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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
A história de Portugal está marcada por contactos intensos com outros povos e
mentalidades. A grande aventura da emigração portuguesa, que no seu início terá
acompanhado de muito perto os descobrimentos, levou-nos desde muito cedo para os
quatro cantos do mundo. Calcula-se que, actualmente, a população portuguesa e de
luso-descendentes residentes no estrangeiro ronde os cinco milhões de indivíduos, o
que representa um número considerável quando comparado com a totalidade dos
portugueses residentes em Portugal.
A partida, as viagens, a descoberta e a emigração são temáticas recorrentes da
história de Portugal. Nas páginas da História Trágico-Marítima (1735), corre um
lamento e um sofrimento infinito, com milhares de portugueses a padecerem as agruras
das viagens oceânicas, que Fernando Pessoa tão bem soube retratar no poema
«Quanto do teu sal, são lágrimas de Portugal.» ("Mar Português" - Mensagem)
(Jackson, K.V., 1997). As viagens assumem, neste sentido, uma importância
fundamental, sendo os portugueses confrontados, no decurso das mesmas, com novas
paisagens, linguagens e diferentes culturas. Duas da maiores obras-primas da nossa
literatura resultaram destas viagens - Os Lusíadas (1572) de Luís de Camões e a
Peregrinação (1614) de Fernão Mendes Pinto o que atesta a enorme influência que
estas tiveram a nível do imaginário português.
A história mais recente da emigração portuguesa continua a perpetuar, embora
de uma forma menos dramática e dolorosa, as vicissitudes da partida do solo pátrio.
Etimologicamente oriunda do latim "emigrare" que significa "sair de", mudar de
residência, a emigração está indissociavelmente ligada à separação. O sujeito ao
separar-se do seu país deixa para trás pessoas, lugares, sons, cheiros e outras
variadíssimas sensações sobre as quais estabeleceu as bases do seu desenvolvimento
psicológico.
Partir é separar-se, é deixar para trás um conjunto alargado de perdas que
povoam a história de vida dos emigrantes e à volta das quais se organizara em grande
parte as fantasias e os projectos sobre um possível regresso a Portugal. Quando tal
acontece, as dúvidas e as incertezas dos sujeitos com experiência migratória
manifestam-se em relação ao 'velho mundo", ao país de origem, de partida. É o
regresso à terra (dos seus pais), o finalizar de uma viagem, ou o princípio de uma
outra, em que se vive ou revive o confronto com o novo e o desconhecido, com todos
os riscos e ganhos que lhe são inerentes.
Se com os descobrimentos os portugueses alargaram os horizontes do
conhecimento europeu, dando novos mundos ao mundo, com a emigração
continuamos o movimento de descoberta, de outros países e continentes e, finalmente,
do nosso país, de nós próprios, na sequência de um regresso sempre fantasiado e
muitas vezes concretizado. (...)
Descrição
Tese de doutoramento em Psicologia (Psicologia Clínica), apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 2001
Palavras-chave
Psicologia do desenvolvimento Autonomia Identidade Jovens Emigração portuguesa Teses de doutoramento - 2001
