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Em busca da esmeralda perdida : a informação ao doente com cancro da mama

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Resumo(s)

Nos tempos recentes, o domínio dos saberes e da práticas médicas tem sido alvo de uma acentuada turbulência, tal a relevância das mudanças que têm vindo a ser produzidas. Como resultado do progresso científico, que se tem acelerado nos últimos anos, as ciências médicas têm vivido verdadeiros momentos de glória. Todavia, este inquestionável progresso suscita e viabiliza novos e inéditos poderes, que levantam questões complexas de carácter moral e ético. O médico, quando se enriquece de ciência, adquire um equipamento de saber que deverá utilizar na sua praxis perante o doente. Mas a rigidez, o rigor e a objectividade cientificas deverão saber flexibilizar as suas fronteiras quando confrontadas com a Pessoa doente. Só assim se permitirá à ciência médica a necessária convulsão adaptativa quando se cumpre em cada doente, contextualizado na sua realidade psicossocial, sem jamais se comprometer o carácter deliberadamente personalizado do diálogo terapêutico. Na realidade, na sua prática quotidiana, o médico pratica numerosos actos técnicos, diagnósticos e terapêuticos que provam á evidência o valor social do seu poder-saber e dos conhecimentos científicos de que é detentor Mas é inegável que os actos médicos se efectuam numa Pessoa que sofre, apelando sempre que possível para a sua colaboração activa. Porém, a prática médica tem vindo a negligenciar o aspecto relacional em nítido contraste com a confiança que outrora emergia naturalmente da permuta compreensiva e afectiva entre médico e doente. Impõe-se, assim, um apelo ao reequilíbrio entre as dimensões técnico-científica e assistencial, recuperando a dimensão humanista, a "esmeralda perdida" da prática médica. O objectivo primordial da medicina é o de restituir a autonomia à Pessoa doente. Mas, para que tal se torne possível no contexto da medicina actual, o doente terá que ser escutado e adequadamente informado, A informação partilhada poderá então ser vista, simbolicamente, como uma lente correctora do deficit da dimensão relacional que hoje se regista ao nível da relação médico-doente. A reflexão que se faz neste trabalho não pretende colidir com as perspectivas tradicionalmente adoptadas em estudos focalizados na humanização dos cuidados, nem tão pouco avaliar os padrões de interacção que se instalam ao nível da relação médico-doente. Pretende, isso sim, eleger o doente como actor principal, quando capturado pelos processos e relações sociais envolvidas no acto terapêutico. O contexto hospitalar adquire um estatuto privilegiado nesta investigação, na medida em que o acto informativo e as modalidades de que se reveste a informação prestada se alojam em instâncias de comunicação institucionalizada. Curiosamente, a Carta dos Direitos e Deveres dos Doentes consagrada na Lei de Bases da Saúde (Lei n° 48/90, de 24 de Agosto - Base XIV) acolhe, no elenco dos seus objectivos, uma referência explícita á participação activa do doente nos cuidados de saúde que lhe são prestados, bem como a consagração do primado do doente como figura central do Sistema de Saúde. Mais do que consagrar uma figura de retórica, pretende-se que a presente investigação se constitua como um contributo válido para a emancipação da Pessoa do doente nos palcos e cenários hospitalares. A doença oncológica, ao assumir o estatuto de doença crónica, inscreve-se no quadro das patologias dominantes nas sociedades de hoje. O pressuposto de adaptação do doente às condições de cronicidade configura a informação prestada ao doente como uma das estratégias mais poderosas, susceptível de contribuir para a mudança da representação social do doente, de mero caso clínico à condição de ser psicossocial. Como corolário deste trajecto reflexivo, a investigação que seguidamente se apresenta divide-se em dois vectores analíticos principais. Na primeira parte confluem os capítulos nos quais o objecto de pesquisa emerge suportado pela sua construção teórica e metodológica. Na segunda parte deste trabalho, apresentam-se os capítulos documentados pela informação empírica recolhida nas sub-unidades sociais de observação ao longo da cadeia processual médica, de acordo com as categorias analíticas seleccionadas.

Descrição

Dissertação de Mestrado em Ciências da Educação, 1996

Palavras-chave

Teses de mestrado - 1996 Tratamento e prevenção Psicologia da saúde Cancro da mama Doentes oncológicos

Contexto Educativo

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