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Orientador(es)
Resumo(s)
Professionals in HEED (Healthcare, Early Education and Domestic) occupations are perceived as
less competent, albeit warmer than those in STEM (Science, Technology, Engineering and
Mathematics) and are socially devalued, receiving lower wages and levels of perceived prestige.
Past attempts explained this phenomena through HEED’s and STEM’s associations to
feminine/masculine gender roles and communal/agentic values. Additionally, we propose that
the HEED professionals’ perceived competence is influenced by the perceived competence of the
vulnerable social groups (i.e., social groups with perceived low competence, such as people with
disabilities, children, or older adults they contact with. In Study 1, participants (N = 64) wrote
three words they associated with HEED, STEM, or filler occupations. As predicted, HEED
occupations elicited more associations with social groups than STEM or filler occupations. In
Study 2, participants (N = 144) rated a social group on several attributes. The group either
contained a direct manipulation relating to competence (i.e., children with intellectual disabilities
vs. intellectually gifted) or an indirect manipulation (i.e., elderly living in a high-class vs. lowclass home). The manipulations worked as intended. Study 3a (N = 54) and Study 3b (N = 59)
tested the effect of the manipulations on the perceptions of HEED professionals with whom the
groups were associated. Participants saw a CV and responded to several measures regarding the
professional (e.g., a preschool teacher) who supposedly worked with one of the pretested social
groups. Findings were mixed: Study 3a direct manipulation led to higher perceived competence
of the preschool teacher working with the gifted children, but Study 3b indirect manipulation did
not impact perceived competence of the care aide working with elders in the high-class home. I
conclude by addressing limitations of the studies, discussing theoretical and practical
implications of the findings, and proposing an alternative explanation in a follow-up study.
Profissionais que trabalham em ocupações da área HEED (Saúde, Educação Primária e Trabalhos Domésticos) são percecionados como menos competentes, apesar de mais calorosos, do que profissionais que trabalham em ocupações STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Socialmente, os profissionais HEED são desvalorizados, quando comparados a profissionais STEM. Mesmo quando as profissões de ambas as áreas requerem os mesmos anos de formação, os profissionais HEED recebem salários mais baixos e é-lhes atribuído menos prestígio, quando comparados com profissionais STEM. Até à data, a investigação que visa compreender este fenómeno propôs diferentes mecanismos explicativos. Primeiramente, estas explicações passam por identificar a associação destas ocupações aos dois papeis de género. As profissões HEED são associadas ao papel de género feminino, enquanto as profissões STEM são associadas ao papel de género masculino. Estes papeis são construídos através da associação de grupos específicos (e.g., mulheres) às atividades que usualmente realizam (e.g., trabalho doméstico). Tais tarefas requerem que os agentes detenham certos atributos para que as desempenhem corretamente (e.g., paciência). Consequentemente, o grupo que é comumente associado a tais tarefas é visto como detendo os atributos necessários para realizar tais tarefas adequadamente. Adicionalmente, as profissões HEED são orientadas para a prestação de cuidados a outros, algo tipicamente feminino, enquanto que as profissões STEM se focam no desenvolvimento de produtos, algo tipicamente masculino. Dada a maior valorização e a atribuição de maior estatuto a atributos (e.g., competência) e atividades estereotipicamente masculinas (e.g., ocupações STEM), comparativamente a atributos (e.g., amabilidade) e atividades estereotipicamente femininas, as profissões HEED, que são tradicionalmente femininas, são socialmente desvalorizadas. Com este projeto de investigação pretendemos complementar a literatura sobre a desvalorização social das profissões HEED, explorando uma hipótese alternativa. A nossa hipótese centra-se na interdependência existente entre profissões HEED e os grupos sociais vulneráveis a quem prestam cuidados. Estes grupos são estereotipicamente percebidos como sendo pouco competentes, mas calorosos, evocando simpatia e pena pela sua inabilidade de controlar consequências negativas. Consequentemente, estes grupos são percecionados como requerendo ajuda de outrem. As profissões HEED (e.g., auxiliar geriátrica) existem na medida em que satisfazem esta necessidade (e.g., não existiriam auxiliares de geriatria se não houvesse idosos a precisar de assistência). Nesse sentido, propomos que esta interdependência pode permitir a ocorrência de um processo associativo, através do qual as perceções dos profissionais são “tingidas” pelos atributos dos grupos com quem trabalham. Ao estarem associados a grupos de baixa competência, os profissionais serão percebidos como menos competentes do que outros profissionais que estejam associados a grupos de alta competência percebida. No Estudo 1, explorámos a existência desta associação espontânea