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Public perceptions on the importance of marine ecosystems conservation and shark protection in São Tomé Island

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Resumo(s)

Os oceanos são fundamentais para as sociedades humanas por causa dos serviços de ecossistema que fornecem (desde a regulação do clima e produção de oxigénio até ao fornecimento de recursos alimentares). Para além disso, a relação Homem-oceano inclui dimensões de bem-estar, como identidade social e cultural. Apesar disso, nos últimos anos, os ecossistemas marinhos têm enfrentado ameaças consideráveis resultantes de atividades humanas. Recentemente, os esforços internacionais para combater essas ameaças têm-se intensificado. São exemplos disso a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, cujo objectivo 14 é proteger a vida marinha, e as Metas de Biodiversidade de Aichi, especificamente focadas na perda de biodiversidade. Ainda assim, estes esforços podem não ser suficientes. Em última análise, a conservação efetiva dos oceanos depende das sociedades e do seu apoio e cumprimento das medidas e políticas de conservação. As perceções, valores e interesses das pessoas podem influenciar o apoio e cumprimento (ou não) de medidas de proteção da natureza, sendo, por isso, essencial compreender estes aspectos sociais e integrá-los em estratégias para a conservação. Em São Tomé e Príncipe, um Pequeno Estado Insular em Desenvolvimento, onde existe uma enorme dependência dos ecossistemas marinhos (80% da proteína consumida é proveniente da pesca) e um elevado índice de pobreza (um terço da população vive abaixo do limiar internacional de pobreza), torna-se ainda mais relevante considerar as pessoas como parte dos ecossistemas e incluir as suas perceções no desenvolvimento de estratégias de gestão socio-ecológica. Nem todos os organismos marinhos são igualmente afetados pelas pressões humanas. Os tubarões, por exemplo, são particularmente vulneráveis devido ao seu ciclo de vida altamente susceptível (taxas de crescimento lentas, maturidade sexual tardia, baixa fecundidade, tendência para estratégias de reprodução K, longos períodos de gestação, descendência reduzida e grande longevidade). Existem atualmente várias espécies de tubarão em declínio e ameaçadas de extinção e têm sido significativamente afetados pela sobrepesca. Tal como os esforços mais amplos para a conservação da biodiversidade, as iniciativas internacionais desenvolvidas com foco na proteção dos tubarões (como o caso do Plano de Ação Internacional para a Conservação e Gestão do Tubarão e da inclusão de espécies de tubarões na Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias Pertencentes à Fauna Selvagem e também na Conferência das Partes na Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção), não são suficientes. Novamente, as medidas para a conservação dos tubarões dependem fortemente do apoio das populações locais. Tendo tudo isto em conta, o principal objetivo do presente estudo era investigar as perceções da população da Ilha de São Tomé sobre os ecossistemas marinhos e tubarões, a sua proteção e ameaças atuais e futuras, com intuito de melhor apoiar o desenvolvimento de estratégias inclusivas de conservação e gestão a nível nacional. Adicionalmente, também foi explorado o consumo de tubarão na ilha e o reconhecimento de algumas espécies por parte da população. Para tal foram aplicados questionários em 20 comunidades humanas (10 costeiras e 10 não costeiras), tendo sido entrevistadas um total de 300 pessoas. Nas comunidades costeiras, como se pretendia que fossem refletidas as perceções de pessoas com uma maior ligação ao oceanos (especialmente quando comparadas com as pessoas das comunidades não costeiras), dois terços dos questionários foram aplicados a pescadores e palaiês (nome local para designar vendedoras de peixe). Os dados foram inicialmente explorados através de uma análise gráfica, para todas as questões relevantes do inquérito, primeiro com todas as comunidades amostradas e de seguida por tipo de comunidade (costeira versus não costeira). Para as perguntas referentes à utilização das zonas costeiras e marinhas em São Tomé foram construídos mapas de uso geral, para todas as comunidades e para cada tipo de comunidade, e mapas de uso referente a cada tipo de actividade humana mencionada pelos inquiridos. Para além disso, para estudar a influência das características socioeconómicas e de experiência dos entrevistados nas suas perceções, foram realizados testes do qui-quadrado de Pearson e testes exatos de Fisher. Os resultados indicam uma utilização significativa das zonas costeiras e marinhas, no entanto, em locais muitos específicos (nomeadamente algumas praias em particular ou mesmo algumas comunidades costeiras). No geral, as pessoas consideram as áreas marinhas e costeiras e os tubarões importantes por causa dos seus serviços de aprovisionamento (i.e. a sua capacidade de fornecerem/serem comida). Os resultados refletiram claramente a enorme dependência que a população tem dos recursos marinhos para garantir a sua subsistência. Houve mais pessoas a acreditar na importância de proteger as áreas marinhas e costeiras do que os tubarões. Esta diferença deve-se, muito provavelmente, não só ao papel mais importante que estas zonas desempenham em garantir a segurança alimentar da população, quando comparadas com os tubarões, mas também à perceção negativa que existe sobre estes animais. De facto, metade das pessoas que não considera importante proteger os tubarões justificou-se com o facto de serem animais perigosos e ameaçadores. Pelo contrário, quem considerou que estas espécies deviam ser protegidas referiu o seu valor intrínseco como razão principal, seguindo-se o seu valor como recurso alimentar e a necessidade de não se extinguirem para poderem continuar a cumprir esse papel. Apesar de serem bastante valorizados como alimento, o consumo de tubarão não pareceu muito elevado na ilha. A pesca deste animais não é direcionada, mas sim oportunista. No entanto, são bastante valiosos, o que significa que não são descartados pelos pescadores quando acidentalmente apanhados. Em relação aos ecossistemas marinhos, a