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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
In the late eighteenth century, public museums appeared under the newly arising concept
of the nation state. From that moment on, their essential task was directly related to the creation
of a national identity. Especially in the nineteenth century, the museum’s role was defined by the
representation of power. The aim to establish nation states determined the whole museum’s
structure, as most museums were built exclusively for this purpose.
At present, the world is facing many challenges; theories but also lifestyles are changing
increasingly towards a global point of view, which is characterised by phenomena such as
hybridity or transculturality. The current global transitions affect all aspects of life, including
above all identities and their memories. Consequently, also public institutions, such as the
museum are directly affected. Recent notions, based on global connection, facilitated mobility
and new digital networks create new demands for museums to adapt to the current world. This
development leads to a “New Museology”, reaching, inter alia, from architecture to new
communication channels and adjusted identity work. These emerging requests will be observed
and illustrated from the perspective of Visual Culture Studies, with a special focus on art
museums and their memory. Their social and cultural constructions will be analysed with the
help of two local, Portuguese examples: the Museu National da Arte Antiga and the Museu da
Arte, Arquitetura e Tecnologia.
Apesar de se encontrarem antecessores já na antiguidade ou a partir do século XVI com desenvolvimentos como os gabinetes de curiosidade, o museu como o conhecemos hoje, tem a sua verdadeira origem no final do século XVIII. Os primeiros museus públicos começaram a aparecer simultaneamente com o novo conceito de Estado-Nação. Nomeadamente o Museu do Louvre em Paris, que se desenvolveu a partir da Revolução Francesa, assumiu um papel pioneiro: foi um dos primeiros museus a possibilitar um acesso aberto ao público em geral, podendo assim atingir uma grande parte da população com o seu impacto. Desde o seu início, a função principal do museu público estava relacionada diretamente à criação de uma identidade nacional. O Louvre, bem como vários outros museus que lhe seguiram, serviu como instrumento do Estado-Nação. Sobretudo no século XIX, o papel do museu estava definido pela representação do poder do império. O objetivo de estabelecer Estados-Nações determinou a estrutura inteira dos museus, a maior parte dos quais surgiram meramente para esse fim. Essas identidades foram artificialmente naturalizadas através do estabelecimento intencionado de ideias e valores. O complexo dos museus do Kunsthistorisches Museum (Museu de História da Arte) e do Naturhistorisches Museum (Museu de História Natural) em Viena, por exemplo, reflete, em particular através da sua cultura visual, a dimensão e o poder do império e representa assim a sua identidade nacional. Este tipo de museus, chamados museus modernistas, consolida uma memória nacional determinada pelo poder estatal e serve para o estabelecimento definitivo do Estado como uma nação. Depois do auge das nações, seguiu-se, provocado pelas guerras e descolonizações, uma certa ruptura no mundo, afetando fortemente o setor cultural. Formaram-se alianças e colaborações supranacionais que resultaram numa nova interligação global. Neste momento, o mundo está a enfrentar vários desafios. Teorias, mas também estilos de vida e hábitos estão a pender progressivamente em direção a um ponto de vista global. O desenvolvimento da comunicação bem como da mobilidade são responsáveis pelo facto de a sensação do espaço e do tempo perderem as suas dimensões. Fatores como estes caracterizam progressivamente o mundo com fenómenos como o hibridismo ou a transculturalidade. As transições atuais afetam todos os aspetos de vida e também involvem, consequentemente, instituições culturais, tal como o museu. Noções recentes, como a transculturalidade ou o turismo cultural, criam novas exigências ao museu, que tem de se adaptar ao mundo atual, o que resulta numa mudança de paradigmas. Assim sendo, tornou-se necessário para o museu, em primeiro lugar, repensar e depois reinventar as suas funções e estruturas. O nascimento de uma “Nova Museologia” incluindo redefinições em áreas como a arquitetura, bem como nos canais de comunicação e na identidade, tornou-se indispensável. O museu já não se entende meramente como educador, mas aceita também outras responsabilidades como, por exemplo, a sua influência na cidade e o seu papel como símbolo. Apesar disso, a mediação ficou um instrumento extremamente importante, em cujo contexto sobretudo a nova tecnologia ganhou muita relevância. A identidade já não pode existir como puro representante de uma nação, ou seja, a memória coletiva também precisa ser reconfigurada. A partir deste