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Orientador(es)
Resumo(s)
Introdução: O glaucoma afeta cerca de 80 milhões de pessoas globalmente e a sua prevalência é expectável de vir a aumentar, dado que é uma doença especialmente frequente na população mais idosa. É também a principal causa de cegueira irreversível e a segunda causa de cegueira mundial, pelo que representa um desafio para os sistemas de saúde, devido ao seu impacto negativo na visão e qualidade de vida dos doentes. O diagnóstico diferencial entre glaucoma e outras neuropatias ópticas é complexo, havendo uma tendência para o sobre-diagnóstico entre oftalmologistas, especialmente entre aqueles com pouca experiência e treino na área. O diagnóstico de glaucoma é feito com base nos achados de fundoscopia e alterações dos campos visuais, avaliados por perimetria. A medição da pressão intraocular deve ser realizada, mas não é necessária para o diagnóstico. Atualmente, existem outros exames mais sofisticados que permitem a melhor avaliação do nervo óptico. Contudo, não se encontram amplamente acessíveis. A dúvida diagnóstica acresce quando estamos perante os ditos imitadores de glaucoma. Estes são condições neuro-oftalmológicas, nomeadamente a neuropatia óptica póstraumá Eca, a neuropatia óptica isquémica, neuropatias ópticas hereditárias, ou encefalopatia hipoxico-isquémica, cujas manifestações clínicas e achados nos exames de diagnóstico se podem sobrepor ao glaucoma. Assim, a elevada prevalência de glaucoma quando comparado com as restantes neuropatias ópticas pode levar a que o diagnóstico desta patologia seja feito com base num raciocínio probabilístico. No entanto, pensa-se que possa haver outros fatores a contribuir para o sobre-diagnóstico de glaucoma, como a presença de pressão intraocular elevada. A alteração desta medição pode levar alguns clínicos a assumirem um diagnóstico de glaucoma, quando esta não constitui um elemento diagnóstico, apenas nos ajuda a caracterizar melhor o doente com neuropatia óptica glaucomatosa. Pela revisão da literatura, ainda não existem estudos disponíveis que visem investigar mais aprofundadamente os potenciais indicadores clínicos que poderão auxiliar o3almologistas neste diagnostico diferencial, pelo que se torna um tema relevante de explorar. Objetivos: Este estudo tem como objetivo primário identificar indicadores clínicos úteis no diagnóstico diferencial de glaucoma com outras neuropatias ópticas. Como objetivos secundários, caracterizou a população de doentes referenciados à consulta de glaucoma e que tiveram posteriormente uma suspeita de um diagnóstico neuro-oftalmológico. Avaliou as taxas de sobre-diagnóstico de glaucoma e suas consequências. Analisou a taxa de referenciações apropriadas para neuro-oftalmologia e a prevalência das várias condições neuro-ofalmológicas identificadas, assim como o impacto deste diagnóstico na qualidade de vida dos doentes. Métodos: Este estudo transversal, realizado na ULS Santa Maria, estudou os utentes referenciados à consulta de glaucoma por o3almologistas do mesmo hospital, de 2019 a 2021. Determinou-se que o critério de inclusão seria a referenciação cruzada entre a consulta de glaucoma e de neuro-oftalmologia, por esta ordem apenas (n= 53). Cerca de dezassete doentes foram excluídos deste estudo, por não apresentarem o correto circuito de referenciação. Posteriormente, os doentes foram divididos três subgrupos. O subgrupo A, que incluiu doentes com diagnóstico neuro-oftalmológico, o subgrupo B formado pelos doentes sem este diagnosEco e, por fim, houve um terceiro subgrupo (subgrupo C) formado pelos doentes sem achados conclusivos. Este último não foi considerado para a análise de subgrupos. O diagnostico de glaucoma não foi considerado como variável independente, pela pequena percentagem de doentes. Foram colhidos para todos os doentes dados demográficos (idade na primeira visita ao glaucoma, sexo, raça, antecedentes pessoais de hipertensão arterial, diabetes, dislipidemia ou vasculite (qualquer), medicação crônica, história de cancro e história familiar conhecida de glaucoma) dados oftalmológicos (pressão intraocular, acuidade visual, resultados da perimetria estática computadorizada, cirurgias oftalmológicas prévias, medicação tópica habitual, outros diagnóstico oftalmológicos e número de olhos afetados) e variáveis de investigação diagnóstica (tipo de consulta de glaucoma, diagnóstico de glaucoma, achados conclusivos, motivos de referenciação a neuro-oftalmologia, diagnóstico neurooftalmológico final, realização de prova terapêutica e sucesso desta). A análise univariada avaliou associações entre as variáveis clínicas e os subgrupos. As variáveis correspondentes à pressão intraocular e acuidade visual não foram consideradas para a análise de subgrupo, dada a pequena dimensão dos subgrupos e a complexidade que tal implicaria, não sendo esperados resultados fidedignos.
