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Publicação

Noise level comparison between a medical, a surgical, and an intensive care unit ward : prospective study

datacite.subject.fosCiências Médicaspt_PT
dc.contributor.advisorAlves, Mariana
dc.contributor.authorMonteiro, Maria Emília Vieira Duque Carreira
dc.date.accessioned2024-05-13T10:43:24Z
dc.date.embargo2026-06-05
dc.date.issued2023-07
dc.descriptionTrabalho Final do Curso de Mestrado Integrado em Medicina, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, 2023pt_PT
dc.description.abstractO ruído pode ser definido como qualquer som indesejado e desagradável, sendo que, apresenta um impacto negativo para a saúde. Após uma exposição continuada ao ruído, este pode levar, por exemplo, a alterações endocrinológicas, como a elevação do cortisol e das catecolaminas, ao aumento do risco de desenvolver diabetes e doenças cardiovasculares, à degradação cognitiva, bem como à irritabilidade e privação do sono. Sendo por isso, desejável a sua mitigação nos diferentes contextos aos quais as pessoas são expostas. Como forma de providenciar recomendações baseadas na evidencia para a proteção da saúde humana face à exposição ao ruido a Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou em 1999 as “Guidelines for Community Noise“, nas quais é referido que o nível médio de ruído nos hospitais não deve ultrapassar os 30 decibéis (dB) e que durante a noite não deve ultrapassar um máximo de 40 dB. Contudo, estudos anteriores, maioritariamente internacionais, demonstram que, em meio hospitalar, os pacientes estão expostos a níveis de ruído superiores aos recomendados pela Organização Mundial da Saúde. Em Portugal, existe pouca sensibilização para os níveis de ruído nas enfermarias hospitalares e, como tal, pretendemos com este estudo quantificar e comparar os níveis de ruído diurno e noturno em três enfermarias distintas, no mesmo hospital, numa enfermaria de Medicina Interna, numa enfermaria de Cirurgia e numa Unidade de Cuidados Intensivos. Este é um estudo observacional prospetivo realizado nas três enfermarias referidas anteriormente. Os níveis de ruído foram registados por meio de um aplicativo smartphone (Apple iOS, Decibel X), através de uma aplicação certificada, em dias aleatórios nas enfermarias de Medicina Interna, de Cirurgia e na Unidade de Cuidados Intensivos, entre Abril de 2021 e Julho de 2022. Em cada enfermaria foram gravados, pelo menos 7 dias e 7 noites. O período noturno foi definido das 22h às 8h e o período diurno das 8h às 22h. Os profissionais de saúde das diferentes enfermarias não foram informados da presença do dispositivo no serviço. No entanto, na Unidade de Cuidados Intensivos, o dispositivo encontrava-se visível na mesa de trabalho. Relativamente aos resultados obtidos, verificámos que: (1) Os níveis de ruído detetados nas três enfermarias são significativamente superiores aos recomendados pela OMS, tanto durante o dia quanto durante a noite; (2) Durante o dia não houve diferenças significativas em termos de ruído máximo entre as três enfermarias; (3) A Unidade de Cuidados Intensivos apresentou o nível médio de ruído mais elevado (64 dB), seguida pela enfermaria de Medicina Interna (60 dB) e por último, pela enfermaria de Cirúrgica (59 dB). (4) A enfermaria de Medicina Interna apresentou o maior nível de ruído noturno (101 dB) e a enfermaria de Cirurgia o menor (85 dB). Tendo em conta os resultados noutros estudos internacionais, verificamos que os níveis de ruído são também superiores aos recomendados pela OMS. Em cinco enfermarias cirúrgicas, em Inglaterra, os picos de ruído frequentemente ultrapassaram os 80 dB, em todas as enfermarias, durante o dia. Em duas Unidades de Cuidados Intensivos diferentes, no México, o ruído médio foi de 64,77 dB e 60,20 dB, e mais de 25% dos valores ultrapassaram as recomendações da OMS em até 20 dB. Noutra UCI, os níveis de ruido máximos durante a noite rondaram os 62,5 dB na Unidade e 52,2 dB dentro dos quartos dos pacientes. Os nossos resultados também estão de acordo com outro estudo, na Grécia, que comparou os níveis de ruído entre uma Unidade de Cuidados Intensivos e uma enfermaria de pneumologia. Ambos os departamentos relataram altos níveis de ruído ao longo do dia, sempre acima das recomendações da OMS, sendo a UCI a mais ruidosa, apresentando um ruido máximo de 60,42 dB. A enfermaria de Medicina Interna, na qual efetuámos as gravações, possuía mais pacientes, comparativamente com as outras enfermarias, principalmente idosos e doentes mais dependentes, bem como alguns com comprometimento cognitivo. Foram também admitidos pacientes durante a noite nesta enfermaria, assim como na Unidade de Cuidados Intensivos, o que também pode explicar o aumento dos níveis de ruído nestas enfermarias, comparativamente com a enfermaria de Cirurgia. A UCI apresentou a menor diferença entre a média de ruído durante a noite e o dia, provavelmente porque os pacientes desta enfermaria são mais instáveis e necessitam de mais cuidados durante as 24 horas. Já na enfermaria de Cirurgia não houve admissão de doentes durante a noite e os profissionais de saúde encontravam-se mais frequentemente nas suas respetivas salas com as portas fechadas, tornando o corredor mais silencioso. Os níveis de ruído em todas as enfermarias foram mais elevados durante o dia, provavelmente pela existência de mais atividade e de