momento, a identidade museológica contribui para o desenvolvimento de uma memória transcultural que já não se limita por fronteiras, mas que supera demarcações nacionais. Este processo de reorganização da identidade não se encontra concluído, mas deve estar constantemente aberto a novas influências e perspectivas. A identidade, bem como a memória, têm que ser vistas como conceitos híbridos e mutáveis. Só deste modo é possível adaptarem-se às contínuas evoluções globais e manterem-se pertinentes. Para poderem garantir uma modificação sucessiva, é preciso permitirem pontos de vistas externas e entrarem numa relação mais próxima com vários atores e particularmente com os seus públicos. Este processo tem como primeiro passo o reconhecimento de que o público não é um grupo homogéneo, mas diversificado e, em seguida, o de estudar a diversidade e adaptar os modos de operação ao novo entendimento dos visitantes. Numa “Nova Museologia”, o museu acrescenta à sua função principal dos seus inícios a educação, com um novo foco de atenção, e o entretenimento. Consequentemente, transforma-se numa instituição multifuncional, oferecendo muito mais além de uma simples exposição de património. Com a reorganização das suas estruturas de funcionamento, o museu implementa novos modos de entrar em contato com os seus visitantes, incluindo um contacto mais direto através de diferentes mediadores, bem como a organização de eventos ou realização de visitas guiadas. Para além disso, todas as comunicações são feitas de um modo mais adaptado a um público diversificado. Assim, o museu transforma-se de um espaço plenamente unidirecional e dominado pelas estruturas de poder para um lugar polivalente e vivo. Hoje em dia, aproxima-se gradualmente a um museu que já não tem muito em comum com o seu antecessor, o museu modernista, mas que é caraterizado pela sua natureza aberta. Estes requerimentos emergentes que levam a uma “Nova Museologia” e têm o objetivo de criar um modo de poder enfrentar os desafios atuais e deixar que o museu, como instituição cultural, permaneça relevante, serão observados e ilustrados da perspectiva dos estudos da Cultura Visual, focando-se principalmente nos museus de arte. As suas construções sociais e culturais são analisadas com a ajuda de dois exemplos portugueses. No contexto de Portugal, um país que desde sempre ficou caracterizado pelo seu contacto com culturas diferentes, particularmente por causa do seu passado colonial, a evolução de conceitos transculturais emergentes manifesta-se de um modo mais natural do que noutros países. Lisboa apresenta-se atualmente aberto a discursos transculturais, sendo frequentemente palco de vários eventos internacionais ou como destino turístico popular. Do ponto de vista museológico, nomeadamente o Museu Gulbenkian mostra a competitividade de Portugal no mundo dos museus. Esse exemplo representa um papel de vanguarda que desde os seus inícios se orientou de um modo pioneiro na execução da sua tarefa. Além disso, foi o primeiro museu em Portugal a alinhar-se numa “Nova Museologia” com uma visão orientada para o futuro, bem como para uma identidade transcultural. Hoje em dia, Lisboa está envolvida numa musealização global que resulta num número elevado de novos museus e de temáticas bastantes diversas a abrir portas. O Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), fundado no século XIX, serve como exemplo português de um museu nacional. A sua função original era a implantação da ideia do Estado-Nação. Nas últimas décadas, porém, tentou adaptar a sua organização para novas tendências. Através da sua comunicação e de várias colaborações, o museu resolveu desenvolver-se a vários níveis. Ao realizar eventos não convencionais para um museu nacional, o MNAA consegue chamar a atenção e entrar em contato com novos públicos. O MNAA tenta permanecer fiel ao seu património nacional e, ao mesmo tempo, não se tornar obsoleto, mas interessante para um público mais amplo. Do outro lado encontra-se o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), que abriu em 2016. Em comparação ao MNAA, não é um museu estatal, mas regulado através de uma entidade privada. Trata-se de um museu que, desde o seu começo, foi confrontado com as exigências e pensamentos contemporâneos. Estava planeado com o objetivo de abordá-los em todos os aspetos. A finalidade desse museu é a criação de um espaço dinâmico que permite a inclusão de um público amplo. A sua arquitetura, bem como os seus métodos museográficos e as suas formas de comunicação, tentam estabelecer uma forte ligação com o seu público através de interdisciplinaridade e interatividade, permitindo assim novas abordagens e perspectivas sobre instituição. O MAAT representa em vários aspetos um museu da atualidade como uma identidade transcultural, caracterizada pela sua abertura a novas perspectivas. Baseado na sua interatividade, o museu permite uma adaptação constante e corresponde, deste modo, às exigências contemporâneas.
