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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Este artigo tem como objetivo refletir sobre a ideia de mutabilidade da natureza quando associada aos impactos das atividades humanas, argumentando que esta não é um conceito absoluto e que os seus limites estão sujeitos a constantes reformulações, particularmente no que respeita à sua interação com a dimensão cultural – como evidenciam as instalações de Mark Dion (1961, Massachusetts) ao apropriar-se de metodologias científicas para questionar o papel das instituições museológicas no entendimento e representação da natureza; e as pinturas de Tom Uttech (1942, Wisconsin) que recorrem a um realismo mágico para reposicionar a natureza como um domínio sublime e intocado pelos humanos, denotando uma romantização dos lugares selvagens que é parcialmente incompatível com as habituais narrativas do Antropoceno, que tendem a encarar o planeta como um lugar intrinsecamente contaminado pela presença humana. Recusando uma polarização destas perspetivas aparentemente contraditórias, argumentaremos que partem, no fundo, de uma questão comum: como pode um artista contemporâneo representar a natureza de forma a traduzir os conflitos e sentimentos suscitados pela sua crescente exploração, domesticação, e desaparecimento à escala global? O corpo do artigo encontra-se dividido em duas partes: a primeira foca-se nas ideias de viagem exploratória e trabalho de campo, analisando a metodologia dos artistas e a sua relação com a paisagem natural no contexto norte-americano; a segunda incide na iconografia animal (omnipresente em ambos os universos criativos) confrontando casos de estudo que nos permitem tecer considerações mais amplas sobre cada abordagem.
Descrição
Palavras-chave
Mark Dion Tom Uttech Natureza Biodiversidade Pintura Instalação
Contexto Educativo
Citação
In: Convocarte, nº15 (dez. 2023): Arte e mobilidade, p. 155-169
Editora
Centro de Investigação e Estudos em Belas-Artes, Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa
