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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
A escrita, sendo uma das mais antigas e complexas actividades humanas
(Flow er e Hayes, 1981), tem sido ao longo do tempo, estudada sob múltiplos pontos
de vista. Neste trabalho, analisa-se na perspectiva da Psicologia Cognitiva e
Educacional, a escrita produzida em contexto académico, após o período de aquisição
inicial. Tendo como ponto de partida a investigação psicológica sobre os processos
subjacentes à escrita (modelos cognitivos da composição), referem -se relações entre
pensamento, aprendizagem e composição escrita.
Alguns estudos indicam que 40 a 50% do tempo passado na escola é ocupado
com tarefas de escrita (e.g. Applebee, 1982). Trata-se de aprender a escrever mas,
sobretudo, de usar a escrita com o meio auxiliar no processo de aprendizagem (tomar
notas para não esquecer, resumir, esquematizar, responder a questões, resolver
exercícios, etc.). Muitas vezes a própria avaliação é feita na base de trabalhos e
exercícios escritos - através daquilo que o aluno escreve, o professor procura
determinar o que ele aprendeu, a sua capacidade de análise, de crítica, de.
criatividade...
No entanto, professores de todas as disciplinas e de todos os níveis de ensino,
referem com frequência problemas de Composição nos seus alunos. Fala-se por vezes
de uma "crise de escrita": grande parte da população escolar parece não escrever com
a fluência, clareza e correcção que seriam desejáveis. Pais e professores, queixam-se
de que muitos alunos revelam problemas de escrita, não gostam de escrever, não
sabem escrever. E que muitas vezes isso os prejudica, quer durante a fase de
aprendizagem , quer durante as avaliações.
Além disso, esquece-se muitas vezes que a escrita pode ser algo mais: escrever
pode também ajudar a pensar, a relacionar e a descobrir ideias que não tinham
ocorrido antes de começar a construir o texto (e.g. Odell, 1980). Pode facilitar o conhecimento sobre si próprio (por exemplo, na forma de um diário) e estimular o
desenvolvimento intelectual (e.g. Applebee, 1984; Scardamalia, 1981).
Em tempo de Reforma do Sistema Educativo parece importante procurar e
desenvolver estratégias de intervenção psico-educacional, que se fundamentem nos
dados de investigação psicológica que actualmente possuímos, com o objectivo de
prevenir e ajudar a superar estas dificuldades na aprendizagem . No entanto, os
estudos nesta área de investigação são praticamente inexistentes em Portugal. De uma
forma objectiva, sabemos actualmente muito pouco sobre os problemas de Composição
existentes ao nível académico e, sobretudo, ao nível do Ensino Secundário.
Este estudo concentra-se nos processos de revisão do texto escrito. Visa uma
caracterização dos comportamentos de revisão de alunos do 7º ano de escolaridade
(1º ano do 3º ciclo) e propõe algumas formas de intervenção psicopedagógica
sugeridas pela investigação actual. Mais precisamente:
* Recolhem-se elementos para a caracterização dos processos de revisão em
adolescentes, pela análise de uma amostra de textos produzidos no contexto da sala de
aula. As tarefas de escrita propostas têm como objectivo uma manipulação controlada
de factores e condições de produção, tendo em vista a preparação de estratégias
educativas mais favoráveis.
* Estuda-se a eficácia de diferentes formas de intervenção educacional: (1)
incentivos pelo professor para a auto-avaliação e correcção de textos pessoais e (2)
programas complementares para o desenvolvimento de estratégias de revisão da
escrita. Neste último caso, experimenta-se a aplicação de duas metodologias
diferentes: (a) interacção grupal e ensino recíproco; e (b) treino de auto-instrução
para a autoregulação dos processos de revisão.
Neste primeiro ponto do trabalho, analisam-se algumas das razões que
justificam o estudo dos processos de revisão, refere-se o modo como o conceito de
revisão evoluiu na última década, e descrevem-se alguns dos modelos mais recentes.
São estudadas as relações entre revisão e compreensão do texto e apontados alguns dos problemas mais frequentes na revisão de textos pessoais, comparando estratégias e
concepções que distinguem principiantes e escritores experientes. Enumeram-se de
forma sucinta, métodos de avaliação e investigação nesta área. Caracterizam-se
procedimentos de treino e instrução em contexto académico. Tenta-se, por fim, uma
reflexão sobre a necessidade e vantagens de uma intervenção no domínio da revisão
e da escrita, para o desenvolvimento da motivação para escrever, para a prevenção de
dificuldades de aprendizagem. (...)
Descrição
Tese de mestrado em Ciências da Educação (Psicologia da Educação), apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 1992
Palavras-chave
Teses de mestrado - 1992 Processos cognitivos Composição escrita Estratégias de aprendizagem
