the trait-implying behavior that previously
accompanied that face. The trait was either present in the behavior (filler trials), or
solely implied by it (match trials), or wasn’t present neither implied by it (mismatch
trials). Participants falsely recognized traits as being present in the behavior in more
match than mismatch trials, in-line with the occurrence of STIs found in the literature.
However, participants didn’t make more STIs for adult than child actors, neither in
general nor specifically in the different age condition, failing to replicate Benrós’ results
(2018). Thus, inferences about the existence and scope of the phenomenon couldn’t be
drawn. This study contributes to deepen the investigation of STIs when a behavior is
performed by multiple actors, from different social categories, which will eventually
clarify the role played by STIs in group perception.
A inferência espontânea de traço (IET) é um efeito que ocorre quando se infere um traço de personalidade derivado de uma ação feita por um ator, sem que se tenha consciência ou intenção de o fazer. As IETs foram identificadas por Winter e Uleman (1984), através da aplicação do paradigma de recordação com pistas, que previamente foi utilizado para estudar os processos inferenciais que ocorrem na compreensão de textos (Anderson & Ortony, 1975). Desde então, a literatura acerca de IETs expandiuse, procurando compreender as suas propriedades em diversos contextos situacionais. As IETs foram estudadas em contextos nos quais apenas um ator realiza o comportamento (e.g., Winter et al., 1985). Para além disso, investigou-se a ocorrência de IETs em contextos nos quais está presente um único ator e um ou mais objetos (e.g., Brown & Bassili, 2002) ou pessoas irrelevantes para o comportamento realizado (e.g., pessoas que relatam os comportamentos observados; Skowronski et al., 1998). Surgiu o interesse em realizar estes estudos para diferenciar os processos psicológicos subjacentes às IETS de um fenómeno descoberto na literatura designado por transferência espontânea de traço (TET), que ocorre quando os traços inferidos são associados a alguém (ou a algo) que não foi o ator do comportamento (Skowronski et al., 1998). Posteriormente, as IETs foram também estudadas em contextos nos quais o ator do comportamento é um grupo de indivíduos (Hamilton et al., 2015). Este processo de inferências espontâneas de traços a partir de comportamentos realizados por grupos de indivíduos ficou conhecido por inferência espontânea de traço sobre grupos (IETG). A investigação expandiu assim o domínio das IETs sobre indivíduos para processos grupais, apontando que este efeito pode estar subjacente à perceção de grupos e formação de estereótipos. Na mesma linha de investigação, Benrós (2018) realizou um estudo para investigar, pela primeira vez, se quando dois atores com diferentes características desempenham um mesmo comportamento, as inferências (IETs) que deste decorrem ficam associadas de igual forma a ambos os atores. Utilizou como atores crianças e adultos (que diferem na categoria social idade) pelo interesse da equipa de investigação em explorar como é que as crianças são percecionadas socialmente. Os resultados mostraram que os participantes realizaram mais IETs para os adultos do que para as crianças, convergindo com evidências encontradas anteriormente na literatura que apontam para este efeito (e.g., Dixe t al., 1986; Thibaut & Riecken, 1955). O estudo presente pretende replicar e ampliar o estudo de Benrós (2018), ultrapassando as suas limitações, fornecendo evidências da robustez do fenómeno em estudo e adicionando uma nova condição (same age) que permite compreender se o fenómeno é geral ou específico. Para ser considerado geral, a ocorrência de mais IETs para adultos do que para crianças terá de ser observada não só no contexto onde estão ambos a realizar o comportamento (condição different age), como também em contextos onde só estão crianças ou só adultos a realizar o comportamento (condição same age). Se o efeito em estudo só ocorrer para o contexto específico em que uma criança e um adulto desempenham o mesmo comportamento (condição different age), então o efeito será considerado específico. Para estudar esta questão, utilizou-se o paradigma dos falsos reconhecimentos (Todorov & Uleman, 2004). Inicialmente os participantes passaram pela fase de estudo, na qual se apresentaram conjuntos de duas faces associadas a um comportamento implicativo de traço descrito numa frase. Na condição different age, aparecia uma face de criança e outra de adulto, enquanto na condição same age ambas as faces eram de crianças ou de adultos. Posteriormente os participantes passaram pela fase de teste, na qual se pediu que identificassem se determinado traço estava presente no comportamento implicativo de traço que acompanhava anteriormente a mesma face de criança/adulto. O traço apresentado podia não estar presente no comportamento mas ser implicado por este (match trials), não