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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
No final de uma tarde de Outono, quando me dirigia à Brasileira do
Chiado para tomar um café, mesmo em frente da Livraria Bertrand sou
abordado por uma jovem que, com um sorriso amigável, me questiona:
«gosta de poesia»? Balbuciei um sim hesitante enquanto, no íntimo, me
interrogava: «E esta, que quer?» Quando, adivinhando as minhas suspeitas,
me disse o que queria desafiando o meu próprio querer – «quer ler
um poema meu»? – fiquei sem saber o que lhe dizer. Não se deixando
perturbar pelo meu silêncio, puxou de uma pasta de plástico cheia de folhas
de papel e, estendendo-me uma delas, suplicou: «Veja se gosta. Leia,
por favor.» Depois, baixando o tom de voz, segredou-me como se estivesse
revelando um delito: «estou desempregada». Num impulso mergulhei
na leitura do poema cujo ojecto era o silêncio. Disse-lhe que era bonito
e a jovem respondeu-me que o poderia guardar. Se lhe pudesse dar
um ou dois euros agradecia. Autografou o poema (Nair Leonora Correia)
e colocou a data do dia que corria (20-10-10). «Tem mais poemas? Posso
levar mais um?» À sorte, calhou-me Curva Oblíqua. Atravessei a rua e dirigi-
me então para a Brasileira, onde, junto à estátua de Fernando Pessoa,
li o poema da jovem desempregada. Logo me lembrei da poesia interseccionista
de Pessoa: de Chuva Oblíqua (Orpheu), Paisagens Oblíquas (Livro
do Desassossego), Oblíqua Madrugada (Ode Marítima).
Descrição
Palavras-chave
Banda desenhada Criatividade Poetas
Contexto Educativo
Citação
Pais, J. M. (2013). O mundo em quadradinhos: o agir da obliquidade. In Almeida, M. I. M. de, Pais, J. M. (orgs), Criatividade & Profissionalização jovens, subjectividades e horizontes profissionais (pp. 125-161). Lisboa: ICS. Imprensa de Ciências Sociais