entre profissões HEED e grupos sociais. Numa tarefa de associação livre, os participantes foram expostos a 18 ocupações, das quais seis era HEED, seis era STEM e seis fillers (não se enquadravam em nenhuma categoria). Os participantes (N = 64) escreveram três palavras que associavam a cada uma destas profissões. Os resultados apoiaram a nossa hipótese, na medida em que as profissões HEED evocaram significativamente mais grupos sociais que os restantes tipos de ocupações. Verificou-se que esta associação era mais frequente entre profissões HEED e grupos sociais, mesmo quando outras ocupações eram igualmente dependentes de outros grupos sociais para existir. No Estudo 2, fizemos o pré-teste de duas manipulações de competência percebida distintas. Numa condição manipulámos diretamente a suposta competência de crianças, fazendo referência às suas competências intelectuais. Na outra manipulámos indiretamente a suposta competência de idosos, fazendo referência a lares de repousos numa zona privilegiada ou desfavorecida. Os participantes (N = 144) avaliaram estes grupos em relação 15 atributos que foram selecionados para representar as dimensões de seis modelos diferentes de perceção social e ocupacional. Os resultados do Estudo 2 demonstram que ambas as manipulações funcionam, mas de formas distintas. Os resultados da manipulação direta demonstram que as crianças na condição de competência mais elevada foram percecionadas como mais competentes do que as crianças na condição de competência mais baixa, independentemente da forma como competência era conceptualizada. Os resultados da manipulação indireta mostram que os idosos na condição de competência mais elevada foram percecionados como mais competentes que os idosos na condição de competência mais baixa quando competência era conceptualizada como estatuto, riqueza ou assertividade. Nos Estudo 3a (N = 54) e 3b (N = 59), testámos o efeito das manipulações direta e indireta, pré-testadas no Estudo 2, nas perceções dos profissionais que trabalhavam com os respetivos grupos sociais. Para tal, apresentámos aos participantes um excerto de um CV de uma profissional HEED (Estudo 3a: educadora de infância; Estudo 3b: auxiliar de geriatria) e pedimos que a avaliassem em relação aos mesmos 15 atributos utilizados no Estudo 2, em relação aos valores que detinham e que indicassem o salário mínimo que a profissional aceitaria caso estivesse à procura de um novo local de trabalho. Os resultados do Estudo 3a apoiaram a nossa hipótese, na medida em que a educadora de infância associada ao grupo de competência mais elevada foi avaliada como mais competente, como tendo mais valores de agência e como exigindo um salário mínimo mais elevado do que a educadora de infância associada ao grupo de competência mais baixa. Os resultados do Estudo 3b não corroboraram a nossa hipótese, pois as auxiliares de geriatria das duas condições foram percecionadas como igualmente competentes, sendo as pequenas diferenças no salário exigido por ambas estatisticamente não significativas. Com a realização deste projeto de investigação, verificámos a existência de uma associação espontânea entre profissões HEED e grupos sociais, que parece ser específica a esta díade. A associação com outras profissões foi menos frequente (no caso das profissões filler) ou até inexistente (no caso das profissões STEM), mesmo quando tais profissões eram igualmente dependentes de outros grupos sociais. Consequentemente, quando são associados a grupos de alta competência percebida, os profissionais HEED poderão ser percecionados como mais competentes, comparativamente com quando estão associados a grupos de baixa competência percebida. Ao serem percecionados como mais competentes, os profissionais também poderão ser percebidos como exigindo (ou até merecendo) um salário mínimo mais elevado. Contudo, este mecanismo poderá não ser meramente associativo. As diferenças dos resultados do Estudo 3a e do Estudo 3b apontam para que este processo possa ser dependente do contexto em que a informação é disponibilizada. Tal hipótese será explorada numa proposta de follow-up. As limitações dos estudos acima descritos devem ser ressalvadas. Os Estudos 3a e 3b tiveram pouco poder estatístico, dado o tamanho das amostras utlizadas em cada um. Apesar de terem sido avançadas hipóteses que visam explicar os resultados do Estudo 3b, a manipulação da suposta competência do grupo social utilizada neste estudo não produziu o efeito previsto. Por último, não tendo sido medidas as perceções dos participantes em relação aos valores que os grupos sociais deteriam, esta metodologia não permite perceber se existe congruência entre os valores percebidos dos profissionais e os seus respetivos grupos sociais. Como a coexistência de ocupações HEED e grupos sociais vulneráveis é imperativa, próximas investigações deverão continuar a explorar de impacto de estereótipos grupais nas perceções e valorização dos profissionais que com eles trabalham. Ao adicionar à literatura existente sobre a desvalorização social de ocupações HEED, este complemento teórico abre um novo caminho de investigação numa área ainda pouco explorada. Dada a pertinência destas ocupações, torna-se indispensável continuar a perceber as causas da sua desvalorização.
