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Orientador(es)
Resumo(s)
A actividade de professor proporciona várias fontes de
satisfação, mas também envolve muitos factores de stress. Muitas
vezes, o que numa altura pode ser extremamente gratificante,
noutra pode ser tremendamente penoso. Talvez as maiores
satisfações se sucedam a períodos de maior stress.
O que torna um acontecimento fonte de satisfação ou de
stress? Numa perspectiva comportamental são as coisas em si
mesmas que carregam essa qualidade de causarem um determinado
impacto emocional. Face a situações positivas ficamos satisfeitos
e ficamos perturbados quando os acontecimentos são objectivamente
desfavoráveis. A disposição e o estado de espírito do professor
dependerão do meio em que este se encontra. Alunos
indisciplinados, adaptação a novos programas, carreira pouco
valorizada, condicionam negativamente todos os professores. No
entanto, as reacções não são todas idênticas.
Para explicar aquelas diferenças individuais temos de
recorrer às variáveis pessoais. Uma ênfase exagerada nesta
vertente faz esquecer as variáveis do meio na determinação do
comportamento e das emoções. Ao contrário, considerar que os
afectos são dependentes de estruturas internas faz com que os
acontecimentos do meio sirvam apenas para desencadear reacções
com um carácter quase automático, a que o indivíduo se sente
obrigado. Neste caso, o indivíduo reage de determinada maneira
"porque é assim", independentemente da situação específica em que
se encontra. Ao professor bem sucedido atribuem-se traços positivos, de inteligência, sociabilidade, embora apelando
essencialmente para a vocação. Se um professor tem dificuldades
é por não ter vocação, ou por ser complexado, por exemplo.
Recorre-se a características estáveis do indivíduo, ignorando as
condições com que se confrontaram.
Com as correntes humanistas (p. ex.- Rogers, 1961) passa a
ser atribuído ao indivíduo um papel mais activo, libertando-o das
"amarras" ambientais ou da sua-personalidade em termos fixos. No
entanto, a ênfase excessiva na capacidade de auto-determinação
do indivíduo ignora grande parte dos factores do meio e dos
constrangimentos constitucionais.
Os modelos mediacionais dentro das terapias comportamentais
(Mahoney, 1974) trouxeram uma visão mais interactiva do indivíduo
no seu meio. Poderemos dizer que o que une as perspectivas
cognitivistas é a ideia defendida por Epitecto há mais de 2000
anos: "O que perturba os homens não são as coisas , mas os juízos
que os homens formulam sobre as coisas" (Epitecto,1992, pg. 23) .
Ou seja, as emoções são mediadas pelas cognições. O carácter mais
satisfatório ou "stressante" da realidade é-lhe atribuído pelo
indivíduo. É a forma como conhece e interpreta o real que torna
esse real mais ou menos gratificante ou perturbador. Portanto,
não são só as condições difíceis das escolas, nem são apenas os
"complexos" que perturbam os professores. Com esta ideia de
interacção em mente há que perceber de uma maneira diferente o
papel das variáveis pessoais na perturbação. (...)
Descrição
Tese de Mestrado em Ciências da Educação (Psicologia da Educação) apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 1992
Palavras-chave
Teses de mestrado - 1992 Avaliação do comportamento Avaliação cognitiva Professores Tensão psicológica Expressão oral
