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Publicação

Mental disorders and refractory epilepsy : evidence of a bidirectional relationship

datacite.subject.fosCiências Médicas::Medicina Clínicapt_PT
dc.contributor.advisorFilipe, Maria Luísa Caruana Canessa Figueira da Cruz
dc.contributor.advisorPimentel, José Guilherme de Brito Cortez
dc.contributor.authorCruz, Filipa Andreia Lemos Novais Oliveira
dc.date.accessioned2021-06-14T09:12:43Z
dc.date.available2021-06-14T09:12:43Z
dc.date.issued2020-05
dc.date.submitted2020-01
dc.description.abstractIntroduction: Although the relationship between mental disorders and epilepsy has been studied for several years there is a lack of systematization of knowledge in this area. People with epilepsy, particularly those who are refractory to pharmacological treatment, have a high prevalence of psychiatric comorbidities. For these patients, surgical treatment is often proposed; its effects at a psychopathological level may depend on the clinical characteristics of each person and the surgical technique itself. While some epilepsy-related characteristics may contribute to a higher risk of psychiatric disorders, these may also be associated with the prognosis of refractory epilepsy. Aims: This study focused on the relationship between mental illness and refractory epilepsy. Specifically, our objectives were to study the mutual influence between refractory epilepsy or epilepsy surgery and mental disorders. Moreover, we also aimed to determine if the dysfunction, associated with the epilepsy origin, of a particular lobe or hemisphere influenced the risk or the type of any psychiatric disorder. Methods: To investigate these questions, we designed one cross-sectional and five ambispective cohort studies, using a sample of people with refractory epilepsy referred to surgery. The participants were accessed before surgery and annually, after that, during a maximum period of three years, by a psychiatrist from the Epilepsy Surgery Group of Hospital de Santa Maria. Assessments included a clinical evaluation and a battery of scales and questionnaires. Different statistical approaches were used according to the aim of each study. Results: Our results showed that 46% of people with refractory epilepsy had a lifetime history of some psychiatric disorder and the risk seems to be higher in those with an epilepsy originated in the right hemisphere. Regarding personality, 70% had a dysfunctional personality pattern. After epilepsy surgery, this percentage dropped to 58% and the difference was found to be significant. “Avoidant” and “Compulsive” personality patterns were associated with a temporal epilepsy origin while an extratemporal origin was associated with “Histrionic” and “Antisocial” patterns. Additionally, our studies allowed us to identify that epilepsy with a multilobar origin and a neuromodulation technique, the Deep Brain Stimulation of the Anterior Thalamic Nucleus (ANT-DBS) were associated with the development of de novo psychiatric disorders. It was also demonstrated that in people with a bilateral epilepsy origin, no remission of epileptic seizures and in those submitted to ANT-DBS there was an increase of psychopathological scores and, consequently, a greater mental suffering, one year after the epilepsy surgery. Regarding the course of refractory epilepsy, we showed that a history of any mental illness is a predictor of lower seizure control after surgery. In fact, regarding epilepsy surgery outcome this was the most important contributor to the accuracy of a predictive model. Conclusions: Important conclusions can be drawn from these results. People with refractory epilepsy have high rates of mental disorders and dysfunctional personality adjustment patterns. Regarding the relationship with surgery, people who are subjected to ANT-DBS appear to have an increased probability of either developing new psychiatric syndromes or worsening previous psychopathological symptoms, when compared to conventional resective surgery. Despite the fact that this modality of neuromodulation is relatively recent, this work points to a high risk of psychiatric effects. Moreover, people with a bilateral or multilobar epilepsy origin also have higher risk of worsening or developing de novo psychopathology. Considering these data and our findings regarding the poor reduction after surgery of those with psychiatric disorders present, we hypothesize that there might be a subgroup of people with wider brain dysfunction, leading to a more serious neuropsychiatric disorder and therefore worse global prognosis. In summary, together these studies allowed us to demonstrate evidence for a bidirectional relationship between refractory epilepsy and mental disorders. Epilepsy-related factors affect the course of mental disorders and mental disorders affect the course of epilepsy after surgery. Similarly, we showed that epilepsy surgery also affects the future course of psychopathological symptoms and dysfunctional behavioural patterns. By demonstrating this relationship, our work emphasized the importance of a close collaboration between neurologists and psychiatrists in the follow-up of people with refractory epilepsy. Moreover, we showed that the potential dysfunction of a particular zone of the brain, due to the epilepsy origin, may be associated with a higher risk for any mental disorder and an increased probability of developing certain dysfunctional personality characteristics. These findings may add to the investigation of the biological basis of mental illnesses. Future studies should use bigger samples to confirm our results regarding the psychopathological risks of epilepsy surgery, particularly, ANT-DBS, and explore the hypothesis of a subgroup of patients with a more generalized brain dysfunction and what are the neurobiological mechanisms involved in this dysfunction.pt_PT
