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Autores
Resumo(s)
It has been long recognized that the poor distinction between /l/ and /ɾ/ is one
of the most perceptible characteristics in Chinese-accented Portuguese. Recent
empirical research revealed that this notorious L2 speech learning difficulty
goes beyond the confusion between two L2 categories, as L1-Mandarin learners’
acquisition of Portuguese /l/ and /ɾ/ seems to be subject to the interaction
among different prosodic positions, speech modalities and representational
levels. This thesis aims to deepen our current understanding of this L2 speech
learning process, by exploring what constrains the development of L2
phonological categories across syllable positions and how different modalities
interact during this process. To achieve this goal, both experimental tasks and
theoretical modelling were employed.
The first study of this thesis explores the role of cross-linguistic influence
and orthography on L2 category formation. In order to elicit cross-linguistic
influence directly, a delayed-imitation task was performed with L1-Mandarin
naïve listeners. This task examined how the Mandarin phonology parses the
Portuguese input ([l], [ɾ]) in intervocalic onset and in word-internal coda
position. Moreover, whether orthography plays a role during the construction
of L2 phonological representation was tested by manipulating the input types
that were given in the experiment (auditory input alone vs. auditory + written
input). Our study shows that naïve Mandarin listeners’ responses corroborated
with that of L1-Mandarin learners, suggesting that cross-linguistic influence is
responsible for the observed L2 prosodic effects. Moreover, the Mandarin [ɻ] (a
repair strategy for /ɾ/) occurred almost exclusively when the written form was
given, providing evidence for the cross-linguistic interaction between
phonological categorization and orthography during the construction of L2
categories.
In the second study, we first investigate the interaction between speech
perception and production in L2 speech learning, by examining whether the L2
deviant productions stem from misperception and whether the order of
acquisition in L2 speech perception mirrors that in production. Secondly, we
test whether L2 phonological categories remain malleable at a mid-late stage of
L2 speech learning. Two perceptual experiments were performed to test L1-Mandarin learners on their discrimination ability between the target
Portuguese form and the deviant form employed in L2 production. Expanding
on prior research, in this study, the perceptual motivation for L2 speech
difficulties was assessed in different syllable constituents (onset and coda) and
at both segmental and suprasegmental levels (structural modification). The
results demonstrate that some deviant forms observed in L2 production indeed
have a perceptual motivation ([w] for the velarised lateral; [l] and [ɾə] for the
tap), while some others cannot be attributed to misperception (deletion of
syllable-final tap). Furthermore, learners confused the intervocalic /l/ and /ɾ/
bidirectionally in perception, while in production they never misproduced the
lateral (/ɾ/ → [l], */l/ → [ɾ]), revealing a mismatch between two speech
modalities. By contrast, the order of acquisition (/ɾ/coda > /ɾ/onset) was shown to
be consistent in L2 perception and production. The correspondence and
discrepancy between the two speech modalities signal a complex relationship
between L2 speech perception and production. To assess the plasticity of L2
categories /l/ and /ɾ/, two groups of L1-Mandarin learners who differ
substantially in terms of L2 experience were recruited in the perceptual tasks.
Our study shows that both groups behaved similarly in terms of the
discrimination performance. No evidence for a role of L2 experience was found.
The implication of this null result on L2 phonological development is discussed.
The third study of the thesis aims to contribute to bridging the gap between
the L2 experimental evidence and formal theories. Adopting the Bidirectional
Phonology and Phonetics Model, we formalise some of the experimental
findings that cannot be elucidated by current L2 speech theories, namely, the
between and within-subject variation in L2 phonological categorization; the
interaction between phonological categorization and orthography during L2
category construction; and the asymmetry between L2 perception and
production.
Overall, this thesis sheds light on the complex nature of L2 phonological
acquisition and provides a formal account of how different modalities interact
in shaping L2 speech learning. Moreover, it puts forward testable predictions
for future research and suggestions for improving foreign language
teaching/training methodologies.
