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Authors
Abstract(s)
A saúde ambiental é influenciada por interações complexas indicadores de saúde e indicadores do ambiente natural e construído. Contudo, existe pouca investigação sobre as especificidades dessas relações nas populações que residem em contexto urbano. A crescente urbanização e a industrialização que se tem observado têm criado vários problemas de saúde ambiental e ameaçam não só o desenvolvimento sustentável do ambiente, como afetam a nossa saúde a médio e longo prazo. Melhorar a saúde ambiental e monitorizar as relações entre ambiente natural e construído com a saúde da população tem sido o mote de várias medidas legislativas globais e tornou-se também uma prioridade para as autoridades locais e indústrias. No entanto, é incontestável que existe uma lacuna no conhecimento atual sobre quias os indicadores ambientais adequados para uma monitorização efetiva da saúde ambiental em ambientes urbanos. Esta lacuna dificulta a tomada de decisão por parte dos decisores políticos e indústrias relativamente a intervenções nacionais e locais com vista à melhoria da saúde ambiental. Com o objetivo de contribuir para o aumento do conhecimento sobre a monitorização adequada da saúde ambiental em Lisboa foram realizados três estudos diferentes envolvendo evidência científica e opiniões de especialistas e stakeholders de diferentes áreas de conhecimento. Estudo 1) Este estudo teve como objetivo principal fazer uma revisão sistemática da literatura para identificar os principais determinantes e indicadores ambientais com evidência de estarem associados a impactos na saúde da população, em contextos urbanos. Esta revisão sistemática da literatura permitiu também compreender as potenciais implicações destas interações nas políticas de saúde. Para isso, foi realizada uma pesquisa de literatura publicada nas bases de dados PubMed, Web of Science, Scopus e SciELO Portugal entre 2008 e 2018. Esta pesquisa resultou em 94 estudos em que foram identificadas as associações entre determinantes ambientais e resultados em saúde de populações residentes em ambientes urbanos. Este trabalho permitiu identificar associações positivas entre indicadores socioeconómicos, do ambiente natural, ambiente construídos, serviços de saúde e comportamentais com indicadores de saúde, entre eles mortalidade e morbilidade. Os resultados desta análise permitem inferir que melhorias no rendimento, no nível escolar, na qualidade do ar, no tipo de ocupação laboral, na mobilidade e nos hábitos tabágicos têm um impacto positivo nos indicadores gerais de mortalidade e de morbilidade por doenças crónicas.
Estudo 2) Este estudo permitiu selecionar os indicadores adequados para a monitorização e avaliação da saúde ambiental na cidade de Lisboa. Partindo da evidência recolhida no estudo anterior e focando em indicadores de ambiente natural e construído foi realizada uma pesquisa nas bases de dados nacionais e da cidade de Lisboa para complementar a evidência recolhida. Tendo sido identificado um grande número de indicadores, optou-se por fazer uma avaliação prévia da informação através da realização de 12 entrevistas individuais e semiestruturadas com especialistas portugueses. Nestas entrevistas foi pedido a cada um dos especialistas que analisasse a informação recolhida e identificasse quais os indicadores necessários para monitorizar de forma adequada a saúde ambiental em Lisboa. Para validar os resultados das entrevistas foi realizado um processo de Web-Delphi com duas rondas, que envolveu um conjunto alargado de especialistas de diferentes áreas de conhecimento (22 especialistas). Neste processo de Web-Delphi foram validados 17 indicadores, 6 indicadores de ambiente construído e 11 indicadores de ambiente natural. Os resultados deste método participativo apontam para lacunas na recolha dos dados dos indicadores de ruido e mobilidade e levantam questões emergentes relativas a indicadores de habitação que requerem mais investigação. Estudo 3) Este trabalho derivou da necessidade de implementar ferramentas para monitorização da saúde ambiental identificada nos estudos anteriores. Para definir os requisitos para construção de um dashboard para monitorizar a saúde ambiental para a cidade de Lisboa foi implementada uma abordagem centrada no utilizador. Esta abordagem envolveu potenciais utilizadores de instituições locais na identificação e discussão das preferências de visualização dos indicadores de ambiente natural e construído. Foram realizadas três entrevistas de grupo online, com onze potenciais utilizadores. Nessas entrevistas foram utilizados cartões que continham diferentes opções de visualização para cada um dos indicadores validados. O feedback obtido nestas entrevistas foi analisado e utilizado para construir um framework com onze requisitos de design para construir um dashboard de monitorização da saúde ambiental em Lisboa. O framework que resultou deste processo permitirá construir uma ferramenta eficaz e flexível para ser utilizada por decisores políticos, indústrias e organizações locais. Em suma, este trabalho permitiu identificar os indicadores essenciais para monitorizar a saúde ambiental no contexto urbano de Lisboa além de ter permitido identificar uma serie de requisitos para a construção de um dashboard. A combinação de métodos participativos descritos ao longo deste projeto pode ser utilizada para quer para validar informação quer para ajudar a estruturar a construção de ferramentas para apoio à decisão. Podem também servir como referência para outros trabalhos de investigação em outros contextos. Este trabalho demonstra que a melhoria da saúde ambiental pode aliviar a sobrecarga sentida pelos sistemas de saúde e contribuir para melhorias em outros sectores como o desenvolvimento económico, melhoria de processos industriais e mitigação das alterações climáticas. Contudo, deixa também claro que intervenções que visem melhorar a saúde ambiental têm de ter por base a integração de evidência e de ferramentas que incluam os contributos da comunidade científica e institucional.
