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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
O Zé Analfabeto no cinema encerra o resultado da investigação sobre dois
mundos que se cruzaram nos anos 50 em Portugal: o analfabetismo e o cinema
educativo.
Em 1952, por decreto-lei, nascia o Plano de Educação Popular que
englobava a Campanha Nacional de Educação de Adultos (CNEA). Esta seria
encarada como um projecto sério de combate a uma das mais altas taxas de
analfabetismo da Europa e o cinema emergia como um dos instrumentos de
propaganda a esse combate e simultaneamente como um recurso para a educação
popular. A sétima arte ao serviço da educação e mais concretamente de um
programa de alfabetização de adultos foi um acontecimento inédito em Portugal,
assim como original e inovadora foi a Campanha que procurou romper com um
certo corpus mental construído à volta do analfabeto.
E portanto do cruzamento destes dois eixos que pretendemos investigar a
política de educação nacional do Estado Novo no combate ao analfabetismo
através das imagens produzidas no cinema. Este aparece-nos então como um produto que serve um objectivo, uma política, uma ideologia. (...)
O trabalho encontra-se divido em duas partes que se interpenetram e se
complementam.
Na primeira parte o discurso centra-se na Campanha Nacional de
Educação de Adultos. O primeiro capítulo, de enquadramento da Campanha,
reporta-se à análise diacrónica das concepções legislativas sobre educação de adultos, desde a Monarquia Liberal até ao encerramento da CNEA, procurando-se
contextualizar sumariamente o Plano de Educação Popular.
O segundo capítulo procura averiguar a verticalidade do sistema
administrativo representado através das Comissões, criadas para o efeito, e os
mecanismos financeiros disponíveis.
A Alfabetização da Campanha é consagrada à mobilização do conceito
operatório de alfabetização criado pela CNEA, aos valores veiculados por esta e
às transformações que se procuravam empreender na bagagem pedagógico-científica
dos agentes de ensino.
Em Uma Campanha em Marcha são percorridos os recursos criados para
as duas fases da Campanha (propaganda e educação).
O capítulo quinto contém uma parte prática referente ao levantamento
antropo-sociológico de uma franja do universo dos actores anónimos da CNEA,
os analfabetos e os alfabetizadores.
Não procuraremos averiguar a eficácia da CNEA, pois embora a estatística
aponte para uma descida abrupta da taxa de analfabetismo, podemos questionarnos
sobre que tipo de alfabetização foi empreendido? O que ficavam realmente a
saber os adolescentes e os adultos após a aprovação nos exames de ensino
primário elementar? Responder a estas questões iria remeter-nos para o caminho
espinhoso da reconstrução oral das histórias de vida de indivíduos que hoje terão,
no mínimo, 56 anos (tomando por base que teriam 14 anos no último ano da
Campanha). Conscientes que com tal empreendimento gastaríamos tempo e
energia, para além de não ser um assunto fulcral na investigação, optámos por
recorrer basicamente à informação dita oficial.
A segunda parte é dedicada ao cinema educativo. A longa narrativa da
parte anterior será, em certa medida, ilustrada pela semiótica desta última,
procurando-se detectar o alcance do cinema na operacionalização e prossecução
da Campanha. (...)
Descrição
Tese de mestrado em História da Educação (Educação Comparada), apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 1998
Palavras-chave
Educação - História Educação de adultos Administração escolar Alfabetização Cinema educativo Teses de mestrado - 1998