É bem conhecido o facto de as trocas associadas a /l/ e /ɾ/ constituírem uma das caraterísticas mais percetíveis no português articulado pelos aprendentes chineses. Recentemente, estudos empíricos revelam que a dificuldade por parte dos aprendentes chineses não se restringe à discriminação moderada entre as duas categorias da L2, dado que a aquisição de /l/ e /ɾ/ do português por aprendentes chineses parece estar sujeita à interação entre contextos prosódicos, entre modalidades de fala e entre níveis representacionais diferentes. Esta tese visa aprofundar a nossa compreensão deste processo da aquisição fonológica L2, explorando o que condiciona o desenvolvimento das categorias fonológicas L2 em diferentes constituintes silábicos e de que modo as modalidades interagem durante este processo, recorrendo para tal a tarefas experimentais bem como a formalização teórica. O primeiro estudo averigua o papel da influência interlinguística e o da ortografia na construção das categorias de L2. Para elicitar a influência interlinguística diretamente, uma tarefa de imitação retardada foi aplicada aos falantes nativos do mandarim sem conhecimento de português, investigando assim como a fonologia do mandarim categoriza o input do português ([l], [ɾ]) em ataque simples intervocálico e em coda medial. Para além disso, a influência ortográfica na construção de representações fonológicas em L2 foi examinada através da manipulação do tipo do input apresentado na experiência (input auditivo vs. input auditivo + ortográfico). Os resultados da situação experimental em que os participantes receberam input de ambos os tipos replicaram o efeito prosódico observado na literatura, evidenciando a interação entre categorização fonológica e ortografia na construção das categorias de L2. No segundo estudo, investigamos a interação entre a perceção e a produção de fala na aquisição das líquidas do PE por aprendentes chineses e a plasticidade destas categorias fonológicas, respondendo às questões seguintes: 1) as produções desviantes de L2 resultam da perceção incorreta? 2) a ordem da aquisição em L2 é consistente na perceção e na produção? 3) as categorias da L2 permanecem maleáveis numa fase intermédia da aquisição? Duas tarefas percetivas foram conduzidas para testar a capacidade percetiva dos aprendentes nativos do mandarim em relação à discriminação entre a forma alvo do português e as formas desviantes utilizadas na produção. No presente estudo, a motivação percetiva das dificuldades em L2 foi testada nos constituintes silábicos diferentes (ataque simples e coda) e nos níveis segmental e suprassegmental (modificação estrutural). Os resultados demonstram que algumas formas desviantes que os aprendentes chineses produzem têm uma motivação percetiva (i.e. [w] para a lateral velarizada; [l] e [ɾə] para a vibrante alveolar), enquanto outras não podem ser analisadas como casos de perceção incorreta (como é o caso do o apagamento da vibrante em coda). Para além disso, na posição intervocálica, os aprendentes manifestam dificuldade na discriminação entre /l/ e /ɾ/ de forma bidirecional, mas, na produção, a lateral nunca é produzida incorretamente (/ɾ/ → [l], */l/ → [ɾ]). Tal revela uma divergência entre as duas modalidades de fala. Por contraste, mostrou-se que a ordem da aquisição (/ɾ/coda > /ɾ/ataque) é consistente na perceção e na produção da L2. A correspondência e a discrepância entre as duas modalidades de fala, sinalizam uma relação complexa entre a perceção e a produção na aquisição fonológica de L2. Em relação à questão da plasticidade das categorias de L2, recrutaram-se para as tarefas percetivas dois grupos de aprendentes nativos do mandarim que se diferenciavam substancialmente em termos da experiência em L2. Não se encontrou um efeito significativo da experiência da L2. A implicação deste resultado nulo no desenvolvimento fonológico de L2 foi discutida. O terceiro estudo desta tese tem como objetivo contribuir para a colmatação das lacunas entre estudos empíricos de L2 e as teorias formais. Adotando o Modelo Bidirecional de Fonologia e Fonética, formalizamos os resultados experimentais que as teorias atuais da aquisição fonológica de L2 não conseguem explicar, nomeadamente, a variação inter e intra-sujeitos na categorização fonológica em L2; a interação entre categorização fonológica e ortografia na construção das categorias na L2; a assimetria entre a perceção e a produção na L2. Em suma, esta tese contribui com dados empíricos para a discussão da relação complexa entre a perceção, produção e ortografia na aquisição fonológica de L2 e formaliza a interação entre essas modalidades através de um modelo linguístico generativo. Além disso, apresentam-se predições testáveis para investigação futura e sugestões para o aperfeiçoamento das metodologias de ensino/treino da língua não materna.