Introduction: Glaucoma poses a significant health challenge due to its impact on vision and quality of life. Its differential diagnosis with other optic neuropathies is challenging and clinicians tend to overdiagnose it. Additional research is needed to thoroughly examine the potential clinical indicators that could aid ophthalmologists in this task. Objectives: This study aims to identify clinical indicators helpful in the differential diagnosis of glaucoma with other neuro-ophthalmological conditions. It assesses glaucoma overdiagnosis rates, its impact, analyses appropriate referrals to neuroophthalmology and the prevalence of various neuro-ophthalmological condiEons. Methods: This cross-sectional study, conducted at ULS Santa Maria, from 2019 to 2021, analyzed patients referred to a glaucoma visit from ophthalmologists within the same hospital (n=71). Selection criteria included referrals from glaucoma to neuroophthalmology specialists (n=53). Patients were divided into two subgroups based on the presence or absence of a final neuro-ophthalmological diagnosis. Demographic, ophthalmological data and diagnostic work-up variables were collected. Univariate analysis assessed associations between clinical variables and the subgroups. Results: In this study, that included 53 patients, the rate of glaucoma overdiagnosis was 64%. Most patients 55% (29/53) had a final neuro-ophthalmological diagnosis. The rate of appropriate referrals to a neuro-ophthalmology consult was 81%. The most frequent etiology was optic neuropathy (76%) and the most prevalent type was non-arteritic ischemic optic neuropathy. The majority of the patients were under the effect of pressure lowering topical ocular medication (66.0%) and 38% did not have glaucoma. Overall, 40% of the glaucoma surgeries performed were unnecessary. There is a statistically significant tendency of male patients being more prone to having a neuroophthalmological diagnosis (p=0,008). Conclusion: Distinguishing glaucoma from other neuro-ophthalmological conditions poses challenges for ophthalmologists, especially those lacking specialized training. Early identification during glaucoma consultations prevents complications like irreversible vision loss. The clinical indicators that may assist ophthalmologists in this task need to be further investigated.
Introduction: Glaucoma poses a significant health challenge due to its impact on vision and quality of life. Its differential diagnosis with other optic neuropathies is challenging and clinicians tend to overdiagnose it. Additional research is needed to thoroughly examine the potential clinical indicators that could aid ophthalmologists in this task. Objectives: This study aims to identify clinical indicators helpful in the differential diagnosis of glaucoma with other neuro-ophthalmological conditions. It assesses glaucoma overdiagnosis rates, its impact, analyses appropriate referrals to neuroophthalmology and the prevalence of various neuro-ophthalmological condiEons. Methods: This cross-sectional study, conducted at ULS Santa Maria, from 2019 to 2021, analyzed patients referred to a glaucoma visit from ophthalmologists within the same hospital (n=71). Selection criteria included referrals from glaucoma to neuroophthalmology specialists (n=53). Patients were divided into two subgroups based on the presence or absence of a final neuro-ophthalmological diagnosis. Demographic, ophthalmological data and diagnostic work-up variables were collected. Univariate analysis assessed associations between clinical variables and the subgroups. Results: In this study, that included 53 patients, the rate of glaucoma overdiagnosis was 64%. Most patients 55% (29/53) had a final neuro-ophthalmological diagnosis. The rate of appropriate referrals to a neuro-ophthalmology consult was 81%. The most frequent etiology was optic neuropathy (76%) and the most prevalent type was non-arteritic ischemic optic neuropathy. The majority of the patients were under the effect of pressure lowering topical ocular medication (66.0%) and 38% did not have glaucoma. Overall, 40% of the glaucoma surgeries performed were unnecessary. There is a statistically significant tendency of male patients being more prone to having a neuroophthalmological diagnosis (p=0,008). Conclusion: Distinguishing glaucoma from other neuro-ophthalmological conditions poses challenges for ophthalmologists, especially those lacking specialized training. Early identification during glaucoma consultations prevents complications like irreversible vision loss. The clinical indicators that may assist ophthalmologists in this task need to be further investigated.
Descrição
Trabalho Final do Curso de Mestrado Integrado em Medicina, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, 2024
Palavras-chave
Glaucoma Neuropatias ópticas Diagnóstico diferencial Indicadores clínicos Oftalmologia
