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Promoção da qualidade de vida em doentes oncológicos

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Resumo(s)

Na presente investigação pretende-se conhecer as significações/crenças dos indivíduos acerca dos seus problemas de saúde; as estratégias de confronto utilizadas para fazer face aos constrangimentos que esses mesmos problemas de saúde impõem; qual o sistemas de significações/crenças que contribuem para a avaliação que o indivíduo faz da sua qualidade de vida. E ainda, promover a qualidade de vida dos doentes portadores de doença oncológica. Facilitando-lhes o uso de modos de confronto mais adaptativos com os problemas de saúde e as limitações/incapacidades por eles impostas. Tal como foi referido no Capítulo II, existem vários aspectos fisiológicos e psicológicos da doença oncológica e seus tratamentos, que condicionam a qualidade de vida do doente. Um dos primeiros problemas que se coloca ao investigador é a definição dos conceitos. Como se viu no Capítulo III existem várias definições do construto "qualidade de vida", e nem todas são possíveis de ser operacionalizáveis. Neste trabalho optou-se pela definição proposta por Cella e Tuisky (1988): qualidade de vida é "a apreciação e satisfação que o doente tem com o seu funcionamento actual quando comparado com aquele que ele considera possível ou ideal". Tendo-se partido da premissa de que a variável qualidade de vida é multidimensional. Assim, a avaliação do funcionamento do indivíduo deverá contemplar as várias vertentes da sua vida. Ao longo dos últimos anos têm surgido vários estudos sobre qualidade de vida, e tal como se salienta no Capitulo III, todos eles revelam ser eficazes. A diferença entre o presente estudo e os seus antecessores prende-se com os modelos teóricos que o sustentam. Tal como foi discutido no Capítulo IV, a presente investigação insere-se no modelo construtivista e desenvolvimentista de Joyce-Moniz. Assim, considera-se o indivíduo como construtor activo das suas crenças/significações. E numa lógica desenvolvimentista considera-se ainda que as significações individuais se ordenam por niveis. Sendo a manutenção das significações ou a sua mudança feita à custa de operações dialéticas. Ao proceder a uma leitura desenvolvimentista das significações de qualidade de vida, pretende-se encontrar o nível desenvolvimentista global do indivíduo, ou seja, qual é o nível preferencial de funcionamento de cada indivíduo e quais os movimentos dialécticos utilizados para a manutenção das significações perturbadoras. Esta leitura desenvolvimentista foi feita com base na análise de entrevistas individuais. Tendo sido abordados cinco temas: Sintomas físicos e/ou psicológicos e efeitos secundários; Adesão ao tratamento; Estado de funcionamento físico; Estado de funcionamento psicológico; e Estado de funcionamento social. O modelo de intervenção utilizado neste trabalho foi explicitado no Capítulo V. Recorrendo ao modelo de "grupos temáticos" e ao Construtivismo pretendia-se promover no indivíduo competências para o confronto efícaz com os seus problemas, através do ensino de estratégias de resolução de problemas, diálogo assertivo e técnicas para o controlo da dor. A intervenção, descrita no Capítulo V, foi programada de modo a ser realizada simultaneamente à avaliação obtida através da entrevista. Pretendia-se com este estudo atingir os seguintes objectivos específicos: 1. Avaliar a eficácia do programa de intervenção no que respeita à redução de reacções emocionais e à melhoria da qualidade de vida, comparando para o efeito, os resultados obtidos pelos indivíduos na pré-avaliação, (momento de avaliação dos indicadores clínicos antes de se iniciar o programa interventivo), pós-avaliação (momento de avaliação dos indicadores clínicos uma semana após o termino do programa interventivo) e follow-up, (momento de avaliação três meses após o termino do programa). 2. Avaliar a eficácia do programa de intervenção no que respeita à redução de reacções emocionais e à melhoria da qualidade de vida, procedendo a uma comparação entre os resultados obtidos pelos indivíduos do grupo de intervenção e os do grupo de controlo, não submetido a qualquer tipo de intervenção psicoterapêutica, mas submetido a avaliação dos mesmos indicadores clínicos. 3. Proceder a uma caracterização desenvolvimentista das significações individuais da amostra em estudo, quanto ao nível de desenvolvimento socio-cognitivo e acções dialécticas utilizadas e sua relação com a eficácia do programa de intervenção. 4. Pretende-se a partir da leitura desenvolvimentista efectuada estabelecer a relação entre o nível desenvolvimentista dos indivíduos e o tipo de operações dialécticas utilizadas por estes. Os resultados obtidos foram apresentados no Capítulo VI. A discussão dos objectivos e das hipóteses que lhe estão subjacentes, apresentadas no Capítulo VII, levam-nos a concluir que o programa de intervenção implementado não atingiu os objectivos clínicos a que se propunha. No final deste trabalho são feitas sugestões para que no futuro se possa colmatar alguns dos problemas que se verificaram existir. Assim, propõe-se a criação de um programa de intervenção alongado no tempo, que acompanhe a vida do doente.

Descrição

Tese de mestrado em Psicoterapia e Psicologia da Saúde apresentada à F.P.C.E.U.L., 1997

Palavras-chave

Teses de mestrado - 1997 Tratamento e prevenção Psicoterapia Psicologia da saúde Qualidade de vida Doentes oncológicos

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