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A relação pedagógica no ensino de enfermagem : concepções pedagógicas implícitas no discurso das alunas à saída de um bacharelato em enfermagem, e após um período de experiência profissional

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Resumo(s)

Se a transição do ensino secundário para o superior é, em termos de mudança, bastante significativa para o aluno, provavelmente quando o curso que se escolheu (ou aquele em que se entrou) é de carácter profissionalizante, integrando uma componente técnica e a consequente aprendizagem de competências (skills) até aí desconhecidas, essa transição será sentida de forma mais intensa do que nos cursos ditos de «papel e lápis». Paralelamente a esta transição, já de si nem sempre fácil de experienciar, o aluno tem de se confrontar com outros contextos e situações de índole mais vasta, que igualmente podem contribuir para que o recém-chegado ao ambiente profissional se sinta ainda mais «perdido». Um dos exemplos destes referentes contextuais é a explosão tecnológica que «invadiu» o campo da saúde obrigando os profissionais, nas diversas áreas, a adaptações constantes nas quais a formação tem um papel preponderante, quer se trate da formação contínua de profissionais do «terreno» quer de docentes que terão que articular a evolução dos cuidados de saúde com as propostas de formação. Os sistemas de cuidados de saúde mudaram igualmente e continuam a evoluir rapidamente, devido em grande parte às mudanças de atitudes e necessidades dos clientes. Para dar resposta aos problemas colocados por esta evolução exige-se profissionais com uma formação cada vez mais abrangente, capazes de lidar não só com as mudanças tecnológicas ocorridas nos cuidados de saúde, mas também com as necessidades mais sofisticadas dos utentes que cada vez mais se envolvem na «gestão» da sua saúde, numa perspectiva de auto-cuidado individual e familiar. Estes utentes necessitam de profissionais sensatos e maturos, duas características que a formação não pode fornecer. O que o processo formativo pode fornecer são os instrumentos e as experiências através dos quais os sujeitos se podem tornar sensatos e maturos (BEVIS, 1989). Este isomorfismo entre as práticas de formação e as práticas do real assume especial relevo no papel que a relação pedagógica vivenciada poderá ter na formação de profissionais que devem exercer a sua função dentro de perspectivas humanistas de «care». Pela nossa experiência docente neste nível de ensino, afigura-se-nos que a generalidade dos alunos ao iniciar um curso de Enfermagem, nível de bacharelato, não tem uma noção muito clara da realidade profissional. Por ventura influenciados por estereótipos ligados à profissão, por motivações altruístas ligadas à vontade de ajudar os outros, por contactos com os serviços de saúde ou outras motivações, acreditamos que poucos estudantes iniciam o curso por razões conscientes e conhecimento esclarecido das exigências que envolvem o exercício da profissão, e/ou das características dos planos curriculares. Esta situação pode condicionar formas de estar na escola e de encarar a relação pedagógica. (...)

Descrição

Dissertação de Mestrado em Ciências da Educação, área de Análise e Organização do Ensino, 1996

Palavras-chave

Teses de mestrado - 1996 Processos e estruturas educativas Relações professor-aluno Enfermagem Ensino superior politécnico

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