Profissionais que trabalham em ocupações da área HEED (Saúde, Educação Primária e Trabalhos Domésticos) são percecionados como menos competentes, apesar de mais calorosos, do que profissionais que trabalham em ocupações STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Socialmente, os profissionais HEED são desvalorizados, quando comparados a profissionais STEM. Mesmo quando as profissões de ambas as áreas requerem os mesmos anos de formação, os profissionais HEED recebem salários mais baixos e é-lhes atribuído menos prestígio, quando comparados com profissionais STEM. Até à data, a investigação que visa compreender este fenómeno propôs diferentes mecanismos explicativos. Primeiramente, estas explicações passam por identificar a associação destas ocupações aos dois papeis de género. As profissões HEED são associadas ao papel de género feminino, enquanto as profissões STEM são associadas ao papel de género masculino. Estes papeis são construídos através da associação de grupos específicos (e.g., mulheres) às atividades que usualmente realizam (e.g., trabalho doméstico). Tais tarefas requerem que os agentes detenham certos atributos para que as desempenhem corretamente (e.g., paciência). Consequentemente, o grupo que é comumente associado a tais tarefas é visto como detendo os atributos necessários para realizar tais tarefas adequadamente. Adicionalmente, as profissões HEED são orientadas para a prestação de cuidados a outros, algo tipicamente feminino, enquanto que as profissões STEM se focam no desenvolvimento de produtos, algo tipicamente masculino. Dada a maior valorização e a atribuição de maior estatuto a atributos (e.g., competência) e atividades estereotipicamente masculinas (e.g., ocupações STEM), comparativamente a atributos (e.g., amabilidade) e atividades estereotipicamente femininas, as profissões HEED, que são tradicionalmente femininas, são socialmente desvalorizadas. Com este projeto de investigação pretendemos complementar a literatura sobre a desvalorização social das profissões HEED, explorando uma hipótese alternativa. A nossa hipótese centra-se na interdependência existente entre profissões HEED e os grupos sociais vulneráveis a quem prestam cuidados. Estes grupos são estereotipicamente percebidos como sendo pouco competentes, mas calorosos, evocando simpatia e pena pela sua inabilidade de controlar consequências negativas. Consequentemente, estes grupos são percecionados como requerendo ajuda de outrem. As profissões HEED (e.g., auxiliar geriátrica) existem na medida em que satisfazem esta necessidade (e.g., não existiriam auxiliares de geriatria se não houvesse idosos a precisar de assistência). Nesse sentido, propomos que esta interdependência pode permitir a ocorrência de um processo associativo, através do qual as perceções dos profissionais são “tingidas” pelos atributos dos grupos com quem trabalham. Ao estarem associados a grupos de baixa competência, os profissionais serão percebidos como menos competentes do que outros profissionais que estejam associados a grupos de alta competência percebida. No Estudo 1, explorámos a existência desta associação espontânea entre profissões HEED e grupos sociais. Numa tarefa de associação livre, os participantes foram expostos a 18 ocupações, das quais seis era HEED, seis era STEM e seis fillers (não se enquadravam em nenhuma categoria). Os participantes (N = 64) escreveram três palavras que associavam a cada uma destas profissões. Os resultados apoiaram a nossa hipótese, na medida em que as profissões HEED evocaram significativamente mais grupos sociais que os restantes tipos de ocupações. Verificou-se que esta associação era mais frequente entre profissões HEED e grupos sociais, mesmo quando outras ocupações eram igualmente dependentes de outros grupos sociais para existir. No Estudo 2, fizemos o pré-teste de duas manipulações de competência percebida distintas. Numa condição manipulámos diretamente a suposta competência de crianças, fazendo referência às suas competências intelectuais. Na outra manipulámos indiretamente a suposta competência de idosos, fazendo referência a lares de repousos numa zona privilegiada ou desfavorecida. Os participantes (N = 144) avaliaram estes grupos em relação 15 atributos que foram selecionados para representar as dimensões de seis modelos diferentes de perceção social e