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Autonomia do aprendente : do currículo formal ao currículo real

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Resumo(s)

Nos programas de Inglês da Reforma Curricular a autonomia do aluno, como comunicador e como aprendente é assumida como objectivo fundamental da aprendizagem e do ensino desta disciplina: uma metodologia assente essencialmente no aluno visa concorrer para esse objectivo, através da incidência no aluno como construtor de aprendizagens significativas. A compreensão da dinâmica curricular no âmbito do desenvolvimento da autonomia do aprendente, entre o currículo formal - os Programas de Inglês do Ensino Secundário - e o currículo real, operacionalizado/experienciado por professores e alunos, assume-se, assim, como eixo nevrálgico deste estudo. Como se processa a promoção da autonomia do aprendente nas práticas curriculares dos professores de Inglês do Ensino Secundário, segundo as representações dos próprios actores, professores e alunos? Qual a relação entre este/s currículo/s real/reais no âmbito da promoção da autonomia do aprendente e o que postulam a este respeito os textos programáticos? Esta macro-questão da investigação daria origem à definição de um conjunto de objectivos gerais da investigação que se reproduzem: 1. Analisar as teorias pessoais de professores e alunos sobre a aprendizagem da língua estrangeira e a autonomia do aprendente de língua e os modos de concretização dessa autonomia. 2. Procurar compreender a influência das teorias pessoais do professor na área do currículo e da autonomia do aprendente, na leitura dos textos programáticos. 3. Analisar as formas de interacção que se estabelecem e as dinâmicas que conduzem à operacionalização da autonomia do aprendente na prática curricular. 4. Analisar a influência da variável formação na leitura dos programas e na operacionalização de uma pedagogia para a autonomia. 5. Compreender a influência do contexto em que professores e alunos operam na sua autonomia profissional / como aprendente 6. Compreender a relação entre a promoção da autonomia do aprendente e a autonomia profissional docente. 7. Perspectivar as conclusões deste estudo no sentido de eventuais aplicações práticas Neste estudo qualitativo, descritivo e interpretativo, escolheu-se como modo de investigação o estudo de casos múltiplos em múltiplos contextos e como técnica de recolha de dados a entrevista semi-estruturada. Compõem esta "amostra" qualitativa dezanove casos, repartidos por várias "famílias", a saber - a "família" dos professores informantes-chave (PIC), instâncias de "casos excepcionais", a "família" dos professores com formação específica para os novos programas (PF), a "família" dos professores sem formação para estes programas (P), a "família" dos alunos, subdivididos, por sua vez, em dois grupos - alunos "autónomos" ("A") e alunos "dependentes" ('D"). A análise dos dados de cada caso individual levaria à elaboração de "retratos" dos sujeitos, configuradores das suas histórias e, como tal, facilitadores da compreensão global das suas teorias pessoais e do processo de transformação do currículo formal em currículo real. Mas cada caso, inserido na sua "família" de pertença, permitiria também comparações enriquecedoras entre as representações das várias 'Famílias" de sujeitos. A análise de resultados viria a demonstrar a íntima articulação, por um lado, entre as teorias pessoais dos sujeitos, o currículo percebido e o currículo feito praxis. As interpretações pessoais do currículo formal traduzir-se-iam, assim, em outros tantos currículos reais. Foi no entanto possível evidenciar, na análise de resultados, teorias implícitas comuns e padrões de operacionalização curricular consistentes entre as várias famílias de sujeitos deste estudo. Verificou-se, assim, na família dos professores informantes-chave (PIC) - sujeitos com uma formação de excepção - um significativo alinhamento entre currículo formal e currículos reais, no que respeita à promoção da autonomia do aprendente. Para a maioria dos professores sem formação para estes programas, pelo contrário, a autonomia do aprendente passou-lhes ao lado na leitura dos textos programáticos e na sua operacionalização, continuando o aprendente alienado dos conteúdos e gestão da sua aprendizagem. No que respeita aos professores com formação específica para estes programas (PF), ressalta clara, da análise de resultados, a percepção por estes sujeitos da centralidade da autonomia do aprendente nos textos curriculares, ainda que as suas práticas não o demonstrem cabalmente, reflectindo o "desequilíbrio" de qualquer processo de mudança. É notória, nestes professores, uma nova consciência com que tomam as suas opções curriculares. Constatou-se assim, na interpretação dos resultados deste estudo, a importância da variável formação como dimensão crítica do sucesso ou insucesso da inovação curricular. O estudo permitiria igualmente extrair conclusões sobre constrangimentos contextuais à implementação de uma pedagogia para a autonomia, bem como sobre a relação entre a autonomia do aprendente e a autonomia profissional docente. A despeito de algumas limitações referenciadas, os resultados obtidos, assinalavelmente consistentes com a teoria disponível e também com outros estudos referenciados, fornecem, estamos em crer, um retrato credível da implementação no terreno dos programas de Inglês do Ensino Secundário, no que respeita à promoção da autonomia do aprendente, bem como uma maior compreensão dos complicados processos de transformação do currículo formal em currículos reais e de algumas variáveis que neles interferem de forma determinante, abrindo aos potenciais interessados algumas perspectivas de acção mais informada neste domínio.

Descrição

Tese de mestrado em Ciências da Educação (Teoria e Desenvolvimento Curricular), apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 1999

Palavras-chave

Teses de mestrado - 1999 Organização curricular Desenvolvimento curricular Aprendizagem

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