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Cetaceans' occurence and behavioral patterns off the west portuguese coast

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Resumo(s)

O estudo dos cetáceos na costa continental portuguesa tem sido objecto de atenção de alguns investigadores portugueses durante o séc. XX, através da realização de diversas teses académicas, análise de dados de arrojamentos que focaram a ocorrência de espécies ao longo da costa e alguns aspectos de ecologia alimentar, e ainda projectos sobre interacção com artes de pesca. Tem sido também, e de forma continuada, estudada e monitorizada a população residente de golfinhos-roazes (Tursiops truncatus) do Estuário do Sado, actualmente constituída por 24 indivíduos identificados. Na última década, estudos no Norte do País apontam para a possibilidade de uma população residente de botos (Phocoena phocoena) na Figueira da Foz e no centro possivelmente ocorrem duas populações residentes na Arrábida e na Costa da Galé. Actualmente, o estudo de populações costeiras de golfinhos e baleias na costa Oeste de Portugal está a ser levado a cabo por algumas equipas de investigação que começam a publicar os resultados em conferências nacionais e internacionais e em algumas revistas da especialidade. No entanto, pouco se sabe ainda sobre as principais zonas de distribuição das espécies, de que forma utilizam os seus habitats e sobre estimativas de abundâncias para a costa continental portuguesa de Norte a Sul. No presente estudo, o principal objectivo foi compreender quais as espécies com maior ocorrência numa área de estudo composta por três zonas geográficas distintas (Póvoa de Varzim, Nazaré/Peniche e Sesimbra), e analisou-se a sua distribuição nessas mesmas áreas tendo em conta parâmetros ambientais como a temperatura do mar à superfície, a profundidade do local do avistamento e a distância à costa. Focando apenas golfinho-comum, descrito por vários autores como a espécie de maior ocorrência em Portugal continental, foi ainda feita uma descrição das principais actividades comportamentais nas zonas amostradas. A metodologia aplicada a este estudo baseou-se em saídas de mar para observação de cetáceos, tendo sido aproveitadas saídas de oportunidade (que aconteceram independentemente de projectos direccionados ao estudo de cetáceos) e saídas de investigação (inseridas em projectos da Escola de Mar e do Centro de Oceanografia). Em cada saída foi registada a espécie, a data e hora, a posição GPS, o tamanho do grupo, a presença de crias e as principais actividades comportamentais, bem como factores ambientais como a temperatura, a profundidade e a distância à costa. Apesar de não terem sido integrados na análise, dados como o estado do vento e do mar e a presença de aves marinhas foram também registados. No total foram realizadas 100 saídas de mar que perfizeram um total de 18 647 minutos de esforço e das quais resultaram 81 avistamentos independentes de cetáceos, nas três regiões amostradas. Tal como esperado, a espécie com maior ocorrência foi golfinho-comum (Delphinus delphis), observado durante todo o ano em grupos de 1 a uma centena de indivíduos embora na maior parte dos casos em grupos de 1 a 10 animais, com a presença de crias. A esta espécie seguiram-se golfinho-roaz, golfinho-riscado (Stenella coeruleoalba), boto e baleia-anã (Balaenoptera acutorostrata). Em Sesimbra, golfinho-comum e golfinho-roaz distribuem-se de forma distinta, podendo ser considerada a existência de uma partição do habitat segundo características ecológicas distintas de ambas as espécies. Foram encontradas diferenças em relação a aspectos de dinâmica de grupos, como por exemplo na presença de crias (p<0,05), frequente em grupos de golfinho-comum (59%) e pouco frequente para golfinho-roaz (17%), bem como nas principais actividades comportamentais registadas. Golfinho-comum utiliza a área de estudo, principalmente a zona de Sesimbra, para todas as suas actividades diárias como deslocação (54%), alimentação (29%), socialização (15%) e repouso (2%). Golfinho-roaz foi apenas observado em deslocação, embora deva ser considerada uma possível sobrevalorização desta actividade, já que a deslocação é inerente à alimentação e os indivíduos têm obrigatoriamente de se deslocar entre zonas de alimentação, dada a distribuição irregular dos cardumes de que se alimentam. Foram também observadas diferenças significativas em relação às zonas de distribuição de ambas as espécies, nomeadamente na análise dos parâmetros profundidade (p<0,05) e distância à costa (p<0,05). Os grupos de golfinho-comum observados distribuíram-se em zonas de maior profundidade (min.=25m, máx.=400m, x=96,15m, d.p.=67,23, n=50) e mais afastadas de costa (mín.=409m, máx.=19.491m, x=6.308m, d.p.=5.313, n=59) enquanto os grupos de golfinho-roaz se distribuíram em zonas pouco profundas (min.=5m, máx.=180m, x=50,78m, d.p.=73,48, n=9) e mais próximo de costa (min.=232 m, máx.=12.700 m, x=3.162m, d.p.