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Conditional activation of associative semantic structures:forming and transmitting impressions of personality

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Resumo(s)

In the presented line of research we intended to systematically study the importance of memory to the formation and transmission of impressions of personality. We consider that impressions of personality are grounded in associative structures (e.g., Asch, 1946), which should be prone to similar memory distortions that other associative memory structures are (e.g., Roediger& McDermott, 1995). These distortions, which are a performance cost of flexible structures that allow us to adapt to the world (e.g., Howe, 2011), should also influence the transmission of information. More specifically, when information is retrieved from memory and transmitted serially between people, the information should be progressively changed by individual memory distortions, which must reflect previous representations of the transmitted concepts (Bartlett, 1932). In a set of five studies we investigated the susceptibility of the associative structure underlying impression formation to memory biases, using an adaptation of the DRM paradigm (Roediger& McDermott, 1995); the organization of personality traits in memory and the classic impression formation effects of centrality and primacy; and the pattern of distortions implied in serial transmission of personality traits. Our results pointed that a paradigm typically used to study memory can be adapted to study impression formation and that the beliefs that people hold about others’ personalities can be represented by an associative memory structure that is susceptible to memory distortions. Also, the organization of personality traits in memory seems to be responsible for classic impression formation effects, such as the centrality and primacy effects. Interestingly, by showing that some of these effects only occur when the impression formation goal is active, we obtained evidence for the conditional nature of the activation of the memory structure implied in impression formation. Moreover, we verified that serial transmission of information leads to systematic and predictable changes, with both information loss and intrusions.
Sempre que alguém nos é apresentado ou descrito, formamos uma impressão sobre a sua personalidade. Este processo deverá ocorrer mesmo que a informação inicial seja escassa e levar a uma impressão unificada do alvo em causa (Asch, 1946). Mas, qual a relação entre as impressões formadas e a representação prévia dos traços de personalidade em memória? Esta relação tem sido pouco explorada e, no presente trabalho, sugerimos que a informação sobre traços de personalidade está armazenada em memória numa estrutura associativa que, tal como outras estruturas associativas de memória, como a memória semântica, está sujeita a enviesamentos e erros de memória (e.g., Deese, 1959; Roediger&McDermott, 1995). A ideia que os traços de personalidade estão associados entre si numa representação que reflecte as crenças partilhadas sobre que traços de personalidade normalmente co-ocorrem foi denominada “teoria implícita da personalidade” (Bruner &Tagiuri, 1954). A representação da teoria implícita da personalidade como uma estrutura bidimensional, composta por quatro quadrantes que resultam do cruzamento de duas dimensões – intelectual e social – com dois pólos avaliativos – positivo e negativo – foi depois proposta por Rosenberg, Nelson, e Vivekananthan (1968). Partindo desta ideia que a teoria implícita da personalidade é uma estrutura de memória associativa sujeita aos mesmos enviesamentos de memória que outras estruturas de memória associativa, propomos estudar os efeitos clássicos de formação de impressões, como os efeitos de centralidade e primazia, adaptando um paradigma habitualmente utilizado para estudar falsas memórias semânticas, o DRM (Deese, 1959; Roediger&McDermott, 1995). Para tal, desenvolvemos um conjunto de três estudos, nos quais se pretendeu explorar a susceptibilidade da teoria implícita da personalidade a falsas memórias e a tradução do efeito de primazia e do efeito de centralidade em falsas memórias. Como referido, usou-se uma adaptação do DRM. No DRM clássico, apresenta-se uma lista de palavras semanticamente associadas a uma determinada palavra que nunca é apresentada – o item crítico – e verifica-se que, em testes de recordação livre ou reconhecimento, o item critico é tão falsamente recordado quanto os items apresentados são veridicamente recordados. Uma das explicações para este efeito prende-se com a dispersão automática da activação através das associações entre os items apresentados e que deverá convergir para o item crítico, activando-o de modo a ser incorrectamente julgado como tendo sido apresentado. Posto isto, e se a teoria implícita da personalidade pode ser representada através de uma estrutura associativa de traços de personalidade, efeitos semelhantes deverão ser obtidos quando traços de personalidade são apresentados. Porém, a activação da teoria implícita da personalidade poderá ser condicional ao objectivo de formação de impressões de personalidade, levando a que os efeitos sugeridos ocorram apenas quando este objectivo de processamento está activo. Assim, ao longo dos vários estudos que apresentamos, manipulamos sempre o objectivo de processamento, dando aos participantes instruções de simples memorização ou de formação de impressões, pondo a hipótese de que os efeitos de falsas memórias expectáveis dada a configuração da teoria implícita da personalidade ocorreriam apenas quando o objectivo de formar impressões de personalidade fosse activado. Para tal, num primeiro estudo apresentamos traços de personalidade de um determinado quadrante e medimos, num teste de reconhecimento, o números de falsos alarmes quanto a traços desse quadrante por comparação ao número de falsos alarmes a traços de personalidade dos outros quadrantes. Verificou-se que os traços de personalidade do quadrante da lista apresentada eram mais falsamente reconhecidos do que os traços de personalidade de outros quadrantes, sendo, tal com previsto, esta diferença maior para participantes instruídos a formar impressões de personalidade. É de referir que não se encontraram diferenças entre participantes instruídos a memorizar a informação e participantes instruídos a formarem uma impressão de personalidade quanto à memória verídica para os traços apresentados. Num teste inclusivo subsequente, no qual os participantes