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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Rural Cape Verdeans employ a number of mutual-help practices to mitigate the
uncertainties surrounding activities fundamental to their subsistence. One of these
practices is djunta mon (‘to work together’), a loosely planned, non-monetized system of
allocating labor at peak intervals during the growing season. By means of djunta mon,
neighbors or family members work in each other’s fields until the tasks of every landowning
participant are complete. Alongside djunta mon in rural Cape Verde exist a
number of other non-remunerated mutual-help practices, such as djuda mutua (‘mutual
help’) and laja kaza (‘to add concrete to one’s house’). While less visible than djunta
mon, they are nonetheless important in completing tasks essential to rural life in the
islands. In this thesis, I will attempt to show how Cape Verdean immigrants in Lisbon
have adapted the mutual-help practices of rural Cape Verde to a new, transnational
context. The iterations of these practices in Lisbon differ from their rural counterparts in
that they involve fewer people, occur on a year-round basis, and are concerned primarily
with domestic work. They also help people find employment, access childcare, secure
interest-free credit, and construct or repair houses. I will argue that extensive mutual-help
ties ensure Cape Verdean migrants in Lisbon a sufficient pool of family and friends upon
which they can rely for support and assistance. An additional element I will explore is the
perception among Cape Verdean immigrants that these mutual-help practices seem to be
occurring with less frequency. While this shift is in part due to the availability of other
means of support, I will contend that the changing attitude of Cape Verdeans towards
mutual help is also due to their encountering neoliberal notions of ‘self-accountability.’
Thus, Cape Verdeans perceive that their mutual-help practices are in decline, while
simultaneously needing the material support that they provide.
Os cabo-verdianos em meio rural servem-se de uma série de práticas de ajuda mútua, nas actividades fundamentais à sua subsistência, para mitigarem as incertezas que lhes estão associadas. Uma dessas práticas é o djunta mon («trabalhar juntos»), um sistema flexível que garante mão-de-obra não remunerada durante os períodos de alta da estação agrícola. Por meio do djunta mon, vizinhos ou familiares trabalham nos campos uns dos outros até as tarefas de cada proprietário estarem completas. Para além do djunta mon existe em Cabo Verde uma série de outras práticas de ajuda mútua, tais como djuda e laja kaza («lajear casa»). Embora menos visível do que o djunta mon, elas são fundamentais para realizar tarefas essenciais à vida rural das ilhas. Nesta tese, vou tentar mostrar como os imigrantes cabo-verdianos adoptaram as práticas de ajuda mútua de Cabo Verde num novo contexto. As interacções destas práticas em Lisboa diferem das suas homólogas rurais, já que elas envolvem menos pessoas, ocorrem durante o ano inteiro e prendem-se principalmente com tarefas domésticas. Vou argumentar que os extensos laços de ajuda mútua garantem aos imigrantes cabo-verdianos um conjunto de familiares e amigos com que podem contar para apoio e assistência. Um elemento adicional que explorarei é a percepção entre os imigrantes cabo-verdianos que essas práticas de ajuda mútua parecem estar a ocorrer com menos frequência. Enquanto esta mudança é em parte devida à disponibilidade de outros tipos de apoio, vou afirmar que esta atitude entre cabo-verdianos é também devida à presença de noções neoliberais de «auto-responsabilidade». Assim, os cabo-verdianos entendem que as suas práticas de ajuda mútua estão em declínio, ao mesmo tempo que precisam do apoio material que elas fornecem.
Os cabo-verdianos em meio rural servem-se de uma série de práticas de ajuda mútua, nas actividades fundamentais à sua subsistência, para mitigarem as incertezas que lhes estão associadas. Uma dessas práticas é o djunta mon («trabalhar juntos»), um sistema flexível que garante mão-de-obra não remunerada durante os períodos de alta da estação agrícola. Por meio do djunta mon, vizinhos ou familiares trabalham nos campos uns dos outros até as tarefas de cada proprietário estarem completas. Para além do djunta mon existe em Cabo Verde uma série de outras práticas de ajuda mútua, tais como djuda e laja kaza («lajear casa»). Embora menos visível do que o djunta mon, elas são fundamentais para realizar tarefas essenciais à vida rural das ilhas. Nesta tese, vou tentar mostrar como os imigrantes cabo-verdianos adoptaram as práticas de ajuda mútua de Cabo Verde num novo contexto. As interacções destas práticas em Lisboa diferem das suas homólogas rurais, já que elas envolvem menos pessoas, ocorrem durante o ano inteiro e prendem-se principalmente com tarefas domésticas. Vou argumentar que os extensos laços de ajuda mútua garantem aos imigrantes cabo-verdianos um conjunto de familiares e amigos com que podem contar para apoio e assistência. Um elemento adicional que explorarei é a percepção entre os imigrantes cabo-verdianos que essas práticas de ajuda mútua parecem estar a ocorrer com menos frequência. Enquanto esta mudança é em parte devida à disponibilidade de outros tipos de apoio, vou afirmar que esta atitude entre cabo-verdianos é também devida à presença de noções neoliberais de «auto-responsabilidade». Assim, os cabo-verdianos entendem que as suas práticas de ajuda mútua estão em declínio, ao mesmo tempo que precisam do apoio material que elas fornecem.
Descrição
Tese de mestrado, Antropologia Social e Cultural, 2012, Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa
Palavras-chave
Cabo Verde Lisboa Redes sociais Ajuda mútua Teses de mestrado - 2012
