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Early integration of palliative care in non-oncological patients : a systematic review

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Resumo(s)

Os cuidados paliativos têm sido associados a cuidados em fim de vida para pacientes com cancro, mas os seus benefícios estendem-se a pacientes com insuficiência cardíaca, doença pulmonar obstrutiva crónica, doença do interstício pulmonar, doença hepática terminal, infeção pelo vírus da imunodeficiência humana e acidente vascular cerebral. Os cuidados paliativos são cuidados prestados a pessoas com doenças crónicas, incuráveis e progressivas, daí a sua relevância em doenças do foro não oncológico. É necessário perceber os benefícios da integração precoce dos cuidados paliativos no tratamento de pacientes com patologia não oncológica de forma a sensibilizar os profissionais de saúde para esta temática e conseguir que a referenciação seja feita mais precocemente. Objetivos: Esta revisão sistemática tem como objetivo avaliar o impacto da integração precoce de cuidados paliativos na qualidade de vida, gestão de sintomas, planeamento antecipado de cuidados e utilização de recursos de saúde- incluindo a utilização de recursos, tempo até à primeira readmissão após alta hospitalar, dias fora do hospital antes da referenciação para o hospice care - nos pacientes com doenças avançadas do foro não oncológico. Métodos: Esta revisão sistemática teve em conta as recomendações expressas no Cochrane Handbook for Systematic Reviews of Interventions e foi redigida de acordo com as guidelines providenciadas pela Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses. Foi realizada uma pesquisa nas bases de dados PubMed, Web of Science e Scopus. Esta pesquisa incluiu os seguintes termos: “early palliative” NOT cancer* e foram aplicados filtros de período temporal (estudos publicados entre janeiro de 2018 e abril de 2023) e de desenho de estudo (foram incluídos estudos controlados randomizados e estudos clínicos). A pesquisa efetuada resultou em 36 artigos dos quais 13 eram duplicados e, por esse motivo, removidos antes do início da análise. Foi feita a análise do título e resumo dos restantes 23 artigos, tendo sido excluídos 13 artigos neste contexto. Os critérios de exclusão foram: estudos não relacionados com o tópico de interesse, estudos cujos outcomes não estavam relacionados com o trabalho, população não concordante com a população de interesse do estudo, artigos relacionados com doença oncológica e estudos pagos. Dos restantes 10 artigos foi feita a analise completa, tendo sido excluídos 3 artigos por serem protocolos de estudo. A última consulta de cada estudo analisado nesta revisão sistemática foi a 12 de julho de 2023. Todos os artigos pagos e não subscritos pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa não foram incluídos na análise. Os participantes eram adultos com doenças não oncológicas expostos a uma intervenção de cuidados paliativos comparados com indivíduos que receberam os cuidados padrão. As patologias incluídas nesta revisão sistemática foram as seguintes: insuficiência cardíaca, doença pulmonar obstrutiva crónica, doença do interstício pulmonar, doença hepática terminal, infeção pelo vírus da imunodeficiência humana e acidente vascular cerebral. Os outcomes avaliados incluíram a qualidade de vida, gestão de sintomas, planeamento antecipado de cuidados e a utilização de recursos de saúde (utilização de recursos, tempo até à primeira readmissão após alta hospitalar, dias fora do hospital antes da referenciação para o hospice care). O risco de viés foi determinado através das ferramentas disponibilizadas pela Cochrane: o risco de viés dos estudos controlados randomizados foi avaliado através da ferramenta RoB 2 e os estudos clínicos foram analisados tendo por base as recomendações da ferramenta ROBINS-I. Devido ao número reduzido de estudos e elevada heterogeneidade entre os mesmos, não foi realizada uma meta- análise. Foi efetuada uma análise qualitativa dos estudos, utilizando um formato narrativo. Resultados: Nesta revisão sistemática foram incluídos 7 estudos, 6 dos estudos foram realizados nos Estados Unidos da América e 1 estudo na Suíça. O número total de pacientes incluídos foi de 1118. A evidência indica que a integração precoce de cuidados paliativos afeta positivamente a fadiga e interferência da dor nos doentes com insuficiência cardíaca, o tempo até à primeira readmissão e dias de vida fora do hospital em doentes com doença hepática terminal, a carga de sintomas em pacientes com infeção pelo vírus da imunodeficiência humana e ansiedade e depressão em doentes com acidente vascular cerebral. Relativamente ao planeamento antecipado de cuidados, este foi mais realizado nos pacientes com doença pulmonar obstrutiva crónica e doença do interstício pulmonar que receberam cuidados paliativos precocemente. Relativamente aos pacientes com infeção pelo vírus da imunodeficiência humana não houve diferenças estatisticamente significativas no planeamento antecipado de cuidados no grupo de cuidados paliativos precoces. Em termos de carga de sintomas, avaliada na globalidade, não foram constatadas diferenças estatisticamente significativas em indivíduos com insuficiência cardíaca e doença pulmonar obstrutiva crónica. A dispneia não melhorou significativamente nos pacientes com insuficiência cardíaca com a integração precoce de cuidados paliativos. No que concerne à