=3.728, n=13). Uma preferência por diferentes presas pode contribuir para estes resultados, evitando assim competição directa por recursos entre ambas as espécies. Por outro lado, é também colocada a hipótese dos grupos de golfinho-roaz utilizarem a área de Sesimbra como um corredor de deslocação entre as suas principais áreas de ocorrência. Esta zona geográfica tem características especiais à ocorrência de cetáceos, não só pelo seu carácter de protecção relativamente a algumas actividades humanas dado pelo Parque Marinho Luiz Saldanha, mas também pela existência dos canhões de Setúbal e de Lisboa que lhe garantem uma produtividade elevada e consequentemente uma importante riqueza marinha. Também em Sesimbra, golfinho-comum foi avistado em associação a golfinho-riscado. Esta última espécie de hábitos oceânicos pode aproximar-se de costa seguindo presas pelágicas e assim formar grupos mistos que eventualmente lhe permitem um maior sucesso na captura de alimento. Golfinho-comum foi também observado numa área muito próxima a baleia-anã e, fora do nosso esforço de amostragem, a acompanhar a deslocação de uma baleia-corcunda. Apesar de não ser nosso objecto de estudo, é de interesse revelar que foram observados vários golfinhos-comum com cortes na barbatana dorsal na Nazaré e em Sesimbra, bem como uma baleia-anã enredada e ferida por um cabo. A maior limitação deste estudo foi a utilização de saídas de mar nem sempre direccionadas à observação de cetáceos, dificultando por vezes a recolha dos dados, bem como o número distinto de amostras recolhidas em cada zona da área de estudo, não possibilitando uma comparação geográfica. Outra falha que deverá ser colmatada nas próximas campanhas relaciona-se com a metodologia aplicada ao estudo do comportamento a qual deverá ser dedicada. No caso de golfinho-comum, a análise dos seus padrões comportamentais é ainda pouco estudada a nível global e a aposta nessa área de estudo tem bastante interesse. De futuro prevê-se o desenvolvimento do estudo de cetáceos na zona centro, que se pretende continuado e cada vez mais consistente, através da utilização de transectos os quais já estão delineados para a área de Sesimbra. Só através desta metodologia será possível estimar a abundância das espécies e calcular o tamanho das populações. Será também organizado um catálogo de foto-identificação para as espécies golfinho-comum e golfinho-roaz, de forma a compreender possíveis padrões de residência sazonais ou permanentes. Por outro lado, é essencial que as fotografias de golfinho-roaz sejam comparadas com as das barbatanas já identificadas dos indivíduos do Estuário do Sado. Dada a proximidade entre a população residente e golfinhos oceânicos é de extrema relevância que se verifique através, deste método, se estará a ocorrer algum nível de interacção entre grupos. Sugere-se ainda, como projecto futuro, uma análise das interacções com artes de pesca na zona centro de Portugal continental. Estudos sobre populações costeiras de cetáceos devem ser alvo de maior atenção na costa continental portuguesa. É sabido que um número significativo de espécies utiliza águas continentais portuguesas mas não estão identificados os parâmetros ecológicos que definem esse uso. Abundância, padrões de residência, uso de habitat, actividades comportamentais, estatuto de conservação, entre outros temas, devem ser a base para as questões futuras que devem ser colocadas, estudadas e respondidas.
The present study analyzes the occurrence of cetaceans off the West Portuguese Coast between 2007 and 2009. A total of 100 boat-based surveys were conducted in a study area composed by three locations (Póvoa de Varzim (41ºN), Nazaré/Peniche (39ºN) and Sesimbra (38ºN)), from which resulted 81 independent sightings of cetaceans. Five species were observed: common dolphin (Delphinus delphis), bottlenose dolphin (Tursiops truncatus), striped dolphin (Stenella coeruleoalba), harbour porpoise (Phocoena phocoena) and minke whale (Balaenoptera acutorostrata). Common dolphin was the most frequent species followed by bottlenose dolphin and the distribution of these two species was analyzed within the same geographic area where habitat partitioning seems to be occurring. Group dynamics (including group size, presence of calves and behavioural activities) and habitat parameters (including SST, depth and distance from shore) were compared. Differences were found for the presence of calves, behavioural activities, depth and distance from shore, possibly due to ecological differences between species. A description of behavioural activities of common dolphin was also promoted in order to understand the behavioural patterns of the species. Travelling was the most observed activity, followed by feeding, socializing and resting, namely in Sesimbra where the species seems to conduct all its daily life activities. Mixed groups of common dolphin and striped dolphin were registered three times in the same location and can be considered an advantage for striped dolphin, an oceanic species that approach to coast sporadically. During our campaign, several common dolphins presented injuries in its dorsal fins and one minke whale was entangled in cables and fishing nets. Cetaceans’ research along the Portuguese coast has a lot of topics that should be studied in the near future, namely abundance, patterns of residency, habitat use, behavioural patterns and conservation status.

Descrição

Tese de mestrado. Biologia (Ecologia Marinha). Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências, 2010

Palavras-chave

Mamíferos aquáticos Golfinhos Portugal Teses de mestrado - 2010

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