estar presente no comportamento nem ser implicado por este (mismatch trials) ou estar presente no comportamento (filler trials). No paradigma utilizado, a ocorrência de IETs é determinada através da comparação do número de vezes em que os participantes reconhecem falsamente o traço como tendo estado presente no comportamento na fase de estudo entre os match trials e os mismatch trials. Quando o número de falsos reconhecimentos é maior nos match trials do que nos mismatch trials, significa que as IETs ocorreram na codificação da informação apresentada na fase de estudo e que o traço inferido ficou associado ao ator da fotografia. Este raciocínio parte da premissa de que se um traço for inferido a partir do comportamento descrito no comportamento da fase de estudo, este será codificado em conjunto com as informações apresentadas no comportamento, bem como ficará associado ao ator presente. Consequentemente, se o traço inferido for apresentado posteriormente na fase de teste, induzirá a uma resposta incorreta por parte do participante, ocorrendo um falso reconhecimento. No final do estudo, os participantes realizaram uma tarefa de reconhecimento de faces, na qual em cada ensaio se apresentava uma face e era perguntado se a mesma já tinha sido apresentada anteriormente. O seu objetivo era garantir que os resultados do estudo foram devido à ocorrência de IETs e não devido aos participantes terem reconhecido melhor as faces dos atores adultos do que dos atores crianças, como seria de esperar pelo own-age bias (e.g., Anastasi & Rhodes, 2005). Os resultados mostraram que os participantes reconheceram falsamente o traço como estando presente no comportamento em mais match trials do que em mismatch trials, replicando assim o efeito de IETs encontrado na literatura (Benrós, 2018; Todorov & Uleman, 2002; 2003). Para além disso, os participantes não fizeram globalmente mais IETs para adultos do que para crianças. Posto isto, o efeito em estudo não mostrou ser geral, não ocorrendo quando estão só crianças ou só adultos a desempenhar o mesmo comportamento. Deste modo, foi testado se o efeito em estudo é específico. Os participantes não fizeram mais IETs para adultos do que para crianças quando se observou apenas a condição different age, não se mostrando assim ser específico também. Posto isto, apesar de ter sido replicado o efeito de IETs encontrado na literatura, não foram replicados os resultados do estudo de Benrós (2018), no qual os participantes fizeram mais IETs para adultos do que para crianças quando ambos realizaram o mesmo comportamento. Relativamente aos resultados da tarefa de reconhecimento facial, provou-se que os participantes apresentaram own-age bias. No entanto, este resultado é irrelevante, uma vez que nesta amostra não houve evidência de mais IETs realizadas para adultos do que para crianças. Refletiu-se acerca de possíveis explicações para estes resultados. Por exemplo, o facto dos dados deste estudo terem sido recolhidos online, tendo sido muito variável o contexto e equipamento utilizado por cada participante. No estudo de Benrós (2018), no qual o efeito foi observado, os dados foram recolhidos em laboratório, com computadores e softwares especializados para estudos experimentais. O efeito pode ter sido anulado devido também ao material utilizado, mais concretamente, devido ao facto de se ter usado o mesmo número de traços estereotípicos de crianças e de adultos. Isto pode ter levado a que os participantes fizessem mais IETs para crianças nos comportamentos implicativos de traços estereotípicos de crianças e para adultos nos comportamentos implicativos de traços estereotípicos de adultos, levando à ocorrência do mesmo número de IETs para os dois atores. Outra explicação pode estar relacionada com as diferenças na atribuição de responsabilidade versus de causalidade face ao comportamento desempenhado. Numa situação que envolva adultos e crianças, os adultos são geralmente percecionados como tendo maior poder de tomada de decisão e de responsabilidade nas ações que realizam, comparativamente com as crianças. Isto pode ter levado a que os participantes na condição different age tendencialmente atribuíssem a responsabilidade do comportamento ao adulto e a causalidade à criança, levando à ocorrência de IETs com a mesma intensidade para ambos os atores. A dificuldade em replicar neste tipo de investigações o contexto naturalista no qual ocorre o processo psicológico subjacente à formação de IETs, entre outras questões, foram consideradas como possíveis explicações do fenómeno em estudo não ter sido observado. Este estudo contribui para a investigação das IETs alargada a quando dois atores, de diferentes categorias sociais, desempenham o mesmo comportamento. Contribui também para uma investigação mais aprofundada de inferências de personalidade sobre crianças e adultos, assumindo-se assim como relevante para futuros estudos de perceção social, tanto de perceção de pessoas como de perceção de grupos.
