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Abstract(s)
A educação é um fenómeno humano essencial: é um segundo
nascimento, um renascimento. Depois da segunda guerra mundial, a
proclamação do direito do homem á educação e a revalorização da
educação como investimento traduziram-se, nomeadamente, nos
princípios de democratização do ensino e de educação permanente.
A progressiva redescoberta do poder da educação fez dela um
recurso para todas as causas. designadamente para a cultura da
paz, dos direitos do homem, da democracia e da qualidade da
vida humana.
Todavia, a educação é, ela própria, um grande problema,
senão o maior. Na realidade, a educação continua a ser amplamente
co-responsável por uma patologia cujos efeitos pessoais e sociais
são devastadores: agressividade intra-familiar, insucesso
escolar, desgosto cultural, consumo de drogas, delinquência,
violência, morte, etc.
Em 1946, a Comissão preparatória do Programa da Unesco
acreditava numa espécie de ética do conhecimento de que a
educação seria instrumento:
Durante os últimos cinquenta anos, os esforços dos
psicólogos e dos sociólogos trouxeram à luz uma massa de
novos conhecimentos que, bem aplicados, permitiriam aos
educadores formar uma nova geração suficientemente
equilibrada e sã para não se sentir votada aos mesmos erros
da precedente. - uma geração capaz de utilizar os melhores
comportamentos e as melhores intenções do homem para
dar forma a um modo de vida cuja nobreza ultrapassa tudo
quanto vimos ou pudemos conceber até aqui. Além disso, se
aplicássemos de um modo sadio esses conhecimentos ao ensino,
aprender tornar-se-ia, para as crianças, uma aventura feliz:
e se a educação deixasse de ser o que ela é, ainda, com
demasiada frequência, uma tarefa monótona e acabrunhante,
para se tornar uma experiência libertadora, o progresso da
humanidade para um futuro mais feliz estaria singularmente
mais assegurado.
O grande serviço que a Unesco pode prestar é difundir esses
conhecimentos para facilitar a sua aplicação fecunda.
(Unesco, 1946 : 45)
O tempo e os factos desmentiram esta fé e esta esperança. A difusão das 'ciências da educação', a interdisciplinaridade, o trabalho em grupo, os audiovisuais, as politicas de combate ao
insucesso escolar, o computador, as alterações de programas, de
métodos, de avaliação, de terminologia e outras reformas,
revelaram-se largamente estéreis. A questão continua a ser de
conhecimentos bem aplicados, mas a bondade da aplicação é
sobredeterminada por um paradigma, isto é, está contida em
coordenadas axiológicas, epistemológicas e politicas. Ora o
paradigma da educação predominante parece esgotado e torna-se
cada vez mais claro que a crise está na própria concepção da
educação como direito do homem. (…)
Description
Tese de doutoramento em Educação, Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências, Departamento de Educação, 1993
Keywords
Direito internacional Educação Direitos à educação Direitos do homem Pedagogia Teses de doutoramento - 1993