dc.description.abstractIntrodução Embora a relação entre as doenças mentais e a epilepsia seja estudada desde há vários anos, os dados existentes são ainda controversos e pouco sistematizados. Hippocrates (460-370 BC), terá sido um dos primeiros autores a descrever a existência de perturbações psicopatológicas em pessoas com epilepsia. Já no século XX, Kraepelin (1923) caraterizou alguns destes quadros, tendo descrito quer alterações do humor, nomeadamente as “Disforias Periódicas” quer alterações da personalidade. De facto, estas foram alvo de estudo ao longo de décadas, tendo sido, mais tarde, descrita a síndrome de Gastaut-Geschwind que compreendia um conjunto de caraterísticas do comportamento interictal, designadamente, o aumento de preocupações morais, filosóficas e interesses religiosos, viscosidade, hipergrafia e ausência de sentido de humor. Em Portugal salienta-se o trabalho de Júlio de Matos (1884) acerca da “Loucura Epilética” e de Miguel Bombarda (1896) que se debruçou sobre o estudo desta entidade em “Lições sobre Epilepsia e as Pseudo-Epilepsias”. Estudos mais recentes têm mostrado que as pessoas com epilepsia, particularmente, as que sofrem de epilepsia refratária ao tratamento farmacológico, tem uma elevada prevalência de comorbilidades psiquiátricas. As patologias mais comuns são as Perturbações do humor e ansiedade embora também se encontrem taxas mais elevadas de outras patologias, como as perturbações psicóticas, quando é feita a comparação com a população geral. Estes doentes têm também um maior risco de suicídio, estando esta entre as principais causas de mortalidade precoce nestas pessoas. O impacto das doenças mentais na qualidade de vida destes doentes é muito significativo e alguns estudos parecem apontar, igualmente para a possibilidade de agravarem o curso da própria epilepsia. Contudo, as patologias do foro mental continuam a ser subdiagnosticadas ou, muitas vezes, não tratadas, nestes doentes. Às pessoas com epilepsia refratária é, muitas vezes, proposto um tratamento cirúrgico cujos efeitos a nível psicopatológico poderão depender das caraterísticas clínicas de cada pessoa e da própria técnica cirúrgica. Para além disso, existem diferentes técnicas cirúrgicas, com intuito curativo ou paliativo, que poderão ser aplicadas de acordo com critérios clínicos e preferência dos doentes e famílias. Objetivo Este trabalho focou-se no estudo da influência mútua entre a epilepsia refratária ou a cirurgia da epilepsia e a doença mental. Para além disso, pretendemos, ainda, esclarecer se a disfunção, relacionada com a origem da epilepsia, de um determinado lobo ou hemisfério se associa ao maior risco de desenvolver uma perturbação psiquiátrica ou um tipo específico de perturbação. Método Para investigar estas questões, foram projetados um estudo transversal, com o intuito de caraterizar a amostra, e cinco estudos de coorte ambispectivos, usando uma amostra de pessoas com epilepsia refratária encaminhada para cirurgia. Os participantes recrutados a partir do Grupo de Cirurgia de Epilepsia do Hospital de Santa Maria, foram avaliados antes da cirurgia e anualmente, durante um período máximo de três anos, por um dos psiquiatras envolvidos na equipa multidisciplinar deste grupo. As observações incluíram uma avaliação clínica e as seguintes escalas e questionários: The Brief Psychiatric Rating Scale (BPRS); The Hamilton Depression Rating Scale (HDRS); The Hamilton Anxiety Rating Scale (HARS); The Beck Depression Inventory (BDI); The Montgmomery-Asberg Depression Scale (MADRS); The Symptoms Distress Checklist (SCL-90); The Millon Clinical Multiaxial Inventory-II (MCMI-II); The Temperament Evaluation of Memphis, Pisa and San Diego Autoquestionnaire (TEMPS-A); The Quality of Life in Epilepsy Inventory (QoLIE 31) e a The Wechsler Adult Intelligence Scale (WAIS-III). Em cada estudo foram utilizados e reportados dados de apenas alguns destes testes de acordo com o objetivo do mesmo. Foram também definidas janelas temporais diferentes em cada trabalho, adequadas ao propósito do mesmo e de acordo com os dados disponíveis. As perturbações psiquiátricas podem ser classificadas, de acordo com a sua relação temporal com as crises epiléticas como pre-ictais ou interictais, tendo a nossa pesquisa incidido sobre este último tipo. Neste trabalho não foram ainda incluídas perturbações consideradas