A inferência espontânea de traço (IET) é um efeito que ocorre quando se infere um traço de personalidade derivado de uma ação feita por um ator, sem que se tenha consciência ou intenção de o fazer. As IETs foram identificadas por Winter e Uleman (1984), através da aplicação do paradigma de recordação com pistas, que previamente foi utilizado para estudar os processos inferenciais que ocorrem na compreensão de textos (Anderson & Ortony, 1975). Desde então, a literatura acerca de IETs expandiuse, procurando compreender as suas propriedades em diversos contextos situacionais. As IETs foram estudadas em contextos nos quais apenas um ator realiza o comportamento (e.g., Winter et al., 1985). Para além disso, investigou-se a ocorrência de IETs em contextos nos quais está presente um único ator e um ou mais objetos (e.g., Brown & Bassili, 2002) ou pessoas irrelevantes para o comportamento realizado (e.g., pessoas que relatam os comportamentos observados; Skowronski et al., 1998). Surgiu o interesse em realizar estes estudos para diferenciar os processos psicológicos subjacentes às IETS de um fenómeno descoberto na literatura designado por transferência espontânea de traço (TET), que ocorre quando os traços inferidos são associados a alguém (ou a algo) que não foi o ator do comportamento (Skowronski et al., 1998). Posteriormente, as IETs foram também estudadas em contextos nos quais o ator do comportamento é um grupo de indivíduos (Hamilton et al., 2015). Este processo de inferências espontâneas de traços a partir de comportamentos realizados por grupos de indivíduos ficou conhecido por inferência espontânea de traço sobre grupos (IETG). A investigação expandiu assim o domínio das IETs sobre indivíduos para processos grupais, apontando que este efeito pode estar subjacente à perceção de grupos e formação de estereótipos. Na mesma linha de investigação, Benrós (2018) realizou um estudo para investigar, pela primeira vez, se quando dois atores com diferentes características desempenham um mesmo comportamento, as inferências (IETs) que deste decorrem ficam associadas de igual forma a ambos os atores. Utilizou como atores crianças e adultos (que diferem na categoria social idade) pelo interesse da equipa de investigação em explorar como é que as crianças são percecionadas socialmente. Os resultados mostraram que os participantes realizaram mais IETs para os adultos do que para as crianças, convergindo com evidências encontradas anteriormente na literatura que apontam para este efeito (e.g., Dixe t al., 1986; Thibaut & Riecken, 1955). O estudo presente pretende replicar e ampliar o estudo de Benrós (2018), ultrapassando as suas limitações, fornecendo evidências da robustez do fenómeno em estudo e adicionando uma nova condição (same age) que permite compreender se o fenómeno é geral ou específico. Para ser considerado geral, a ocorrência de mais IETs para adultos do que para crianças terá de ser observada não só no contexto onde estão ambos a realizar o comportamento (condição different age), como também em contextos onde só estão crianças ou só adultos a realizar o comportamento (condição same age). Se o efeito em estudo só ocorrer para o contexto específico em que uma criança e um adulto desempenham o mesmo comportamento (condição different age), então o efeito será considerado específico. Para estudar esta questão, utilizou-se o paradigma dos falsos reconhecimentos (Todorov & Uleman, 2004). Inicialmente os participantes passaram pela fase de estudo, na qual se apresentaram conjuntos de duas faces associadas a um comportamento implicativo de traço descrito numa frase. Na condição different age, aparecia uma face de criança e outra de adulto, enquanto na condição same age ambas as faces eram de crianças ou de adultos. Posteriormente os participantes passaram pela fase de teste, na qual se pediu que identificassem se determinado traço estava presente no comportamento implicativo de traço que acompanhava anteriormente a mesma face de criança/adulto. O traço apresentado podia não estar presente no comportamento mas ser implicado por este (match trials), não estar presente no comportamento nem ser implicado por este (mismatch trials) ou estar presente no comportamento (filler trials). No paradigma utilizado, a ocorrência de IETs é determinada através da comparação do número de vezes em que os participantes reconhecem falsamente o traço como tendo estado presente no comportamento na fase de estudo entre os match trials e os mismatch trials. Quando o número de falsos reconhecimentos é maior nos match trials do que nos mismatch trials, significa que as IETs ocorreram na codificação da informação apresentada