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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Nas últimas décadas deste século tem sido dada importância
crescente ao Planeamento Familiar. Trata-se de um assunto pertinente
que envolve vastas implicações do ponto de vista de desenvolvimento
social, na medida em que tem em conta necessidades actuais como a
limitação dos nascimentos devido a uma demografia elevada e devido à
escassez de recursos. Por outro lado, tem em consideração também o
ponto de vista pessoal, uma vez que se trata de uma questão que envolve
decisões relativas a aspectos profissionais, aspirações particulares,
qualidade e estilos de vida, entre outras (McLaren, 1997).
Nos primeiros decénios do séc XX, e a par da emergente
consciência dos direitos das mulheres, deu-se o início do movimento
contraceptivo (Lewinhson, 1956; McLaren. 1997; Rebelo, 1987).
Reconheceu-se à mulher o direito de regular a sua fertilidade, tendo em
conta outros valores que não somente os da maternidade e procriação.
Mais ainda, foi-lhe reconhecido e assistido o direito de regular o número
de filhos e escolher a altura certa para os ter, de acordo com as suas
circunstâncias. Este reconhecimento começou a partir da fundação, na
Grã-Bretanha, em 1921, da primeira organização promotora do controlo
individual da fertilidade, tendo em conta a liberdade da mulher e dos
casais — Society for Construtive Birth Control and Racial Progress.
O movimento contraceptivo acima referido e todas as subsequentes
investigações destinadas ao desenvolvimento de métodos de limitação de
nascimentos cada vez mais eficazes, deu lugar a uma perspectiva mais
recente. Uma perspectiva que contempla o estudo dos aspectos
ideossincráticos e centrada em processos mais internos, ou seja. nos
determinantes psicológicos da tomada de decisão e da adesão às
prescrições no controlo da natalidade (McLaren, 1997).
Com efeito, dadas algumas necessidades prementes da mulher
contemporânea, como a actividade profissional, a promoção na carreira, a
auto-determinação e a valorização pessoal, que a impelem a decidir
quantos filhos deseja ter e quando os vai ter, torna-se relevante perceber
quais os determinantes, ou mediadores, dessa tomada de decisão, bem
como o próprio processo de decisão. As significações sobre o
planeamento familiar, sobre o que são e como funcionam os diversos
métodos anti-conceptivos, bem como a percepção da sua eficácia,
conveniência, disponibilidade, interferência na saúde em geral e na
sexualidade, a par do aprofundamento da compreensão dos processos cognitivos, e consequentes implicações emocionais e atitudinais, da
pessoa que faz, ou que decide fazer, planeamento familiar, entre outros,
são pontos importantes que ainda hoje permanecem pouco estudados.
Deste modo pretendeu-se estudar uma amostra de mulheres a
partir de uma população que frequenta uma consulta de planeamento
familiar num Centro de Saúde e explorar as suas significações
relacionadas com a contracepção.
Foram usadas duas entrevistas clínicas semi-estruturadas, uma
antes e outra depois da opção contraceptiva, e escalas de Likert . Os
resultados foram comparados com um grupo de controlo constituído por
mulheres retiradas da mesma população mas apenas entrevistadas
depois da opção contraceptiva.
Assim sendo, este trabalho tem como objectivos genéricos
precisamente:
• Caracterização, da amostra, em termos demográficos, em termos
do tipo de M.C. escolhido e tendo em conta percepções relacionadas com
os métodos em si e confirmação de alguns determinantes já estudados
por outros autores
• Análise e classificação desenvolvimentista das significações
individuais sobre P.F.
• Análise e classificação desenvolvimentista das significações
sobre o processo de tomada de decisão
• Comparação dos resultados dos dois grupos de mulheres em
termos da distribuição por níveis de desenvolvimento do processo de
tomada de decisão, e da eficácia dessa mesma tomada de decisão.
Descrição
Dissertação de Mestrado em Psicoterapias e Psicologia da Saúde apresentada à Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, 1997
Palavras-chave
Teses de mestrado - 1997 Psicologia da saúde Métodos contraceptivos Planeamento familiar Contracepção feminina Contracepção masculina