É bem conhecido o facto de as trocas associadas a /l/ e /ɾ/ constituírem uma das caraterísticas mais percetíveis no português articulado pelos aprendentes chineses. Recentemente, estudos empíricos revelam que a dificuldade por parte dos aprendentes chineses não se restringe à discriminação moderada entre as duas categorias da L2, dado que a aquisição de /l/ e /ɾ/ do português por aprendentes chineses parece estar sujeita à interação entre contextos prosódicos, entre modalidades de fala e entre níveis representacionais diferentes. Esta tese visa aprofundar a nossa compreensão deste processo da aquisição fonológica L2, explorando o que condiciona o desenvolvimento das categorias fonológicas L2 em diferentes constituintes silábicos e de que modo as modalidades interagem durante este processo, recorrendo para tal a tarefas experimentais bem como a formalização teórica. O primeiro estudo averigua o papel da influência interlinguística e o da ortografia na construção das categorias de L2. Para elicitar a influência interlinguística diretamente, uma tarefa de imitação retardada foi aplicada aos falantes nativos do mandarim sem conhecimento de português, investigando assim como a fonologia do mandarim categoriza o input do português ([l], [ɾ]) em ataque simples intervocálico e em coda medial. Para além disso, a influência ortográfica na construção de representações fonológicas em L2 foi examinada através da manipulação do tipo do input apresentado na experiência (input auditivo vs. input auditivo + ortográfico). Os resultados da situação experimental em que os participantes receberam input de ambos os tipos replicaram o efeito prosódico observado na literatura, evidenciando a interação entre categorização fonológica e ortografia na construção das categorias de L2. No segundo estudo, investigamos a interação entre a perceção e a produção de fala na aquisição das líquidas do PE por aprendentes chineses e a plasticidade destas categorias fonológicas, respondendo às questões seguintes: 1) as produções desviantes de L2 resultam da perceção incorreta? 2) a ordem da aquisição em L2 é consistente na perceção e na produção? 3) as categorias da L2 permanecem maleáveis numa fase intermédia da aquisição? Duas tarefas percetivas foram conduzidas para testar a capacidade percetiva dos aprendentes nativos do mandarim em relação à discriminação entre a forma alvo do português e as formas desviantes utilizadas na produção. No presente estudo, a motivação percetiva das dificuldades em L2 foi testada nos constituintes silábicos diferentes (ataque simples e coda) e nos níveis segmental e suprassegmental (modificação estrutural). Os resultados demonstram que algumas formas desviantes que os aprendentes chineses produzem têm uma motivação percetiva (i.e. [w] para a lateral velarizada; [l] e [ɾə] para a vibrante alveolar), enquanto outras não podem ser analisadas como casos de perceção incorreta (como é o caso do o apagamento da vibrante em coda). Para além disso, na posição intervocálica, os aprendentes manifestam dificuldade na discriminação entre /l/ e /ɾ/ de forma bidirecional, mas, na produção, a lateral nunca é produzida incorretamente (/ɾ/ → [l], */l/ → [ɾ]). Tal revela uma divergência entre as duas modalidades de fala. Por contraste, mostrou-se que a ordem da aquisição (/ɾ/coda > /ɾ/ataque) é consistente na perceção e na produção da L2. A correspondência e a discrepância entre as duas modalidades de fala, sinalizam uma relação complexa entre a perceção e a produção na aquisição fonológica de L2. Em relação à questão da plasticidade das categorias de L2, recrutaram-se para as tarefas percetivas dois grupos de aprendentes nativos do mandarim que se diferenciavam substancialmente em termos da experiência em L2. Não se encontrou um efeito significativo da experiência da L2. A implicação deste resultado nulo no desenvolvimento fonológico de L2 foi discutida. O terceiro estudo desta tese tem como objetivo contribuir para a colmatação das lacunas entre estudos empíricos de L2 e as teorias formais. Adotando o Modelo Bidirecional de Fonologia e Fonética, formalizamos os resultados experimentais que as teorias atuais da aquisição fonológica de L2 não conseguem explicar, nomeadamente, a variação inter e intra-sujeitos na categorização fonológica em L2; a interação entre categorização fonológica e ortografia na construção das categorias na L2; a assimetria entre a perceção e a produção na L2. Em suma, esta tese contribui com dados empíricos para a discussão da relação complexa entre a perceção, produção e ortografia na aquisição fonológica de L2 e formaliza a interação entre essas modalidades através de um modelo linguístico generativo. Além disso, apresentam-se predições testáveis para investigação futura e sugestões para o aperfeiçoamento das metodologias de ensino/treino da língua não materna.
Descrição
Palavras-chave
Língua portuguesa - Estudo e ensino - Falantes do chinês Língua portuguesa - Fonologia Língua portuguesa - Fonética Língua portuguesa - Pronúncia por estrangeiros Percepção de fala Teses de doutoramento - 2021