na fase de estudo e que o traço inferido ficou associado ao ator da fotografia. Este raciocínio parte da premissa de que se um traço for inferido a partir do comportamento descrito no comportamento da fase de estudo, este será codificado em conjunto com as informações apresentadas no comportamento, bem como ficará associado ao ator presente. Consequentemente, se o traço inferido for apresentado posteriormente na fase de teste, induzirá a uma resposta incorreta por parte do participante, ocorrendo um falso reconhecimento. No final do estudo, os participantes realizaram uma tarefa de reconhecimento de faces, na qual em cada ensaio se apresentava uma face e era perguntado se a mesma já tinha sido apresentada anteriormente. O seu objetivo era garantir que os resultados do estudo foram devido à ocorrência de IETs e não devido aos participantes terem reconhecido melhor as faces dos atores adultos do que dos atores crianças, como seria de esperar pelo own-age bias (e.g., Anastasi & Rhodes, 2005). Os resultados mostraram que os participantes reconheceram falsamente o traço como estando presente no comportamento em mais match trials do que em mismatch trials, replicando assim o efeito de IETs encontrado na literatura (Benrós, 2018; Todorov & Uleman, 2002; 2003). Para além disso, os participantes não fizeram globalmente mais IETs para adultos do que para crianças. Posto isto, o efeito em estudo não mostrou ser geral, não ocorrendo quando estão só crianças ou só adultos a desempenhar o mesmo comportamento. Deste modo, foi testado se o efeito em estudo é específico. Os participantes não fizeram mais IETs para adultos do que para crianças quando se observou apenas a condição different age, não se mostrando assim ser específico também. Posto isto, apesar de ter sido replicado o efeito de IETs encontrado na literatura, não foram replicados os resultados do estudo de Benrós (2018), no qual os participantes fizeram mais IETs para adultos do que para crianças quando ambos realizaram o mesmo comportamento. Relativamente aos resultados da tarefa de reconhecimento facial, provou-se que os participantes apresentaram own-age bias. No entanto, este resultado é irrelevante, uma vez que nesta amostra não houve evidência de mais IETs realizadas para adultos do que para crianças. Refletiu-se acerca de possíveis explicações para estes resultados. Por exemplo, o facto dos dados deste estudo terem sido recolhidos online, tendo sido muito variável o contexto e equipamento utilizado por cada participante. No estudo de Benrós (2018), no qual o efeito foi observado, os dados foram recolhidos em laboratório, com computadores e softwares especializados para estudos experimentais. O efeito pode ter sido anulado devido também ao material utilizado, mais concretamente, devido ao facto de se ter usado o mesmo número de traços estereotípicos de crianças e de adultos. Isto pode ter levado a que os participantes fizessem mais IETs para crianças nos comportamentos implicativos de traços estereotípicos de crianças e para adultos nos comportamentos implicativos de traços estereotípicos de adultos, levando à ocorrência do mesmo número de IETs para os dois atores. Outra explicação pode estar relacionada com as diferenças na atribuição de responsabilidade versus de causalidade face ao comportamento desempenhado. Numa situação que envolva adultos e crianças, os adultos são geralmente percecionados como tendo maior poder de tomada de decisão e de responsabilidade nas ações que realizam, comparativamente com as crianças. Isto pode ter levado a que os participantes na condição different age tendencialmente atribuíssem a responsabilidade do comportamento ao adulto e a causalidade à criança, levando à ocorrência de IETs com a mesma intensidade para ambos os atores. A dificuldade em replicar neste tipo de investigações o contexto naturalista no qual ocorre o processo psicológico subjacente à formação de IETs, entre outras questões, foram consideradas como possíveis explicações do fenómeno em estudo não ter sido observado. Este estudo contribui para a investigação das IETs alargada a quando dois atores, de diferentes categorias sociais, desempenham o mesmo comportamento. Contribui também para uma investigação mais aprofundada de inferências de personalidade sobre crianças e adultos, assumindo-se assim como relevante para futuros estudos de perceção social, tanto de perceção de pessoas como de perceção de grupos.
Descrição
Dissertação de mestrado, Psicologia Cognitiva e Social, 2023, Universidade de Lisboa, Faculdade de Psicologia
Palavras-chave
Percepção social Inferências Crianças Adultos Personalidade Dissertações de mestrado - 2023
