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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Que são as ciências da educação?
Uma longa controvérsia tem permitido colocar, de um lado,
aqueles para quem há uma única ciência da educação: a pedagogia;
do outro, aqueles para quem três áreas no mínimo se encontram
intimamente envolvidas no acto pedagógico: a pedagogia, a psicologia
e a sociologia, levando à constituição de uma rede de
subdisciplinas e saberes. Para os primeiros só importa o que se
passa no interior da sala de aula; para os segundos a sala de
aula é apenas o acto cénico por detrás do qual se esconde o
universo multitudinário do coliseu romano.
Tal indefinição resulta do carácter subdesenvolvimentista
das ciências sociais em geral e das ciências da educação em especial
(se é que se pode falar de ciências, no plural, e não apenas
de ciência da educação, no singular).
O presente trabalho desenvolve os seus percursos no domínio
da sociologia da educação. Face ao referido debate devemos perguntar:
em que geografia nos encontramos? Ciências da educação ou
sociologia?
Pelo que se disse, não há uma resposta líquida. E a controvérsia
encontra-se longe de estar concluída.
Esta é a primeira questão que queríamos aqui deixar. A
segunda refere-se ao problema da ciência. Longos anos de estudo e
de ensino dos debates no interior da epistemologia conduziram-nos
à garantia de que os territórios da ciência e da epistemologia se
entrelaçam de tal modo que se torna possível dizer que se fundem
no contexto da investigação.
A ciência é um processo subordinado a um discurso lógico que se desenvolve através dos séculos e das gerações, cuja dinâmica
não pode atribuir-se exclusivamente ao sujeito que procura
conhecer o mundo mas aos próprios resultados por ele obtidos.
Compreendemos hoje que as descobertas não podem ser entendidas em
todo o seu valor se não as enquadrarmos na história das investigações
que a elas conduziram e lhes deram origem.
A ciência conhece efectivamente a realidade mas conhece-a de
modo aproximado, não absoluto, o que quer dizer que o conhecimento
fornecido por ela não "esgota" o objecto a que se dedica.
E não o esgota por dois motivos: em primeiro lugar, porque o
objecto nos apresenta sempre novos dados independentes de nós, os
quais devemos ter em linha de conta ao construirmos uma
representação satisfatória da realidade; em segundo lugar, porque
cada investigação, cada nova explicitação do real está permanentemente
sujeita a ser aprofundada. Pode concluir-se daqui que
a dinâmica do conhecimento científico se manifesta ao longo de
duas directrizes: a da aquisição permanente de novos dados
(obtidos por técnicas de observação cada vez mais complexas e
refinadas) e a do aprofundamento dos resultados anteriormente
obtidos, aprofundamento que é essencialmente o fruto de uma
elaboração teórica, de uma ampliação da perspectiva, de um novo
enquadramento dos velhos conceitos, da clarificação de ligações
previamente ignoradas ou apenas pressentidas. É este o motivo por que o filósofo não pode hoje deixar de
colocar a ciência no centro das suas análises e reflexões
críticas. (...)
Descrição
Tese de mestrado em Ciências da Educação, apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 1990
Palavras-chave
Teses de mestrado - 1990 Processos e estruturas educativas Sistemas educativos Relações professor-aluno