utilização de recursos de saúde em pacientes com insuficiência cardíaca, não se constataram diferenças estatisticamente significativas nos dias de internamento, recorrência ao serviço de urgência e número de hospitalizações. Nos pacientes com doença hepática terminal não houve diferenças estatisticamente significativas em termos de readmissão hospitalar e referenciação para hospice care. Nos doentes com doença pulmonar obstrutiva crónica a admissão no serviço de urgência e internamento hospitalar na sequência de insuficiência respiratória foi mais elevada no grupo que recebeu cuidados paliativos. Contudo, após a aplicação da correção de Benjamini & Hochberg para múltiplos testes, nenhuma destas diferenças permaneceu estatisticamente significativa. Em termos de admissão em cuidados intensivos em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crónica, não houve diferenças estatisticamente significativas entre o grupo de cuidados paliativos e o grupo que recebeu os cuidados padrão. Relativamente à ansiedade e depressão em pacientes com insuficiência cardíaca, os resultados não foram consistentes. No que diz respeito à ansiedade e depressão nos pacientes com doença do interstício pulmonar (fibrose pulmonar idiopática), doença pulmonar obstrutiva crónica e doença hepática terminal não houve diferenças estatisticamente significativas entre o grupo intervenção e controlo. Em termos de qualidade de vida, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas em indivíduos com insuficiência cardíaca, doença hepática terminal, doença do interstício pulmonar (fibrose pulmonar idiopática) ou doença pulmonar obstrutiva crónica. Relativamente a indivíduos com infeção pelo vírus da imunodeficiência humana, não houve melhorias da qualidade de vida no grupo intervenção. O risco de viés foi determinado através das ferramentas disponibilizadas pela Cochrane; o risco de viés para os estudos clínicos randomizados foi alto e para os estudos clínicos foi moderado. Conclusão: O impacto da integração precoce de cuidados paliativos nos outcomes relacionados com a saúde dos pacientes com doenças não oncológicas é inconsistente. É necessário perceber que barreiras existem relativamente à integração precoce destes cuidados e realizar pesquisas de alta qualidade de forma a otimizar a prestação de cuidados paliativos e potenciar a melhoria dos outcomes nos indivíduos que padecem de doenças do foro não oncológico. Os cuidados paliativos devem ser integrados no cuidado aos pacientes com base nas suas necessidades em detrimento do prognóstico, promovendo um foco na qualidade de vida dos pacientes ao longo do curso da sua doença. A integração precoce de cuidados paliativos no tratamento dos pacientes com doenças não oncológicas, avançadas, crónicas e progressivas pode fornecer um suporte compreensivo da doença, melhorar a qualidade de vida, reduzir a utilização de recursos de saúde e melhorar a comunicação relativamente ao planeamento antecipado de cuidados. Desta forma, devem ser feitos esforços no sentido de sensibilizar os profissionais de saúde, pacientes e famílias relativamente aos benefícios da integração precoce de cuidados paliativos no tratamento de doenças não oncológicas.
Abstract Introduction: Palliative care (PALC) has been associated with end-of-life care for cancer patients, but its benefits extend to those with heart failure (HF), chronic obstructive pulmonary disease (COPD), interstitial lung disease (ILD), end-stage liver disease (ESLD), Human Immunodeficiency Virus (HIV), and stroke. Objectives: This systematic review aimed to evaluate the impact of early PALC on quality of life (QOL), symptom management, advance care planning (ACP), and healthcare resource utilization (HRU) among patients with advanced non-oncological diseases. Methods: PubMed, Web of Science, and Scopus databases were searched for randomized controlled trials and clinical studies published between January 2018 and April 2023. Participants were adult patients with non-oncological diseases exposed to any PALC intervention compared to usual care. Outcomes included QOL, symptom management, ACP, and HRU. Risk of bias was assessed using Cochrane tools. Results: Seven studies from the USA (n=6) and Switzerland (n=1), involving 1118 patients, were included. Evidence indicates early PALC positively affects pain interference, fatigue in HF patients; and time until first readmission and days alive outside the hospital in ESLD patients. Benefits were also noted in symptom burden for HIV patients; anxiety and depression in stroke patients; and ACP in COPD and IPF patients. However, results for anxiety and depression in HF patients are inconsistent, and no significant differences in QOL were observed in HF, ESLD, ILD and COPD. The intervention did not improve overall QOL in HIV. Conclusions: The impact of early PALC on health outcomes in non-oncological diseases is inconsistent. Addressing barriers to early PALC integration and conducting further high-quality research are essential for optimizing care pathways and enhancing patient outcomes.

Descrição

Trabalho Final do Curso de Mestrado Integrado em Medicina, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, 2024

Palavras-chave

Carga de sintomas Cuidados paliativos Hospitalização Planeamento antecipado de cuidados Qualidade de vida Utilização de serviços de saúde

Contexto Educativo

Citação

Projetos de investigação

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