Apesar de se encontrarem antecessores já na antiguidade ou a partir do século XVI com desenvolvimentos como os gabinetes de curiosidade, o museu como o conhecemos hoje, tem a sua verdadeira origem no final do século XVIII. Os primeiros museus públicos começaram a aparecer simultaneamente com o novo conceito de Estado-Nação. Nomeadamente o Museu do Louvre em Paris, que se desenvolveu a partir da Revolução Francesa, assumiu um papel pioneiro: foi um dos primeiros museus a possibilitar um acesso aberto ao público em geral, podendo assim atingir uma grande parte da população com o seu impacto. Desde o seu início, a função principal do museu público estava relacionada diretamente à criação de uma identidade nacional. O Louvre, bem como vários outros museus que lhe seguiram, serviu como instrumento do Estado-Nação. Sobretudo no século XIX, o papel do museu estava definido pela representação do poder do império. O objetivo de estabelecer Estados-Nações determinou a estrutura inteira dos museus, a maior parte dos quais surgiram meramente para esse fim. Essas identidades foram artificialmente naturalizadas através do estabelecimento intencionado de ideias e valores. O complexo dos museus do Kunsthistorisches Museum (Museu de História da Arte) e do Naturhistorisches Museum (Museu de História Natural) em Viena, por exemplo, reflete, em particular através da sua cultura visual, a dimensão e o poder do império e representa assim a sua identidade nacional. Este tipo de museus, chamados museus modernistas, consolida uma memória nacional determinada pelo poder estatal e serve para o estabelecimento definitivo do Estado como uma nação. Depois do auge das nações, seguiu-se, provocado pelas guerras e descolonizações, uma certa ruptura no mundo, afetando fortemente o setor cultural. Formaram-se alianças e colaborações supranacionais que resultaram numa nova interligação global. Neste momento, o mundo está a enfrentar vários desafios. Teorias, mas também estilos de vida e hábitos estão a pender progressivamente em direção a um ponto de vista global. O desenvolvimento da comunicação bem como da mobilidade são responsáveis pelo facto de a sensação do espaço e do tempo perderem as suas dimensões. Fatores como estes caracterizam progressivamente o mundo com fenómenos como o hibridismo ou a transculturalidade. As transições atuais afetam todos os aspetos de vida e também involvem, consequentemente, instituições culturais, tal como o museu. Noções recentes, como a transculturalidade ou o turismo cultural, criam novas exigências ao museu, que tem de se adaptar ao mundo atual, o que resulta numa mudança de paradigmas. Assim sendo, tornou-se necessário para o museu, em primeiro lugar, repensar e depois reinventar as suas funções e estruturas. O nascimento de uma “Nova Museologia” incluindo redefinições em áreas como a arquitetura, bem como nos canais de comunicação e na identidade, tornou-se indispensável. O museu já não se entende meramente como educador, mas aceita também outras responsabilidades como, por exemplo, a sua influência na cidade e o seu papel como símbolo. Apesar disso, a mediação ficou um instrumento extremamente importante, em cujo contexto sobretudo a nova tecnologia ganhou muita relevância. A identidade já não pode existir como puro representante de uma nação, ou seja, a memória coletiva também precisa ser reconfigurada. A partir deste momento, a identidade museológica contribui para o desenvolvimento de uma memória transcultural que já não se limita por fronteiras, mas que supera demarcações nacionais. Este processo de reorganização da identidade não se encontra concluído, mas deve estar constantemente aberto a novas influências e perspectivas. A identidade, bem como a memória, têm que ser vistas como conceitos híbridos e mutáveis. Só deste modo é possível adaptarem-se às contínuas evoluções globais e manterem-se pertinentes. Para poderem garantir uma modificação sucessiva, é preciso permitirem pontos de vistas externas e entrarem numa relação mais próxima com vários atores e particularmente com os seus públicos. Este processo tem como primeiro passo o reconhecimento de que o público não é um grupo homogéneo, mas diversificado e, em seguida, o de estudar a diversidade e adaptar os modos de