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Orientador(es)
Resumo(s)
O presente trabalho é um estudo exploratório sobre as características depressivas
no funcionamento psicótico, comparativamente a indivíduos clinicamente deprimidos,
através da aplicação de um inventário de depressão (Beck Depression Inventory - BDI).
A hipótese em teste é a de que existe na psicose uma depressão grave, com
expressão sintomatológica distinta da depressão. Para tal foram constituídas 4 amostras
de estudo, de 15 indivíduos cada, de ambos os sexos (36 mulheres e 24 homens) num
total de 60 sujeitos.
A amostra A, consiste de indivíduos com diagnóstico de esquizofrenia (de
acordo com o DSM IV) em regime de internamento de agudos num departamento de
psiquiatria da área de Lisboa e, portanto, em fase de descompensação clínica (com
média de 10 dias de internamento).
A amostra B, é constituída por indivíduos com diagnóstico de esquizofrenia,
compensados e seguidos em regime de consulta externa.
A amostra C é formada por sujeitos com diagnóstico de depressão (depressão
major, distimias) seguidos igualmente em consulta externa.
Por último, foi constituída a amostra D, que representa o grupo de controlo,
formada por indivíduos sem história de seguimento psiquiátrico ou psicológico.
Nenhum dos sujeitos apresentava duplo diagnóstico psiquiátrico ou orgânico, nem
adições associadas. A média de idades é de 35 anos (idade mínima de 20 anos e máxima
de 57 anos).
Espera-se que a amostra B e C obtenham resultados elevados na escala de
depressão, configurando a presença de um quadro depressivo, por oposição às amostras
A e D com baixos valores no BDI. Da mesma forma, espera-se que a análise da
constelação sintomática seja diferente em cada um dos grupos.
Foi utilizada estatística paramétrica na comparação dos resultados dos 4 grupos
no BDI, através do teste One-way ANOVA e do teste post-hoc de Bonferroni. Na
determinação do grau de depressão foi utilizada estatística não paramétrica, com a
utilização do teste de Qui-Quadrado. Foi realizada a análise factorial do BDI.
Da análise dos resultados alcançados, verificamos que existem diferenças
significativas (P< 0,01), na média dos resultados obtidos em cada uma das amostras.
Sendo que o grupo de controlo é o grupo que apresenta uma média de resultados
significativamente inferior à média dos resultados das outras amostras de estudo. As amostras A, B e C apresentam resultados elevados na escala de depressão,
configurando a presença de um quadro depressivo nas três amostras.
Da mesma forma, verificamos que os itens: estado de ânimo triste, sentimento
de fracasso, irritabilidade, incapacidade de trabalhar, fatigabilidade e diminuição da
libido, apresentam diferenças significativas entre os grupos.
Estes resultados indicam a presença de um quadro depressivo na psicose com
expressão sintomática diferente dos quadros clínicos de depressão propriamente dita.
Os resultados salientam, por outro lado, a continuidade e dinâmica no
funcionamento emocional do indivíduo. Permitem olhar para um outro lado da psicose,
e levantar novas questões relativas ao seu tratamento, tendo em conta a compreensão do
lado depressivo desta patologia.
The present work constitutes an exploratory comparative study on the depressive characteristics of psychotic relative to clinically depressed individuals, based on Beck’s Depression Inventory (BDI). The working hypothesis is that psychosis entails a serious depression with a different symptomatology from Depression. To test this hypothesis, we established 4 cohorts of 15 individuals of both genders each (36 female and 24 male). Cohort A consists of subjects with diagnosed schyzophrenia (according to DSM IV) in clinical acute phase and interned for an average of 10 days at a Psychiatry Department of a Lisbon Hospital. Cohort B consists of subjects diagnosed with schyzophrenia, compensated and followed in an open regime. Cohort C consists of subjects with diagnosed Depression (Major depression, Distimia), followed in an open regime. Cohort D is the control group, consisting of individuals without any psychiatric or psychologic history. None of the subjects showed any double diagnosis, psychiatric or organic, nor associated addictions. The average age is 35 years (with a minimum of 20-years old and a maximum of 57-years old). We predicted that cohorts B and C would show higher scores on the Depression scale in accordance with a depressive condition whereas cohorts A and D would score low on the BDI. Similarly, we expected the analysis of the general symptomatology to have a different outcome between 4 groups. Parametric statistical analysis was performed by way of the One-way ANOVA test and pot-Hoc Bonferroni test. For Depression scoring we used non-parametric statistics through Chi-Square testing. BDI factorial analysis was performed. The results show significant differences (P<0,01) between the average values in each cohort, being the control group the one with the lowest average scoring. Cohorts A, B and C reveal high depression scores confirming the depressive condition of all three groups. Also, we show significant differences between cohorts for the following characters: depressed mood, feeling of failure, irritability, inability to work, tiredness and libido reduction. These results indicate the presence of a depressive state in psychosis characterized by different symptomatology from Depression itself. Our results highlight aspects of continuity and dynamics in the individual’s emotional functioning. Enabling to view psychosis from an angle that integrates a comprehension of its depressive component, thus raising questions regarding therapeutical approaches.
The present work constitutes an exploratory comparative study on the depressive characteristics of psychotic relative to clinically depressed individuals, based on Beck’s Depression Inventory (BDI). The working hypothesis is that psychosis entails a serious depression with a different symptomatology from Depression. To test this hypothesis, we established 4 cohorts of 15 individuals of both genders each (36 female and 24 male). Cohort A consists of subjects with diagnosed schyzophrenia (according to DSM IV) in clinical acute phase and interned for an average of 10 days at a Psychiatry Department of a Lisbon Hospital. Cohort B consists of subjects diagnosed with schyzophrenia, compensated and followed in an open regime. Cohort C consists of subjects with diagnosed Depression (Major depression, Distimia), followed in an open regime. Cohort D is the control group, consisting of individuals without any psychiatric or psychologic history. None of the subjects showed any double diagnosis, psychiatric or organic, nor associated addictions. The average age is 35 years (with a minimum of 20-years old and a maximum of 57-years old). We predicted that cohorts B and C would show higher scores on the Depression scale in accordance with a depressive condition whereas cohorts A and D would score low on the BDI. Similarly, we expected the analysis of the general symptomatology to have a different outcome between 4 groups. Parametric statistical analysis was performed by way of the One-way ANOVA test and pot-Hoc Bonferroni test. For Depression scoring we used non-parametric statistics through Chi-Square testing. BDI factorial analysis was performed. The results show significant differences (P<0,01) between the average values in each cohort, being the control group the one with the lowest average scoring. Cohorts A, B and C reveal high depression scores confirming the depressive condition of all three groups. Also, we show significant differences between cohorts for the following characters: depressed mood, feeling of failure, irritability, inability to work, tiredness and libido reduction. These results indicate the presence of a depressive state in psychosis characterized by different symptomatology from Depression itself. Our results highlight aspects of continuity and dynamics in the individual’s emotional functioning. Enabling to view psychosis from an angle that integrates a comprehension of its depressive component, thus raising questions regarding therapeutical approaches.
Descrição
Tese de mestrado em Psicologia (Área de especialização em Psicologia Clínica), apresentada à Universidade de Lisboa, através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 2007
Palavras-chave
Teses de mestrado - 2007 Psicose Depressão Esquizofrenia Psicanálise