Environmental health (EH) is influenced by complex interactions between health and the built and natural environments, there being little research on its specificities in urban settings. The accelerated urbanization and industrialization have created EH problems that threaten sustainable environment development and affect our health. The monitorization of these interactions to improve EH became a priority to local authorities and industries. Nevertheless, there is a gap in knowledge about which environmental indicators are suitable for monitoring EH in urban settings. This deficit hinders national and local interventions from improving EH. With the overall objective of advancing knowledge towards the monitorization of EH in Lisbon as a case study, three different studies were performed: Study 1) Aimed to systematically review key environmental determinants and respective dimensions and indicators, evaluate population health in urban settings, and understand their potential implications into policies. A literature search published between 2008 and 2018 was conducted, resulting in 94 studies of varied methodological approaches. The review identified positive associations between the socioeconomic, built environment, natural environment, healthcare, behaviors determinants, and health outcomes - overall mortality and morbidity, in urban settings. Improvements in income, education, air quality, occupation status, mobility, and smoking habits indicators impact overall mortality and chronic diseases’ morbidity indicators. Study 2) Aimed at selecting the indicators suitable to monitor and assess EH in Lisbon city. This study was informed by evidence derived from a systematic review of literature and data from Lisbon and Portuguese databases. 12 Portuguese experts analyzed the data in individual semi-structured interviews to identify the relevant indicators and emerging issues in the Lisbon urban setting. The outputs from the interviews were validated by a two-round Web-Delphi process with a panel of 22 experts from different areas of expertise. Seventeen indicators were validated in the Web-Delphi process. The results from the adopted participatory approach point out gaps in the collection of noise and mobility indicators data and raise emerging issues on housing indicators that require further research. Study 3) Aimed at defining requirements for a dashboard to inform decision-makers analysing and visualizing EH information using the context of Lisbon city as an example. A user-centred approach was employed to engage end-users and to collect their visualisation preferences. Three online semi-structured group interviews with eleven potential end-users from different organisations were conducted using design cards with visualisation options regarding 17 indicators of built and natural environment determinants. The feedback obtained from the semi-structured interviews was synthesised into a framework with eleven requirements to design a dashboard to monitor EH in Lisbon. In conclusion, the work in this dissertation identified the key indicators to monitor EH in the Lisbon urban context and set a framework to inform the design of a monitorization dashboard. The combined methodology described in this work can be used to inform the design of decision-aid tools to monitor EH in urban settings. It could serve as a reference for other researchers for other contexts. The improvement of EH could help alleviate the healthcare burden and have multiple co-benefits in economic development, improvement of industry-related processes, and climate change mitigation. This work demonstrates that only integrating theory and tools that incorporate scientific, institutional, and community stakeholders will devise interventions to allow substantial gains in EH.
Environmental health (EH) is influenced by complex interactions between health and the built and natural environments, there being little research on its specificities in urban settings. The accelerated urbanization and industrialization have created EH problems that threaten sustainable environment development and affect our health. The monitorization of these interactions to improve EH became a priority to local authorities and industries. Nevertheless, there is a gap in knowledge about which environmental indicators are suitable for monitoring EH in urban settings. This deficit hinders national and local interventions from improving EH. With the overall objective of advancing knowledge towards the monitorization of EH in Lisbon as a case study, three different studies were performed: Study 1) Aimed to systematically review key environmental determinants and respective dimensions and indicators, evaluate population health in urban settings, and understand their potential implications into policies. A literature search published between 2008 and 2018 was conducted, resulting in 94 studies of varied methodological approaches. The review identified positive associations between the socioeconomic, built environment, natural environment, healthcare, behaviors determinants, and health outcomes - overall mortality and morbidity, in urban settings. Improvements in income, education, air quality, occupation status, mobility, and smoking habits indicators impact overall mortality and chronic diseases’ morbidity indicators. Study 2) Aimed at selecting the indicators suitable to monitor and assess EH in Lisbon city. This study was informed by evidence derived from a systematic review of literature and data from Lisbon and Portuguese databases. 12 Portuguese experts analyzed the data in individual semi-structured interviews to identify the relevant indicators and emerging issues in the Lisbon urban setting. The outputs from the interviews were validated by a two-round Web-Delphi process with a panel of 22 experts from different areas of expertise. Seventeen indicators were validated in the Web-Delphi process. The results from the adopted participatory approach point out gaps in the collection of noise and mobility indicators data and raise emerging issues on housing indicators that require further research. Study 3) Aimed at defining requirements for a dashboard to inform decision-makers analysing and visualizing EH information using the context of Lisbon city as an example. A user-centred approach was employed to engage end-users and to collect their visualisation preferences. Three online semi-structured group interviews with eleven potential end-users from different organisations were conducted using design cards with visualisation options regarding 17 indicators of built and natural environment determinants. The feedback obtained from the semi-structured interviews was synthesised into a framework with eleven requirements to design a dashboard to monitor EH in Lisbon. In conclusion, the work in this dissertation identified the key indicators to monitor EH in the Lisbon urban context and set a framework to inform the design of a monitorization dashboard. The combined methodology described in this work can be used to inform the design of decision-aid tools to monitor EH in urban settings. It could serve as a reference for other researchers for other contexts. The improvement of EH could help alleviate the healthcare burden and have multiple co-benefits in economic development, improvement of industry-related processes, and climate change mitigation. This work demonstrates that only integrating theory and tools that incorporate scientific, institutional, and community stakeholders will devise interventions to allow substantial gains in EH.
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Keywords
saúde ambiental indicadores ambientais contexto urbano ferramentas de monitorização Environmental health environmental indicators urban settings monitorization tools
