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Clima de escola : estudo de um caso: uma escola secundária nos arredores de Lisboa

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Resumo(s)

Neste trabalho pretendemos compreender uma escola secundária na sua vivência diária, com os seus problemas concretos, as ideias e projectos daqueles que nela trabalham, sofrem, mas também se divertem . Queríamos, em suma, captar o " clima de escola " de uma forma directa, destacando particularmente o papel dos valores e normas do estabelecimento. No primeiro capítulo explicitamos algumas definições acerca de organizações, tendo-se concluído que a melhor caracterização de estabelecimento escolar é a que acentua os objectivos organizacionais. Os objectivos e normas são influenciados pelos valores, mas vão, por outro lado, influenciar a estrutura, funcionamento e o clima da organização. Procuramos fazer um levantamento das principais correntes que se têm debruçado sobre o estudo das organizações tendo destacado a teoria da direcção (Taylor, Fayol, McGregor ) a Teoria sistémica (Bertalanffy), o modelo burocrático de Weber, a teoria funcionalisia de Merton e Parsons e o modelo de análise institucional de Lapassade e Lourau. No segundo capítulo faz-se uma abordagem da escola como uma organização específica, fazendo ressaltar as principais dimensões que o estudo de um estabelecimento educativo comporta. Ele pode ser assim considerado como um sistema social (abarcando elementos individuais, grupais e institucionais) ou como um sistema onde se destaquem estruturas, funcionamento e factores humanos (atitudes morais, clima, direcção, comunicação) . De entre os diversos modelos de análise, procura-se destacar aqueles que mais directamente se prendem com o estudo do clima de escola, particularmente os modelos sistémico, político e simbólico. Os dois últimos modelos revelaram-se muito frutuosos pois permitem captar fenómenos novos ou quase desconhecidos relativamente aos estabelecimentos escolares, tais como o "clima" e “cultura", expectativas, valores e interacções. Houve ainda ocasião para referir a perspectiva de escola assente no modelo de organização complexa e que apresenta a multidensionalidade de factores variáveis e a sua interdependência, a existência de estruturas formais e informais, a relação dos papeis e autoridade com as normas estabelecidas. Finalmente, e relacionado com o modelo burocrático, faz-se uma tentativa de explicitação de conceitos tais como o principio da eficiência aplicado à escola, destacando as diferenças entre escola e empresa quanto aos seus fins, meios, recompensas, avaliação, actores, direcção, participação, liderança, comunicação. O terceiro capítulo refere-se especificamente ao clima organizacional. Procura-se ver a raiz do conceito de " clima", salientando-se essa presença inicialmente, na psicologia industrial ou empresarial, muito antes de se estender a outras organizações. Houve aqui a preocupação de diferenciar a escola, como uma organização bem diversa de outras organizações e igualmente distinguir "clima" de "direcção" (o que nem sempre tem sido feito por muitos autores). Tentamos compreender a contribuição das várias ciências e correntes epistemológicas para a dilucidação do conceito de clima, particularmente a antropologia social e cultural e a teoria dos sistemas. A partir das várias definições de clima conseguiu-se extrair alguns elementos comuns tais como o contexto sócio-cultural, as atitudes, crenças, valores e normas das pessoas que actuam no interior de uma organização . O facto de haver vários autores (exemplo Katz Kahn) que não separam os conceitos de "clima" e “cultura" impeliu-nos a procurar aprofundar o problema, tendo constatado que há aspectos comuns aos dois conceitos ou campos tais como os valores, normas, crenças, objectivos, finalidades e a ideologia. Mas podemos também assinalar aspectos específicos de cada uma destas realidades : o clima referido à vida ou vivência dentro da organização e que a psico-sociologia permitirá captar de uma forma mais precisa; a cultura sendo constituída pelos artefactos ou produtos culturais criados pelos sujeitos e que são susceptíveis de objectivação em obras e criações e pode ser estudada atrvés de modelos etno-sociológicos. Assinala-se ainda o facto de muita teoria existente acerca do clima organizacional omitir não só os valores, normas, objectivos e finalidades da organização como tendendo geralmente a identificar clima com direcção e liderança. São ainda omitidas em muitos estudos variáveis importantes tais como as expectativas, ideologia, sistemas comunicacionais e outras "variáveis culturais". No caso concreto dos estudos acerca do “clima de escola" depara-se-nos não só com essa identificação generalizada entre clima e direcção, como ainda uma limitação quase exclusiva desses estudos referidos apenas aos professores e ignorando todos os outros intervenientes (exemplo Halpin e Croft, Anderson, Likert, Luc Brunet). (...)

Descrição

Tese de Mestrado em Ciências da Educação (Análise e Organização do Ensino), apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 1994

Palavras-chave

Teses de mestrado - 1994 Administração educacional Organizações Administração escolar Instituições educativas Clima Estudo de casos

Contexto Educativo

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