ocupacional. Os resultados do Estudo 2 demonstram que ambas as manipulações funcionam, mas de formas distintas. Os resultados da manipulação direta demonstram que as crianças na condição de competência mais elevada foram percecionadas como mais competentes do que as crianças na condição de competência mais baixa, independentemente da forma como competência era conceptualizada. Os resultados da manipulação indireta mostram que os idosos na condição de competência mais elevada foram percecionados como mais competentes que os idosos na condição de competência mais baixa quando competência era conceptualizada como estatuto, riqueza ou assertividade. Nos Estudo 3a (N = 54) e 3b (N = 59), testámos o efeito das manipulações direta e indireta, pré-testadas no Estudo 2, nas perceções dos profissionais que trabalhavam com os respetivos grupos sociais. Para tal, apresentámos aos participantes um excerto de um CV de uma profissional HEED (Estudo 3a: educadora de infância; Estudo 3b: auxiliar de geriatria) e pedimos que a avaliassem em relação aos mesmos 15 atributos utilizados no Estudo 2, em relação aos valores que detinham e que indicassem o salário mínimo que a profissional aceitaria caso estivesse à procura de um novo local de trabalho. Os resultados do Estudo 3a apoiaram a nossa hipótese, na medida em que a educadora de infância associada ao grupo de competência mais elevada foi avaliada como mais competente, como tendo mais valores de agência e como exigindo um salário mínimo mais elevado do que a educadora de infância associada ao grupo de competência mais baixa. Os resultados do Estudo 3b não corroboraram a nossa hipótese, pois as auxiliares de geriatria das duas condições foram percecionadas como igualmente competentes, sendo as pequenas diferenças no salário exigido por ambas estatisticamente não significativas. Com a realização deste projeto de investigação, verificámos a existência de uma associação espontânea entre profissões HEED e grupos sociais, que parece ser específica a esta díade. A associação com outras profissões foi menos frequente (no caso das profissões filler) ou até inexistente (no caso das profissões STEM), mesmo quando tais profissões eram igualmente dependentes de outros grupos sociais. Consequentemente, quando são associados a grupos de alta competência percebida, os profissionais HEED poderão ser percecionados como mais competentes, comparativamente com quando estão associados a grupos de baixa competência percebida. Ao serem percecionados como mais competentes, os profissionais também poderão ser percebidos como exigindo (ou até merecendo) um salário mínimo mais elevado. Contudo, este mecanismo poderá não ser meramente associativo. As diferenças dos resultados do Estudo 3a e do Estudo 3b apontam para que este processo possa ser dependente do contexto em que a informação é disponibilizada. Tal hipótese será explorada numa proposta de follow-up. As limitações dos estudos acima descritos devem ser ressalvadas. Os Estudos 3a e 3b tiveram pouco poder estatístico, dado o tamanho das amostras utlizadas em cada um. Apesar de terem sido avançadas hipóteses que visam explicar os resultados do Estudo 3b, a manipulação da suposta competência do grupo social utilizada neste estudo não produziu o efeito previsto. Por último, não tendo sido medidas as perceções dos participantes em relação aos valores que os grupos sociais deteriam, esta metodologia não permite perceber se existe congruência entre os valores percebidos dos profissionais e os seus respetivos grupos sociais. Como a coexistência de ocupações HEED e grupos sociais vulneráveis é imperativa, próximas investigações deverão continuar a explorar de impacto de estereótipos grupais nas perceções e valorização dos profissionais que com eles trabalham. Ao adicionar à literatura existente sobre a desvalorização social de ocupações HEED, este complemento teórico abre um novo caminho de investigação numa área ainda pouco explorada. Dada a pertinência destas ocupações, torna-se indispensável continuar a perceber as causas da sua desvalorização.
Descrição
Dissertação de mestrado, Psicologia (Área de especialização em Cognição Social Aplicada), Universidade de Lisboa, Faculdade de Psicologia, 2021
Palavras-chave
Percepção social Estereótipo (Psicologia) Competência Papéis de género Estereótipos ocupacionais Teses de mestrado - 2021
