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Socio-demographic correlates of physical activity and sitting time patterns in adults : an analysis with the portuguese food, nutrition and physical activity survey

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Resumo(s)

Enquadramento: A atividade física (AF) e o comportamento sedentário são dois importantes e distintos fatores de risco modificáveis que influenciam a saúde. Apesar dos benefícios para a saúde, estima-se que um em cada quatro adultos não cumpra com os 150 minutos de atividade física com intensidade moderada a vigorosa recomendados pela Organização Mundial da Saúde. Por outro lado, apesar dos malefícios, a prevalência do comportamento sedentário é elevada na população adulta. Estudos que adotem uma análise conjunta dos fatores de risco relacionados com a AF e o tempo passado sentado (TS) podem ser mais informativos do ponto de vista da prevenção e da promoção da saúde. Uma vez que diversos tipos de comportamentos associados à atividade física e ao comportamento sedentário são adotados diariamente pelos adultos, é necessário compreender melhor os subgrupos populacionais que, pela combinação destes comportamentos, apresentam um perfil de risco. Assim, o presente estudo tem como objetivo identificar os correlatos sociodemográficos da AF, do TS e dos grupos resultantes da combinação da AF com o TS numa amostra nacional e representativa de adultos Portugueses. Métodos: Este estudo tem um desenho observacional e transversal, e foi realizado com informação recolhida no Inquérito Nacional Alimentar e de Atividade Física (IAN-AF 2015-2016). O IAN-AF permitiu a criação de uma base de dados de representatividade nacional sobre três grandes domínios: alimentação e nutrição, o estado nutricional e a AF. O IAN-AF envolveu a população residente em Portugal, com idades compreendidas entre os 3 e 84 anos de idade. Os participantes foram selecionados por um processo de uma amostragem complexa bietápica, a partir do Registo Nacional de Utentes do Serviço Nacional de Saúde. No presente estudo foram incluídos 1724 adultos (50.5% mulheres, 49.5% homens), com idades compreendidas entre os 18 e os 64 anos. Os participantes foram entrevistados presencialmente, sendo que a recolha de informação da AF e do TS teve por base a versão curta do International Physical Activity Questionnaire (IPAQ). Simultaneamente foi recolhida informação sociodemográfica: sexo, idade, estado marital, habilitações literárias, situação profissional, rendimento mensal do agregado familiar, entre outros. Tendo por base a conjugação de categorias referentes às combinações de AF e do TS, os adultos foram classificados nos seguintes grupos: AF elevada / TS reduzido; AF elevada / TS elevado; AF reduzida / TS reduzido; AF reduzida / TS elevado. AF elevada e AF reduzida corresponde às categorias extremas do IPAQ: ‘pouco ativo’ e ‘ativo’. TS reduzido e TS elevado correspondem, respetivamente, ao 1º tercil (≤180 minutos por dia) e ao 3º tercil (≥360 minutos por dia). Os adultos classificados nas categorias intermédias como ‘moderadamente ativos’ ou no 2º tercíl de TS não foram incluídos neste estudo, pretendendo-se apenas uma análise dos perfis referentes às categorias extremas. A análise estatística com modelos de regressão logística permitiu identificar os fatores sociodemográficos associados a ser fisicamente ativo, ao elevado TS (≥ 360 minutos) e aos diferentes perfis decorrentes da combinação entre a AF e TS (AF elevada/TS reduzido; AF elevada/TS elevado; AF reduzida/TS reduzido; AF reduzida/TS elevado). As estimativas decorrentes das análises estatísticas foram todas ponderadas à população Portuguesa e conduzidas no software estatístico IBM SPSS versão 24.0. O nível de significância foi fixado em 0,05. O projeto IAN-AF recebeu autorização ética das autoridades de saúde regionais. O projeto desta tese também foi submetido e aprovado pela Comissão de Ética do Centro Académico de Medicina de Lisboa (CAML /FMUL /IMM). Resultados: Dos 1724 adultos participantes, após exclusão dos tercis intermédios de AF e de TS, mais de metade (57.9%) foram classificados como tendo um estilo de vida ativo (categoria “ativo” do IPAQ). Os restantes adultos foram considerados fisicamente inativos (categoria “pouco ativo” do IPAQ). Quanto ao TS, 46.88% dos adultos gastavam pouco tempo (180 minutos por dia) e 53.2% gastavam muito tempo (≥360 minutos por dia). A partir da interseção das diferentes categorias de AF e TS, verificou-se que 37.3% apresentava um perfil de baixa AF e elevado TS (perfil de maior risco) e 26.6% dos adultos uma elevada AF e baixo TS (perfil de menor risco). No que concerne aos fatores associados com a AF, a partir do modelo ajustado constatou-se que ser solteiro comparativamente a ser casado [Odds Ratio (OR) = 1.48, Intervalo de Confiança, (IC): 1.07-2.07], ter 25-34 anos (OR = 1.81, 95% IC: 1.20-2.73) e 35- 44 anos (OR = 1.66, 95% IC: 1.16-2.36), em relação a ter 18-25 anos, estava a positivamente associado a ser fisicamente ativo, enquanto ter um nível educacional médio estava negativamente associado quando comparado a ter um nível educacional baixo. Quanto aos fatores associados ao TS , os adultos que tinham entre 35 e 