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Orientador(es)
Resumo(s)
Em 1938, António de Oliveira Salazar, o líder efetivo do autodenominado
Estado Novo ditatorial, disse a um dos seus admiradores
estrangeiros, o maurrassiano Henry Marris, que o seu objetivo era "levar
Portugal a viver habitualmente". Com isto queria dizer que os portugueses
tinham de ser realinhados - pela a força, se necessário - na sua trajetória
histórico-social "genuína", tal como era definida pelo regime conservador
autoritário numa reação direta a um século de liberalismo "importado
do estrangeiro" Embora a expressão seja, amiúde, tomada como mero
bon mot, Salazar revelar-se-ia extraordinariamente bem-sucedido no
cumprir desse objetivo. Indubitavelmente, terá sido o Estado Novo a
ditadura europeia nascida no período entre guerras que mais perto esteve
de alcançar o tipo ideal de uma sociedade "orgânica" assente na promoção
das hierarquias tradicionais, na imposição universal de uma "ordem"
social e moral conservadora e na desmobilização política da população.
Ao longo de mais de quatro décadas, a sociedade portuguesa viu-se
efetivamente obrigada a "viver habitualmente".
Descrição
Palavras-chave
Estado Novo Regime Autoritário
Contexto Educativo
Citação
Pinto, A. C., Simpson, D. (2023). O Portugal de Salazar: "Viver habitualmente" num regime autoritário. In Pine, L. (Ed.), Ditadura e Quotidiano na Europa do Século XX, pp. 145-168. Coimbra: Edições 70. (tradução portuguesa da ediçpão inglesa Dictatorship and daily life in twentieth-century Europe).