principal preocupação com a sua proteção é garantir a manutenção dos recursos naturais, para assegurar a segurança alimentar e fonte de rendimento da população. Houve claramente uma falta de consciência generalizada sobre as possíveis formas de proteção dos ecossistemas marinhos e dos tubarões. Inclusivamente, apesar de não existir qualquer área marinha protegida no país, muitos dos entrevistados acreditam que existe proteção das áreas marinhas e costeiras (nomeadamente através de limpezas de praia). A crença na ausência de ame aças para as áreas marinhas e costeiras, e especialmente para os tubarões, foi também generalizada. Para além disso, pareceu que as pessoas não estavam totalmente cientes da magnitude de algumas ameaças (como por exemplo, da pesca). No geral, o tipo de comunidade dos entrevistados (costeira ou não costeira) foi a característica que mais pareceu influenciar as respostas. O presente trabalho fornece, então, uma visão geral importante acerca das perceções da população de São Tomé em relação aos ecossistemas marinhos e aos tubarões e respectiva importância. Os resultados demonstram que é fundamental considerar a dependência que a população tem dos recursos marinhos em qualquer medida de conservação e gestão dos mesmos. As pessoas irão dar prioridade à sua segurança alimentar e económica em relação à conservação marinha. Ainda, se as necessidades e interesses das pessoas forem consideradas no processo de planeamento de medidas e políticas de conservação, irá haver um maior sentimento de justiça, promovendo assim um maior apoio e cumprimento. Há também uma clara necessidade de aumentar o conhecimento da população acerca da existência de ameaças, atuais e futuras, para os ecossistemas marinhos e tubarões. Apenas se as pessoas compreenderem a problemática e a sua magnitude é que irão entender a necessidade de adotar medidas de conservação e, consequentemente, adotar mais comportamentos em prol do ambiente. Para desenhar intervenções para sensibilizar a população é útil compreender melhor os factores socioeconómicos que influenciam as suas perceções e atitudes. Apesar deste estudo analisar alguns desses factores, a sua complexidade exige que sejam estudados com maior profundidade.
Oceans are fundamental for human societies because of the ecosystem services they provide (from climate regulation and oxygen production to food provisioning). Also, the human-ocean relationship includes well-being dimensions, such as social and cultural identity. Despite that, over the past several years, marine ecosystems have been facing considerable threats as a result of human activities. International efforts to combat these problems have been intensifying over the past few years. However, they may not be sufficient. Ultimately, the oceans’ effective conservation depends on human societies, and their support and compliance with conservation measures and policies. Peoples’ perceptions, values and interests are likely to influence their compliance, so, it is essential to understand them and comprise these aspects in conservation and management strategies. In São Tomé and Príncipe, a Small Island Developing State (SIDS), where there is a great reliance on marine ecosystems, considering humans as part of ecosystems and including public perceptions in the development of social-ecological management strategies is even more relevant. Not all marine organisms are equally affected by human pressures. Sharks, for example, are particularly vulnerable and many species are in decline and currently threatened with extinction. Sharks have suffered significantly from overfishing and, like the broader efforts on biodiversity conservation, the international initiatives focused on sharks that have been developed may not suffice. Again, shark conservation measures are heavily dependent on the support of local populations. The present study intended to investigate the perceptions of the population of São Tomé Island on marine ecosystems and sharks, their protection, and their current and future threats in order to better support the development of inclusive conservation and management strategies at the national level. For that, questionnaires were applied in 20 human communities (10 coastal and 10 non-coastal). Data was explored through graphical analysis, first with all communities together and then by type of community (coastal versus non-coastal). Furthermore, in order to analyse the relationships between interviewees’ characteristics and their perceptions, Pearson’s X 2 test and complementary Fisher’s exact tests were performed. Overall, Santomeans perceived marine and coastal areas as important because of their provisioning services (their ability to provide/be a food supply/resource). Results showed that more people believe it is important to protect marine and coastal areas than sharks. Also, the perceptions on why both should be protected differed. Regarding marine ecosystems, the main concern for their protection was guaranteeing resource maintenance, while in regard to sharks it was their intrinsic value. However, most interviewees that mentioned it was not important to protect sharks, see them as dangerous animals. There was an overall lack of awareness of possible ways of protecting marine ecosystems and sharks. The belief of absence of threats against marine and coastal areas but especially towards sharks was wide spread, and it seemed that Santomeans were not fully aware of the magnitude of some threats (e.g. fisheries). Additionally, the type of community of interviewees was the characteristic that seemed to influence answers the most. These results highlight the need for further research on the socio-economic factors affecting perceptions and attitudes. Also, it is essential to improve population knowledge on marine ecosystems and sharks and their threats, in order to try to engage them in their protection.

Descrição

Tese de mestrado em Ecologia Marinha, Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa, 2020

Palavras-chave

Conservação marinha Pequenos estados insulares em desenvolvimento Sistemas socio ecológicos Questionários África Ocidental Teses de mestrado - 2020

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