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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Neste trabalho pretendemos compreender uma escola secundária na sua vivência diária, com os seus problemas concretos, as ideias e projectos daqueles que nela
trabalham, sofrem, mas também se divertem . Queríamos, em suma, captar o " clima
de escola " de uma forma directa, destacando particularmente o papel dos valores e
normas do estabelecimento.
No primeiro capítulo explicitamos algumas definições acerca de organizações, tendo-se concluído que a melhor caracterização de estabelecimento escolar é a que
acentua os objectivos organizacionais. Os objectivos e normas são influenciados pelos
valores, mas vão, por outro lado, influenciar a estrutura, funcionamento e o clima
da organização.
Procuramos fazer um levantamento das principais correntes que se têm debruçado
sobre o estudo das organizações tendo destacado a teoria da direcção (Taylor, Fayol,
McGregor ) a Teoria sistémica (Bertalanffy), o modelo burocrático de Weber, a teoria
funcionalisia de Merton e Parsons e o modelo de análise institucional de Lapassade e
Lourau.
No segundo capítulo faz-se uma abordagem da escola como uma organização
específica, fazendo ressaltar as principais dimensões que o estudo de um
estabelecimento educativo comporta. Ele pode ser assim considerado como um sistema
social (abarcando elementos individuais, grupais e institucionais) ou como um
sistema onde se destaquem estruturas, funcionamento e factores humanos (atitudes
morais, clima, direcção, comunicação) .
De entre os diversos modelos de análise, procura-se destacar aqueles que mais
directamente se prendem com o estudo do clima de escola, particularmente os modelos
sistémico, político e simbólico. Os dois últimos modelos revelaram-se muito frutuosos
pois permitem captar fenómenos novos ou quase desconhecidos relativamente aos
estabelecimentos escolares, tais como o "clima" e “cultura", expectativas, valores e
interacções. Houve ainda ocasião para referir a perspectiva de escola assente no
modelo de organização complexa e que apresenta a multidensionalidade de factores
variáveis e a sua interdependência, a existência de estruturas formais e informais, a
relação dos papeis e autoridade com as normas estabelecidas.
Finalmente, e relacionado com o modelo burocrático, faz-se uma tentativa de explicitação de conceitos tais como o principio da eficiência aplicado à escola,
destacando as diferenças entre escola e empresa quanto aos seus fins, meios,
recompensas, avaliação, actores, direcção, participação, liderança, comunicação.
O terceiro capítulo refere-se especificamente ao clima organizacional.
Procura-se ver a raiz do conceito de " clima", salientando-se essa presença
inicialmente, na psicologia industrial ou empresarial, muito antes de se estender a
outras organizações. Houve aqui a preocupação de diferenciar a escola, como uma
organização bem diversa de outras organizações e igualmente distinguir "clima" de
"direcção" (o que nem sempre tem sido feito por muitos autores).
Tentamos compreender a contribuição das várias ciências e correntes
epistemológicas para a dilucidação do conceito de clima, particularmente a
antropologia social e cultural e a teoria dos sistemas.
A partir das várias definições de clima conseguiu-se extrair alguns elementos
comuns tais como o contexto sócio-cultural, as atitudes, crenças, valores e normas das
pessoas que actuam no interior de uma organização .
O facto de haver vários autores (exemplo Katz Kahn) que não separam os
conceitos de "clima" e “cultura" impeliu-nos a procurar aprofundar o problema,
tendo constatado que há aspectos comuns aos dois conceitos ou campos tais como os
valores, normas, crenças, objectivos, finalidades e a ideologia. Mas podemos também
assinalar aspectos específicos de cada uma destas realidades : o clima referido à vida
ou vivência dentro da organização e que a psico-sociologia permitirá captar de uma
forma mais precisa; a cultura sendo constituída pelos artefactos ou produtos culturais
criados pelos sujeitos e que são susceptíveis de objectivação em obras e criações e pode
ser estudada atrvés de modelos etno-sociológicos.
Assinala-se ainda o facto de muita teoria existente acerca do clima organizacional
omitir não só os valores, normas, objectivos e finalidades da organização como
tendendo geralmente a identificar clima com direcção e liderança. São ainda omitidas
em muitos estudos variáveis importantes tais como as expectativas, ideologia,
sistemas comunicacionais e outras "variáveis culturais". No caso concreto dos estudos
acerca do “clima de escola" depara-se-nos não só com essa identificação generalizada
entre clima e direcção, como ainda uma limitação quase exclusiva desses estudos
referidos apenas aos professores e ignorando todos os outros intervenientes (exemplo
Halpin e Croft, Anderson, Likert, Luc Brunet). (...)
Descrição
Tese de Mestrado em Ciências da Educação (Análise e Organização do Ensino), apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 1994
Palavras-chave
Teses de mestrado - 1994 Administração educacional Organizações Administração escolar Instituições educativas Clima Estudo de casos