44 anos (OR = 0.41, 95% IC: 0.27-0.61), 45 e 54 anos (OR = 0.45, 95% IC: 0.25-0.80), e entre 55 e 64 anos (OR = 0.62, 95% IC: 0.41-0.94) tinham todos menores probabilidades de despenderem um elevado TS quando comparado com ter 18-25 anos. Contrariamente, os adultos com 12 anos de escolaridade (OR = 2.70, 95% IC: 1.87-3.89) ou mais anos (OR = 3.67, IC: 2.19-6.15), e aqueles com um estatuto socioecónomico médio (OR = 1.64, 95% CI: 1.12-2.40) e elevado (OR = 1.84, 95% IC: 1.16-2.91), tinham maior probabilidade de despenderem mais de 360 minutos por dia sentados. Segundo o modelo ajustado, ter um perfil socioeconómico médio (OR = 1.50, IC: 1.07-2.11), o ensino secundário (OR = 2.59, IC: 1.76-3.84) ou superior (OR = 2.59, IC: 1.76- 3.84) e não ter idades compreendidas entre os 25-34 (OR = 0.46, IC: 0.28-0.75) e 35-44 (OR = 0.57, IC: 0.28-0.75) anos estava associado a integrar o grupo com pior risco (fisicamente inativo e elevado tempo TS). Ter 18-24 ou 25-34 anos, ser homem (OR = 1.96, IC: 1.33-2.90) e ter um nível educacional elevado (OR = 1.86, IC: 1.14-3.03) estava associado a cumprir com as recomendações de AF mas simultaneamente a passar largos períodos de tempo sentado. Ter mais do que o 12º ano (OR = 0.46, IC: 0.27-0.79) e ser solteiro (OR = 0.49, IC: 0.29-0.84) surgiu inversamente associado ao perfil “reduzida AF / elevado TS”. Os adultos com idades compreendidas entre os 25-34 (OR = 1.83, IC: 1.08-3.10) e 35-44 anos (OR = 2.10, CI: 1.42-3.10), e com um baixo nível educacional, tinham maior probabilidade de estar no grupo com um perfil de risco mias favorável, isto é, ser fisicamente ativo e passar pouco tempo sentado. Discussão: O presente estudo permitiu identificar subgrupos da população que, devido à conjugação dos comportamentos de AF e TS, apresentam potencialmente diferentes níveis de risco para a sua saúde. O grupo que com um perfil menos favorável (AF reduzida / TS elevado) caraterizava-se por ser composto por adultos que tendencialmente reportaram ter um estatuto socioeconómico médio, o ensino secundário ou superior e idades não compreendidas entre os 25 e 44 anos. Numa fase inicial, pode ser importante promover junto deste grupo a quebra do tempo que passam sentados e potenciar o seu envolvimento em atividades físicas de intensidade leve. A mudança de comportamento associada à transição de tempo sentado para atividade física leve pode ser mais suave e realista do que comparada com a mudança necessária para cumprir com as recomendações de atividade física, que envolvem intensidades moderadas e vigorosas. Ser jovem adulto (18-34), homem e ter um nível educacional elevado estava associado a cumprir com as recomendações de atividade física mas simultaneamente a passar largos períodos de tempo sentado. As mensagens dirigidas para este grupo podem enfatizar a importância de se reduzir o tempo passado sentado e de adotar mais frequentemente comportamentos associados a uma atividade física de intensidade leve. Os adultos com idades compreendidas entre os 25 e 44 anos, e com um baixo nível educacional, tinham maior probabilidade de integrar o grupo mais favorável, isto é fisicamente ativo e pouco tempo sentado. Conclusão: Numa perspetiva de saúde pública, as futuras campanhas de comunicação e de intervenção devem ser direcionadas para os diversos perfis resultantes da combinação da atividade física e do comportamento sedentário.
Purpose: To identify the socio-demographic correlates of the physical activity (PA), sitting time (ST) and of combined PA-ST patterns in a nationally representative sample of Portuguese adults. Methods: Data from a national survey on diet and activity behaviors (National Food, Nutrition and Physical Activity Survey, IAN-AF, 2015– 2016) was used, with 1724 adults (50.5% women, 49.5% men, 18-64 years) included in this study. Participants were interviewed face to face, and the short form of the International PA questionnaire (IPAQ) was used. Logistic regression models examined the relationship between PA, ST and each PA/ST pattern group (high PA/low ST, high PA/high ST, low PA/low ST, low PA/low ST) with socio-demographic correlates. Low PA and high PA represent the low and high categories of IPAQ. Low and high ST corresponded to the 1st tercile (≤180min/day) and 3rd tercile (≥360 min/day). All statistics were weighted according to a complex sampling design with p set at 0.05. Results: 37.5% of the adults revealed to have a ‘higher risk’ behavior pattern (low PA/high ST). They tended to have a middle socioeconomic status, 12 or more years of education, and not to be middle aged (25-44 years). The ‘lower risk’ group represented 26.3% of the sample and included mainly middle-aged adults with a lower educational level. Being male, young and highly educated was related with adopting both high PA and ST. Conclusion: From a public health perspective, future messages and interventions may need to be tailored to specific profiles of PA/ST.

Descrição

Tese de mestrado, Epidemiologia, Universidade de Lisboa, Faculdade de Medicina, 2019

Palavras-chave

Comportamentos saudáveis Atividade física Comportamento sedentário Correlatos Inquérito nacional Teses de mestrado - 2019

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