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Spatiotemporal dynamics of sessile hemocyte numbers and the role of cell cluster architecture in transdifferentiation

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Resumo(s)

Os invertebrados dependem da ação de imunidade inata para se protegerem de infeções. Em Drosophila melanogaster, um invertebrado modelo, a imunidade inata conta com diversas estratégias, entre as quais está a imunidade celular, mediada por hemócitos. Os hemócitos são as células do sangue de invertebrados e em D. melanogaster, existem três tipos principais de hemócitos: plasmócitos, células cristal e lamelócitos. Em larvas, os plasmatócitos são o tipo celular mais numeroso (compondo cerca de 90-95% dos hemócitos) e estão principalmente associados à fagocitose de agentes patogénicos e destroços celulares; células cristal (em condições homeostáticas compõem tipicamente os restantes 5-10% dos hemócitos) participam na reação de melanização, que leva à formação de coágulos de melanina de forma a selar feridas; por último, os lamelócitos são um tipo celular até agora apenas encontrado em resposta a infeções de vespas parasitoides, encapsulando os ovos inseridos no corpo da larva. Destes três tipos, apenas plasmatócitos mantêm a capacidade de autorrenovação num estado diferenciado, sendo os dois outros tipos de hemócitos tipos celulares pós-mitóticos. Como nos vertebrados, a hematopoiese em D. melanogaster acontece em duas fases temporalmente distintas. A primeira, a hematopoiese embrionária, resulta na diferenciação de cerca de 700 plasmatócitos e 30 células cristal da mesoderme da cabeça da blastoderme. A segunda, chamada hematopoiese larvar, resulta da atividade da glândula linfática, um dos órgãos hematopoiéticos ativos até à entrada no estádio de pupa. Na fase larvar, os hemócitos originados por hematopoiese embrionária persistem e encontramse em circulação na hemolinfa, e também no compartimento séssil, que é um tecido hematopoiético resultante da colonização por hemócitos de espaços localizados debaixo da cutícula dorsal de cada segmento. Hemócitos mobilizam-se para este compartimento devido à segregação por neurónios do sistema nervoso periférico da larva de sinais atrativos e aglomeram-se em grupos de células contactantes. Tanto plasmatócitos como células cristal estão presentes nos compartimentos sésseis, e podem alternar entre um estado séssil e de circulação. Dentro dos compartimentos sésseis, plasmatócitos proliferam a uma taxa mais elevada do que em circulação e também podem originar células cristal por um processo de transdiferenciação. Presumivelmente, devido a estes processos de transdiferenciação e proliferação, o número de plasmatócitos e células cristal expande durante o desenvolvimento larvar. A diferenciação de progenitores para células cristal está associada à ativação de sinalização Notch. Da mesma forma, a transdiferenciação de plasmatócitos no compartimento séssil é mediada pela ativação de recetores Notch pelo ligando Serrate, ambos presentes em plasmatócitos sésseis. O contacto celular é, então, imprescindível para o processo de transdiferenciação, porque as proteínas Notch e Serrate se localizam na membrana celular. De facto, estudos anteriores comprovam que a disrupção da aglomeração de células neste tecido compromete a transdiferenciação, e que a probabilidade de transdiferenciação está linear e positivamente correlacionada com o número de células contactantes. As dinâmicas das populações de hemócitos, ou seja, a maneira como o número de hemócitos muda ao longo do tempo, não está bem caracterizada ao longo de pequenas resoluções temporais. Da mesma forma, a arquitetura dos aglomerados de células, a maneira como as células se organizam espacialmente, é uma das reguladoras do processo de transdiferenciação devido à sua importância para a ocorrência do contacto celular, mas os parâmetros específicos responsáveis por esta regulação ainda são desconhecidos. Para este efeito seguimos a população séssil em larvas durante as primeiras 24 horas do terceiro estádio. Registámos e contabilizámos o número de plasmatócitos e células cristal nos segmentos A1 a A7. Às centenas de imagens recolhidas, aplicámos um algoritmo de aglomeração para automaticamente identificar grupos de células contactantes, e analisámos o do número médio de contactos, ou o número de contactos por célula, na composição celular dos grupos. Os nossos resultados sugerem que o tamanho da população de plasmatócitos, se mantém estável durante as primeiras 24 horas do terceiro estádio. O número de células cristal aumentou em todos os segmentos, o que face aos números estáticos de plasmatócitos levou a um aumento da proporção de células cristal na maioria dos segmentos. Por outro lado, da mesma maneira como o número de células contactantes está positivamente correlacionado com a probabilidade de um plasmatócito ter transdiferenciado, o número médio de contactos celulares num grupo de células mostrou-se positivamente correlacionado com a proporção de células cristal. O número médio de contactos celulares é em si explicado pela forma como as células se aglomeram, sendo formas circulares promotoras de um maior número de contactos celulares, e pelo número de hemócitos que compõem o conjunto. Adicionalmente, o tamanho do conjunto também influencia a sua forma, sendo conjuntos maiores, mais circulares. Os nossos resultados contribuem para um melhor entendimento do funcionamento da hematopoiese no compartimento séssil, no entanto, estudos adicionais com uma melhor resolução temporal são necessários para melhor compreender a ligação entre as dinâmicas das populações sésseis e a regulação da transdiferenciação mediada por contacto celular.
In Drosophila melanogaster, cellular immunity is mediated by hemocytes, which include plasmatocytes, crystal cells, and lamellocytes. These cells are distributed across three compartments: the lymph gland, circulation, and the sessile compartment. The latter consists of segmentally repeating aggregates of plasmatocytes and crystal cells beneath the dorsal cuticle, where plasmatocytes can proliferate, transdifferentiate into crystal cells, or exchange with circulating hemocytes. Crystal cell transdifferentiation is regulated by Notch-Serrate signaling, wherein Serrateexpressing plasmatocytes activate the Notch receptor in other neighboring plasmatocytes. Prior research has demonstrated that the probability of plasmatocyte transdifferentiation correlates with the number of cell-cell contacts and that cluster architecture is essential for this process. In this study, we track sessile hemocyte population dynamics in abdominal segments A1–A7 over the first 24 hours of third-instar development. While the overall plasmatocyte population remains stable, crystal cell numbers increase. Which results in an increase in crystal cell proportions. Individual segments tend to follow the same trends albeit with some exceptions. We then investigate the structural determinants of transdifferentiation by analyzing the relationship between the average number of cell contacts and the proportion of crystal cells within clusters, and between the number of cell contacts and the probability of an individual cell had transdifferentiated. We find that clusters with a high average number of cell contacts exhibit higher proportions of crystal cells. The average number of cell contacts is, in turn, influenced by cluster shape and size, with more circular clusters and larger aggregates displaying an increased average number of cell contacts. As previously reported in literature, the probability that a cell had transdifferentiated increased with the number of neighbors. Our findings provide insights into the structural regulation of transdifferentiation and the dynamics of sessile hemocyte populations contributing to a deeper understanding of hematopoiesis during this developmental stage.

Descrição

Tese de Mestrado, Biologia Evolutiva e do Desenvolvimento, 2025, Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências

Palavras-chave

Hematopoiese Transdiferenciação Drosophila melanogaster Sinalização Notch Hemócitos Teses de mestrado - 2025

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