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Orientador(es)
Resumo(s)
O presente estudo procura contribuir para o debate, no domínio da psicolinguística, em torno da origem do conhecimento linguístico e da natureza das
representações e processos sobre os quais assentam as produções linguísticas infantis.
A questão em análise é se o desenvolvimento do conhecimento da morfologia de
flexão em termos de número, se baseia em categorias e regras gramaticais abstractas,
i.e., se se encontram simbolicamente representadas, ou se a aprendizagem de padrões de
associação é mais adequada à explicação dos dados de aquisição, procurando-se
estender a discussão deste estudo aos pressupostos de uma perspectiva de tradição
racionalista, em contraposição com uma abordagem de cariz construtivista.
Utilizando tarefas de natureza experimental, explorou-se o conhecimento da
flexão de número ao nível do nome, comparando o padrão e ritmo de aquisição e
desenvolvimento das diferentes regras identificadas pela linguística portuguesa, em
tarefas com palavras reais e com pseudo-palavras. Procurou-se ainda analisar o
conhecimento das regras de concordância morfo-sintáctica entre vários elementos da
frase e explorou-se a compreensão do contraste nominal singular/plural.
No trabalho experimental encontrara-se diferenças na aquisição e facilidade de
domínio dos diversos paradigmas de pluralização, sugerindo a influência de factores
como a possibilidade de segmentação, a frequência das regularidades, a consistência
com que surgem no input linguístico e a distância perceptiva entre a terminação
fonológica da forma singular ao significante do monema do plural.
Os erros de sobrerregularização observados e a natureza das respostas na tarefa
de pseudo-palavras, parecem sugerir que durante algum tempo o único padrão
sistemático extraído do input linguístico corresponde ao conjunto de alternâncias mais
frequentes, produtivas e segmentáveis, o acrescentar ou retirar /-s/. As restantes, com
palavras reais, evidenciaram um padrão de aquisição progressivo e gradual que, em
algumas categorias do nome, não parece alcançar um domínio produtivo.
Termina-se discutindo que aspectos dos dados parecem vir de encontro a cada
um dos modelos teóricos apresentados, quer no domínio da aquisição da morfologia de
flexão, quer em termos de pressupostos gerais sobre a aquisição linguística, propondo-se
a continuação do trabalho empírico por forma a esclarecer questões que os presentes
resultados não permitiram clarificar.
Descrição
Tese de Mestrado em Psicologia (Psicologia Cognitiva) apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 2002
Palavras-chave
Teses de mestrado - 2002 Produções linguísticas infantis Flexão de número Língua portuguesa Psicolinguística
