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Bem-estar, regulação de necessidades psicológicas e processo psicoterapêutico : integrando a perspetiva dos pacientes

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Resumo(s)

O presente estudo insere-se no domínio da Psicologia Clínica, mais especificamente, no domínio da Psicoterapia, particularmente no que diz respeito à relação entre a Psicoterapia e o Bem‑Estar. Pretende-se explorar e compreender como é que, na perspetiva de ex-pacientes, o processo psicoterapêutico pode contribuir para o Bem- ‑Estar e para identificar dimensões do Bem‑Estar que são relevantes para descrever as suas experiências de psicoterapia. Parte-se do pressuposto da centralidade das pessoas que fizeram processos psicoterapêuticos como informantes privilegiados acerca das suas experiências de psicoterapia bem como do que sentem e identificam como Bem‑Estar. Partindo de uma perspectiva qualitativa e usando a Grounded Theory, analisaram-se os contributos de 16 ex-pacientes de psicoterapia (com perspetivas teóricas diversas), contributos estes recolhidos através de entrevistas semiestruturadas e de posteriores feedbacks. A amostra foi recolhida entre ex-pacientes de psicoterapia, realizada em contexto de prática privada. Os resultados revelam que os participantes no estudo refletem sobre o contributo positivo do processo psicoterapêutico na construção do seu Bem‑Estar de modo reflexivo e crítico mostrando como este processo é simultaneamente uma experiência exigente e difícil e um processo profundamente transformador que não termina com o fim da psicoterapia. Na experiência de Bem‑Estar, os participantes valorizam a importância da paz e serenidade, da felicidade, da liberdade e da abertura, o ter relações significativas com os outros e o sentir-se centrado no presente, retirando prazer no seu dia a dia. Ao refletirem sobre o modo como a psicoterapia aumentou o Bem‑Estar, os participantes referem que tal aconteceu porque a psicoterapia promoveu um conjunto de melhorias sintomáticas mas também e mais aprofundadamente um conjunto de melhorias na relação com outras pessoas e na relação consigo próprios. Em relação às melhorias na relação consigo próprios, as experiências de aceitação, compreensão e atribuição de sentido, de desenvolvimento de si próprios, da sua confiança em si, no seu valor e nas suas competências para lidarem consigo mesmos, são experienciadas como centrais. O modo como a relação psicoterapêutica, bem como as contribuições ativas dos terapeutas e as suas próprias contribuições no processo terapêutico interagem são aprofundadas na reflexão dos participantes. São sublinhadas por um lado, a importância de a atividade e diretividade do terapeuta não colocar em causa a liderança do paciente do processo e por outro a consciência reflexiva dos participantes da importância da qualidade da sua participação. Todos estes aspetos reafirmam a importância de se conhecer a perspectiva dos ex-pacientes e de considerar a sua reflexividade na compreensão do Bem-Estar e da prática clínica.
This study in the field of clinical psychology, more specifically in psychotherapy, deals with the relationship between psychotherapy and well-being. The aim of the research is to explore and understand how, from the perspective of former patients, the psychotherapeutic process has contributed to their well-being, as well as to identify significant dimensions of well-being that characterize the experience of psychotherapy. The study also intends to link the aspects identified with the proposals of the Paradigmatic Complementarity Model. This study sees patients as privileged informers regarding their own psychotherapy experience as well as how they experience and identify well-being. Using the qualitative methodology of Grounded Theory, we analyzed the contributions of 16 former patients of different psychotherapists from different psychotherapeutic schools. These accounts were collected through semi-structured interviews and subsequent feedback. The sample was selected from former patients of a private psychotherapy practice. The results showed that these participants reflected on the positive contribution of the psychotherapeutic process in enhancing their well-being in a mindful and critical way. The findings show that the therapeutic process is both a difficult experience and a profoundly transformative process that does not finish with the end of the therapy. In their experience of well-being, participants described valuing the importance of: peace and serenity; happiness; freedom and openness; significant relations with others; and being centered on the present time and experiencing some pleasure in their daily life. Participants maintained that the psychotherapy had increased their well-being, not only due to improvement in symptoms but, more significantly and at a deeper level, they talked about how it led to improvements both in their relationship with themselves and with others. Central aspects of the improvements in participants’ relationships with themselves include: the sense of acceptance, understanding and meaning making, in their self-development, and self-competency in dealing with themselves. The interaction between the therapists’ active involvement and the patients’ own contributions to the process, were subject to deep reflection by the participants. What the participants highlighted were, on one hand, the importance of the therapists’ activity and directivity without compromising the patients’ leadership in the process and, on another hand, the patients’ reflexive consciousness about the importance of the quality of their participation. All these aspects reaffirm the significance of knowing and understanding the participants’ perspectives and of taking their reflexivity regarding well-being into consideration in the search for a better understanding of well-being and clinical practice.

Descrição

Tese de doutoramento, Psicologia (Psicologia Clínica), Universidade de Lisboa, Faculdade de Psicologia, 2016

Palavras-chave

Teses de doutoramento - 2016

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