eram instruídos a aceitar não só os traços apresentados mas também aqueles que partilhavam características com os traços apresentados, obteve-se o mesmo padrão de resultados. Os resultados obtidos sugerem então que é possível estudar falsas memórias de personalidade recorrendo a esta adaptação do DRM e que a activação da teoria implícita da personalidade é condicional à activação do objectivo de formação de impressões de personalidade. O padrão semelhante de resultados no teste de reconhecimento e no teste inclusivo sugerem que as diferenças entre as condições de formação de impressões e memória se devem a tipos de processamento distintos, com os participantes instruídos a memorizar a lista a revelarem um défice de processamento relacional não evidenciado pelos participantes instruídos a formar impressões de personalidade. No estudo seguinte procuramos encontrar um efeito de centralidade (Asch, 1946) em falsas memórias de personalidade, introduzindo apenas um traço considerado central dada a sua localização na representação bidimensional da teoria implícita da personalidade (Rosenberget al., 1968) numa lista composta por traços de um quadrante da dimensão oposta. Neste caso, medimos a diferença entre falsos alarmes da dimensão e valência do traço central e traços da mesma dimensão mas valência oposta. A existir, o efeito de centralidade revelar-se-ia num maior nível de falsas memórias relativas a traços que partilhassem tanto a dimensão como a valência com o traço central. Foi precisamente este resultado que obtivemos, mas apenas quando os participantes eram instruídos a formar impressões de personalidade e eram testados num teste inclusivo ou num teste de reconhecimento com pressão temporal. Deste modo, o efeito de centralidade parece ocorrer desde que a monitorização seja suprimida, dado que a centralidade dos traços parece conferir-lhes uma distintividade que facilita o processo de monitorização e a rejeição de traços associados ao traço central (e.g. Gallo, 2004). É de salientar que este efeito é especialmente inovador, dado que se obtiveram falsas memórias de vários traços de personalidade com a apresentação de apenas um traço de personalidade, o que não pode ser explicado pela teoria habitual de dispersão de activação, e que terá de ser explicado por um processo de divergência associativa ou processamento temático (e.g., Reyna&Brainerd, 1995). Num terceiro estudo, explorou-se um paralelo do efeito de primazia (Asch, 1946) em falsas memórias de personalidade. Seguindo o procedimento das experiências anteriores, manipulou-se agora a constituição da primeira e da segunda parte das listas apresentadas. No caso de uma das experiências, verificou-se que quando as listas eram compostas por traços da mesma dimensão mas a primeira parte era constituída por uma maioria de traços positivos em relação a traços negativos, os falsos alarmes relativos a traços da valência maioritariamente representada na primeira parte da lista eram mais frequentes do que os falsos alarmes relativos a traços da valência maioritariamente representada na segunda parte da lista. Isto poderá ser considerado um efeito de primazia mas, dado que o mesmo não acontece quando os traços maioritariamente representados na primeira parte da lista são negativos, parece-nos mais estarmos na presença de um efeito de positividade do que de um efeito de primazia. Numa outra experiência, na qual se manipulou a valência e a dimensão da primeira e da segunda parte da lista apresentada, verificou-se a ocorrência de um efeito de positividade semelhante, indicando que este parece ocorrer entre dimensões, o que apoia uma teoria de consistência avaliativa (e.g., Brown, 1986) apenas quando esta consistência ocorre no sentido da positividade. Em ambas as experiências, os referidos efeitos ocorrem apenas quando os participantes formavam impressões de personalidade. Assim, os resultados destes três estudos apontam para a existência de uma representação de traços de personalidade numa estrutura associativa cujas propriedades influenciam as impressões feitas e levam à existência de efeitos de primazia e centralidade que se reflectem em falsas memórias. Apesar de ser uma estrutura de memória associativa altamente flexível que partilha com outras estruturas de memória associativa, como a memória semântica, a mesma tendência a originar enviesamentos, a teoria implícita da personalidade parece ter a característica especial de ser activada apenas quando o objectivo de processamento activo é o de formação de impressões de personalidade. Por fim, apresentamos ainda dois estudos nos quais se explorou a transmissão serial de traços de personalidade, sob instruções de memorização ou de formação de impressões. Nestes estudos, os participantes eram divididos em grupos de quatro, constituindo uma cadeia de reprodução serial, sendo que o primeiro elo da cadeia recebia a lista original de traços de personalidade e era-lhe pedido que a recordasse, e o produto da sua recordação livre era então usado como lista de estudo para o segundo elo, cujo produto de recordação livre era depois usado como lista de estudo para o terceiro elo, e assim sucessivamente. Cada elo era também instruído a recordar repetidamente a mesma lista, por quatro vezes. Assim, comparamos a acumulação de alterações individuais com a acumulação de alterações colectivas, verificando que a reprodução serial levava a mais erros de omissão de traços e de intrusões de traços relacionados, mas que reflectiam os padrões individuais de alteração. As correlações entre a localização dos traços na teoria implícita da personalidade e os seus índices de sobrevivência nas cadeias de reprodução serial e de reprodução repetida também foram calculadas. Em suma, os resultados obtidos nos cinco estudos apresentados apontam para a possibilidade de estudar processo de formação de impressões de personalidade recorrendo a um paradigma habitualmente usado no estudo de falsas memorias semânticas; e apoiam a ideia que a teoria implícita da personalidade funciona como uma estrutura de memória associativa, sujeita a enviesamentos individuais e colectivos tal como outras estruturas de memória associativa, mas com a característica especial de ser activada condicionalmente à activação de um objectivo de processamento relevante, como o objectivo de formação de impressões de personalidade.

Descrição

Tese de doutoramento, Psicologia (Cognição Social), Universidade de Lisboa, Faculdade de Psicologia, 2012

Palavras-chave

Teses de doutoramento - 2012

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