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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
O problema da indisciplina é um daqueles sobre os quais toda a gente tem opinião
- professores, pais, alunos e público em geral.
Todos eles, na realidade, se encontram vivencialmente implicados no fenómeno:
os professores, porque a cada passo têm de enfrentar o problema na sala de aula; os
pais porque, de certo modo, se julgam postos em cheque co m um acto indisciplinado
dos seus filhos, ou porque temem as más influencias se os virem colocados numa turma
considerada indisciplinada; os alunos, porque são os principais protagonistas desse s
- actos; e o público em geral porque vai recebendo uma informação, muitas vezes
distorcida, do que se passa no interior das escolas.
Apesar disso, o problema da indisciplina tem merecido pouca atenção dos
investigadores das Ciências da Educação; entre nós, conhecemos apenas uma tese de
Doutoramento e uma tese de Mestrado,o que dá bem a ideia de quanto há a fazer para
que o fenómeno possa ser, ao menos, entendido e explicado com rigor. É todo um
trabalho que tem de ser feito olhando, sobretudo, para o que se passa no interior da sala
de aula onde um adulto - o professor - possui a "responsabilidade institucional" de
transmitir saberes e de criar condições para essa transmissão a um grupo - os alunos -,
e onde uma tal organização cria relações e comportamentos específicos e exige um
enquadramento institucional próprio. Trabalho que não pode deixar de ser,
inicialmente, de carácter descritivo-interpretativo, pondo de lado grandes voos de
natureza teórica, e donde se possam extrair as grandes categorias dos comportamentos
considerados indisciplinados, as situações (ou, ao menos, alguns dos seus elementos )
donde decorrem tais actos, as principais respostas dos professores e a sua eficácia, os
critérios e objectivos que entraram em jogo em tais respostas, etc.
Não se trata de um trabalho fácil, até porque contraria uma tradicional reserva
dos professores ao franquear das portas da sua aula. Um problema que só será
ultrapassado quando o professor sentir a necessidade de possui r uma consciência crítica
de si em acção — o que passa pela exigência de uma formação profissional adequada O
presente trabalho é já um indício de que essa abertura começa a dar-se, pois, em boa
medida, deve-se à cooperação dos professores de uma escola que me possibilitaram a
analise das suas "participações disciplinares", e se dispuseram, desse modo, a reflectir
sobre um aspecto extremamente importante da sua vida profissional.
Esperamos que o trabalho ora apresentado seja um instrumento útil dessa
reflexão, sobretudo na medida em que com ele, os comportamentos desviantes possam
ser perspectivados nas situações vividas pelo grupo-turma e sejam retiradas as devidas
consequências no sentido de uma compreensão mais rigorosa do que se passa na sala de
aula.
A nossa preocupação não é, pois, a de procurar remédios e panaceias para um
fenómeno que causa, de certo, problemas a alguns professores ; pomo-nos, pelo
contrário, numa posição muito mais modesta, mas talvez neste momento muito mais
urgente, a fim de levar por diante a criação de uma "Ciência da Educação", e que é a da
observação e descrição científica da realidade pedagógica.
Descrição
Tese de Mestrado em Ciências da Educação (Análise e Organização do Ensino) apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 1989
Palavras-chave
Teses de mestrado - 1989 Processo educativo Indisciplina escolar Ensino secundário