um maior número de profissionais a trabalhar durante este período. Apesar dos resultados interessantes do nosso estudo, este possui algumas limitações. Entre as quais estão o facto de o aparelho utilizado para registo do ruído não ser um sonógrafo, contudo a aplicação de smartphone utilizada é certificada, o que o torna o método simples e reprodutível noutros departamentos, em termos de exposição a ruido noutras enfermarias, como forma de medida da qualidade, por exemplo. Também seria interessante registar o ruído nas diferentes enfermarias após sensibilização dos profissionais e através de uma abordagem multimodal com os mesmos, para determinar em que magnitude o ruído detetado é modificável/mitigável e através de que tipo de estratégias. Em alguns hospitais, estratégias de redução de ruído, como coordenar a equipe para reduzir a entrada desnecessária nos quartos dos pacientes, fechar as portas dos quartos, minimizar os anúncios generalizados, conduzir seções de formação de estudantes de medicina e de enfermagem, bem como os momentos de passagem de turno fora dos quartos dos pacientes, levam à diminuição dos níveis de ruído e a uma melhoria geral relativamente à satisfação dos pacientes durante o internamento. Além disso, foi também demostrado que tais medidas permitiram um ambiente de trabalho menos stressante para os profissionais de saúde. Outra medida que também pode ser implementada com o intuito de diminuir o ruido nos quartos dos doentes, é a criação de uma central de alarmes longe da cabeceira dos doentes, por exemplo na sala de enfermagem. A disparidade entre o ruído registado nas diferentes enfermarias também pode ser explicada por fatores metodológicos. Por exemplo, o número e a duração das gravações, em particular durante a noite, na enfermaria de Medicina Interna foi muito superior ao número de gravações realizadas nas outras enfermarias, devido ao projeto a decorrer concomitantemente, relacionado com o ruido noturno e a privação de sono na mesma enfermaria; outra questão metodológica de relevo, que deve ser tida em conta, é a localização do dispositivo de registro de ruído nas enfermarias, pois nas enfermarias de medicina Interna e de Cirurgia o dispositivo foi colocado corredor principal das enfermarias, contudo, na Unidade de Cuidados intensivos, devido às características arquitetónicas da mesma, o local de gravação foi diferente, mais próximo do local de trabalho dos profissionais de saúde, sendo este o local inclusive da passagem de turno entre profissionais, o que pode ter levado a um viés de aumento do nível de ruído detetado neste local. Porém, na UCI, os pacientes são continuamente monitorizados, resultando num maior número de alarmes, o que poderia justificar também o ambiente mais ruidoso. Concluímos que, em Portugal, é necessária muito mais investigação neste domínio para sensibilizar os profissionais de saúde para os riscos que o ruído excessivo nas enfermarias representa para os doentes, em particular para os mais vulneráveis. Essa consciencialização deve, posteriormente, levar ao estabelecimento de protocolos e/ou padrões direcionados à redução dos níveis de ruído, melhorando assim a qualidade do internamento, aumentando a capacidade de recuperação dos pacientes, reduzindo complicações e criando um melhor ambiente de trabalho para os profissionais.pt_PT
dc.description.abstractBackground: The patient’s exposure to noise in hospitals frequently exceeds the World Health Organization (WHO) recommendations (≤ 30 dB). Noise can lead to health issues, particularly in vulnerable patients. We intend to quantify and compare the noise level throughout the day and night in different wards of the same hospital. Methods: Prospective observational study conducted in an acute internal medicine ward, a surgical ward, and an intensive care unit. The noise was recorded on random days and nights in the different wards. Data was gathered on average (LAeq), minimal (LAmin), and maximum (LAmax) noise. A descriptive analysis of the data was made using STATA13.0. Results: Noise levels detected in the three wards are significantly higher than those recommended by the WHO, both during the day and at night. During the day, there were no significant differences between the three wards in terms of maximum noise. The average noise level was higher in the ICU (64 dB), followed by the acute internal medicine ward (60 dB), and the surgical ward (59 dB). The maximum nighttime noise was higher in the acute internal medicine ward (101 dB) and lower in the surgical ward (85 dB). Conclusion: All three wards analyzed presented high noise levels during the day and night. Awareness of this problem and its consequences for hospitalized patients and healthcare professionals could be the first step to promote strategies to reduce noise levels in hospital environment.pt_PT
dc.identifier.tid203404688pt_PT
dc.identifier.urihttp://hdl.handle.net/10451/64721
dc.language.isoengpt_PT
dc.subjectRuídopt_PT
dc.subjectMedição de ruídopt_PT
dc.subjectHospitaispt_PT
dc.subjectQuartos de pacientespt_PT
dc.titleNoise level comparison between a medical, a surgical, and an intensive care unit ward : prospective studypt_PT
dc.typemaster thesis
dspace.entity.typePublication
rcaap.rightsembargoedAccesspt_PT
rcaap.typemasterThesispt_PT
thesis.degree.nameMestrado Integrado em Medicinapt_PT

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