operação ao novo entendimento dos visitantes. Numa “Nova Museologia”, o museu acrescenta à sua função principal dos seus inícios a educação, com um novo foco de atenção, e o entretenimento. Consequentemente, transforma-se numa instituição multifuncional, oferecendo muito mais além de uma simples exposição de património. Com a reorganização das suas estruturas de funcionamento, o museu implementa novos modos de entrar em contato com os seus visitantes, incluindo um contacto mais direto através de diferentes mediadores, bem como a organização de eventos ou realização de visitas guiadas. Para além disso, todas as comunicações são feitas de um modo mais adaptado a um público diversificado. Assim, o museu transforma-se de um espaço plenamente unidirecional e dominado pelas estruturas de poder para um lugar polivalente e vivo. Hoje em dia, aproxima-se gradualmente a um museu que já não tem muito em comum com o seu antecessor, o museu modernista, mas que é caraterizado pela sua natureza aberta. Estes requerimentos emergentes que levam a uma “Nova Museologia” e têm o objetivo de criar um modo de poder enfrentar os desafios atuais e deixar que o museu, como instituição cultural, permaneça relevante, serão observados e ilustrados da perspectiva dos estudos da Cultura Visual, focando-se principalmente nos museus de arte. As suas construções sociais e culturais são analisadas com a ajuda de dois exemplos portugueses. No contexto de Portugal, um país que desde sempre ficou caracterizado pelo seu contacto com culturas diferentes, particularmente por causa do seu passado colonial, a evolução de conceitos transculturais emergentes manifesta-se de um modo mais natural do que noutros países. Lisboa apresenta-se atualmente aberto a discursos transculturais, sendo frequentemente palco de vários eventos internacionais ou como destino turístico popular. Do ponto de vista museológico, nomeadamente o Museu Gulbenkian mostra a competitividade de Portugal no mundo dos museus. Esse exemplo representa um papel de vanguarda que desde os seus inícios se orientou de um modo pioneiro na execução da sua tarefa. Além disso, foi o primeiro museu em Portugal a alinhar-se numa “Nova Museologia” com uma visão orientada para o futuro, bem como para uma identidade transcultural. Hoje em dia, Lisboa está envolvida numa musealização global que resulta num número elevado de novos museus e de temáticas bastantes diversas a abrir portas. O Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), fundado no século XIX, serve como exemplo português de um museu nacional. A sua função original era a implantação da ideia do Estado-Nação. Nas últimas décadas, porém, tentou adaptar a sua organização para novas tendências. Através da sua comunicação e de várias colaborações, o museu resolveu desenvolver-se a vários níveis. Ao realizar eventos não convencionais para um museu nacional, o MNAA consegue chamar a atenção e entrar em contato com novos públicos. O MNAA tenta permanecer fiel ao seu património nacional e, ao mesmo tempo, não se tornar obsoleto, mas interessante para um público mais amplo. Do outro lado encontra-se o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), que abriu em 2016. Em comparação ao MNAA, não é um museu estatal, mas regulado através de uma entidade privada. Trata-se de um museu que, desde o seu começo, foi confrontado com as exigências e pensamentos contemporâneos. Estava planeado com o objetivo de abordá-los em todos os aspetos. A finalidade desse museu é a criação de um espaço dinâmico que permite a inclusão de um público amplo. A sua arquitetura, bem como os seus métodos museográficos e as suas formas de comunicação, tentam estabelecer uma forte ligação com o seu público através de interdisciplinaridade e interatividade, permitindo assim novas abordagens e perspectivas sobre instituição. O MAAT representa em vários aspetos um museu da atualidade como uma identidade transcultural, caracterizada pela sua abertura a novas perspectivas. Baseado na sua interatividade, o museu permite uma adaptação constante e corresponde, deste modo, às exigências contemporâneas.
Descrição
Palavras-chave
Museologia Museus - Aspectos sociais Museus - Públicos Comunicação e cultura Memória colectiva Teses de mestrado - 2018