como especificamente associadas à epilepsia como a disforia interictal pela sua falta de validação. A análise das variáveis em estudo foi feita através da utilização de métodos estatísticos adequados a cada objetivo. Este estudo foi proposto e aprovado pela Comissão de Ética do Hospital de Santa Maria. Resultados Os nossos resultados mostram que 46% das pessoas com epilepsia refratária tem história de pelo menos uma perturbação psiquiátrica, ao longo da sua vida, e o risco parece estar aumentado em pessoas com foco epileptogénico direito. Em relação à personalidade, 70% desta população apresentou um padrão disfuncional de personalidade. Depois da cirurgia, esta percentagem decresceu para 58% e a diferença foi estatisticamente significativa. Os padrões “Evitante” e “Compulsivo” associaram-se a uma origem epilética temporal e os padrões “Histriónico” e “Antissocial” a uma origem extratemporal. Para além disso, os nossos estudos identificaram como fatores associados ao desenvolvimento de patologia psiquiátrica de novo pós cirurgia, designadamente, a zona epileptogénica multilobar e a estimulação cerebral profunda do núcleo anterior do tálamo (ANT-DBS). Demonstrou-se, ainda, que nas pessoas com origem epilética hemisférica bilateral, sem remissão das crises epiléticas e naquelas submetidas a ANT-DBS houve um agravamento de índices psicopatológicos e, por conseguinte, um maior sofrimento mental, um ano após a cirurgia da epilepsia. Em relação ao curso da epilepsia, demonstrou-se que a existência de história de doença mental constitui um preditor de menor controlo das crises epiléticas pós cirurgia. De fato, em relação ao resultado da cirurgia de epilepsia, esse foi o fator que mais contribuiu para a precisão de um modelo preditivo do resultado da cirurgia. Conclusões Importantes conclusões podem ser retiradas destes resultados. Pessoas com epilepsia refratária têm elevada prevalência de doença mental e de padrões de personalidade associados a um funcionamento mal adaptativo. Fatores relacionados com a epilepsia, tais como a sua topografia de origem, podem contribuir para o aumento desta vulnerabilidade. Considerando a relação com a cirurgia, as pessoas sujeitas a ANT-DBS parecem ter uma probabilidade muito superior, quer de desenvolvimento de síndromes psiquiátricas de novo, quer de agravamento de sintomas psicopatológicos prévios, em relação à cirurgia ressetiva convencional. Embora esta modalidade de neuromodulação seja ainda recente, este trabalho aponta para um risco elevado de alterações psiquiátricas. Adicionalmente, doentes com disfunção mais global do sistema nervoso central, associados à origem epilética bi-hemisférica ou multilobar, apresentam, igualmente, este risco de agravamento ou de desenvolvimento de psicopatologia de novo. Por outro lado, as pessoas com história de doença mental também não respondem de forma tão eficaz à cirurgia, mantendo mais crises, após o procedimento. Estes doentes podem constituir um subgrupo caraterizado por uma patologia neuropsiquiátrica de base mais grave. Em conclusão, este trabalho permitiu obter evidência acerca da existência de uma relação bidirecional entre a epilepsia e as doenças psiquiátricas. Demonstrou-se que alguns fatores relacionados com a epilepsia afetam o curso e tipo de doenças mentais nesta população e que a as doenças mentais afetam o curso da própria epilepsia. Também se demonstrou que a cirurgia da epilepsia interfere com o curso dos sintomas psicopatológicos e comportamentais após este procedimento. Deste trabalho conclui-se, ainda, que a disfunção de diferentes regiões cerebrais poderá contribuir para a emergência de patologia mental. Assim, enfatiza-se a importância de uma estreita colaboração entre neurologistas e psiquiatras no acompanhamento das pessoas com epilepsia refratária. Desta colaboração podem ainda ser apontados caminhos para a investigação das bases biológicas das doenças mentais. Estudos futuros, envolvendo amostras mais amplas, poderão confirmar o risco aumentado de desenvolvimento de novo ou agravamento de sintomas psiquiátricos associados à cirurgia da epilepsia e em particular à ANT-DBS. Deverá ainda ser confirmada a hipótese aqui colocada de um potencial subgrupo, caraterizado por uma disfunção mais generalizada do sistema nervoso central, associado quer à epilepsia refratária de pior prognóstico quer à doença mental, assim como, quais os potenciais mecanismos neurobiológicos que poderão estar na base desta disfunção.pt_PT
dc.identifier.tid101516797pt_PT
dc.identifier.urihttp://hdl.handle.net/10451/48492
dc.language.isoengpt_PT
dc.subjectEpilepsia refratáriapt_PT
dc.subjectDoença mentalpt_PT
dc.subjectCirurgia da epilepsiapt_PT
dc.subjectTeses de doutoramento - 2020pt_PT
dc.titleMental disorders and refractory epilepsy : evidence of a bidirectional relationshippt_PT
dc.typedoctoral thesis
dspace.entity.typePublication
rcaap.rightsopenAccesspt_PT
rcaap.typedoctoralThesispt_PT
thesis.degree.nameTese de doutoramento, Medicina (Psiquiatria e Saúde Mental), Universidade de Lisboa, Faculdade de Medicina, 2020pt_PT

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