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Reading No Country for Old Men and The Road: Trauma in Contemporary Literature and Cinema

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Resumo(s)

Barely has literature failed to inspire the concept of trauma. Nor has trauma been a trivial cogitation for literature. This reciprocation, which is ingrained in the ineludible alliance between the two, has given rise to innumerable masterpieces throughout the history of literature from classic works of Homer to the modernist works of Woolf, Faulkner, and Hemingway. Nonetheless, trauma studies were not formulated in literature until two decades ago, which shapes an uncanny question mark never to be erased. Cormac McCarthy’s traumatic footprint in literature is as inerasable as the very same question mark, insofar as most, if not all, of his canon has been indelibly imbued with the notion of trauma. His characters seem to have a uniquely innovative bearing of traumatization, which is rarely found with that weight in other analogous works of literature. Chigurh, called the “prophet of destruction” by McCarthy himself in No Country for Old Men (2005), punches a hole into the forehead of his victims, leaving his vile mark metaphorically on the decaying civilization. Ballard in Child of God (1973), in what is termed as necrophilia, makes love to his victims, while judge Holden in Blood Meridian (1985) kills children, collects scalps, and never dies. This traumatic road eventually boils down to The Road (2006) in which everything comes to naught: an ashen apocalypse. Lending themselves to widespread critical acclaim, the novels No Country for Old Men and The Road did not fail to lend themselves to silver screen translations, which were indebted to the directorial efforts of the Coen brothers and John Hillcoat in 2007 and 2009, respectively. The narratives, textually or visually, are densely informed, if not formed, by the notion of trauma, which consolidates not only the bond between the two novels but also the traumatic trajectory from the novels to the films. It is thus through a thoroughgoing analysis of trauma and its footprints that a mastery of the inner workings, mysteries, and thematics of the aforementioned narratives will come to life, which is what the present dissertation aspires to achieve. Composed of three chapters, the foregoing dissertation sets out to initially establish the theoretical framework for trauma notions in chapter one whose application will shape the arguments of chapters two and three for the novels/films No Country for Old Men and The Road, respectively.
A literatura raramente deixa de servir de inspiração a um qualquer conceito de trauma. De igual forma, o trauma não é uma cogitação trivial para a literatura. Esta reciprocidade, que está enraizada na ineludível aliança entre os dois, deu origem a inúmeras obras-primas ao longo da história da literatura, desde obras clássicas de Homero até às obras modernistas de Woolf, Faulkner e Hemingway. Não obstante, os estudos de trauma começaram a surgir com maior incidência na literatura nas duas últimas décadas, o que dá forma a um ponto de interrogação inquietante, que nunca é apagado. A pegada traumática de Cormac McCarthy na literatura é tão inextinguível como esse mesmo ponto de interrogação, na medida em que a maioria, se não a totalidade, do seu cânone está indelevelmente imbuída da noção de trauma. As suas personagens parecem ter uma ligação única e inovadora com o trauma, que raramente é encontrado com este peso noutras obras análogas da literatura. Chigurh, apelidado de “profeta da destruição” pelo próprio McCarthy em No Country for Old Men (2005), faz um buraco na testa das suas vítimas, deixando metaforicamente a sua marca vil na civilização decadente. Ballard em Child of God (1973), no que é denominado de necrofilia, faz amor com as suas vítimas, enquanto o juiz Holden em Blood Meridian (1985) mata crianças, colecciona escalpes, e nunca morre. Esta traumática estrada acaba por levar a The Road (2006), na qual tudo se reduz a nada: um apocalipse de cinzas. Tendo sido aclamados pela crítica em geral, os livros No Country for Old Men e The Road foram igualmente levados ao grande ecrã através dos esforços de realização dos irmãos Coen e de John Hillcoat, em 2007 e 2009, respectivamente. Estas narrativas, textuais e visuais, são densamente informadas, se não formadas, pela noção de trauma, que consolida não só a ligação entre os dois romances, mas também a trajetória traumática desde os romances até aos filmes. É, portanto, através de uma análise aprofundada do trauma e das suas pegadas que um domínio sobre o funcionamento interior, os mistérios e as temáticas das narrativas acima mencionadas ganhará vida, que é o que a presente dissertação aspira a alcançar. O primeiro capítulo deste estudo visa fornecer um repertório teórico do discurso do trauma sobre o qual se basearão os argumentos subsequentes dos capítulos dois e três. Assim, este capítulo fará uma primeira incursão num domínio de definição de trauma, a fim de assegurar inicialmente um nicho para a compreensão primária do conceito de trauma. Como é expectável, esta linha de incursões incluirá as correntes de pensamento de Cathy Caruth, conhecida como um das principais nomes dos estudos de trauma e que introduziu inicialmente a estética do trauma no reino da literatura através seu livro seminal Unclaimed Experience: Trauma, Narrative and History (1996). Baseado fortemente no pensamento freudiano, a análise do discurso de Caruth sobre o trauma terá recurso a fundamentos como a essência espectral do trauma e a sua não-referencialidade ou temporalidade perdida. Revelando o misterioso ângulo de flashbacks, o capítulo abordará as posições críticas de pensadores de trauma como Hustvedt, para não mencionar a famosa noção de “compulsão de repetição”, cuja criação é creditada a Freud. A “realidade” de Lacan, como um argumento exegético pertinente, será aqui adicionalmente discutida, abordando a natureza inassimilável do encontro traumático. A premente visualidade do trauma e o seu assoberbante mutismo daí resultante relembram o pensamento crítico de Hartman, que se baseia no “Boy of Winander” de Wordsworth. Uma das maiores contribuições para a poética do trauma é a de LaCapra, cujo ensaio seminal “Trauma, Absence, Loss” (1999) tem reunido um grande número de seguidores. A dicotomia “ausência/perda” de LaCapra será um prelúdio para a dicotomia “reagir/resolver”, que virá igualmente à luz neste capítulo. A crítica testemunhal, com o seu profundo enfoque nas formas como as vítimas de trauma podem desenvolver um mecanismo de libertação dos seus traumas é outro constituinte deste capítulo, que englobará nomes como Felman (1991), Marder (2006), Laub e Podell (1995). Além disso, o capítulo lançará luz sobre a noção de atraso, ligando-o aos nomes de pensadores como Freud (1939), Caruth (1996) e Laplanche (2001). Em desacordo com o pensamento clássico sobre o trauma, encontra-se a nova escola do trauma, através das vozes de Balaev (2008, 2014) e Belau (2001), que proporcionam novas perspectivas tais como crescimento, renascimento e resiliência no discurso do trauma. Injustamente, o trauma planeia a sua incursão de igual forma na psique imaculada das crianças, advindo daí o conceito de trauma infantil, que irá formular outra grande corrente analítica neste capítulo. Esta corrente dependerá principalmente dos pensamentos críticos de Reviere (1996) e Shengold (1989), que teorizaram abundantemente sobre este tema. “O Estranhamente Familiar”, como uma noção difundida em muitas obras literárias, e particularmente no cânone de McCarthy, raramente se distanciou da estética do trauma. Dito de outra forma, o laço inabalável entre o “estranhamente familiar” freudiano e a ficção do trauma tem sido um reduto do qual muitas obras-primas inigualáveis têm nascido. Informando o próprio epicentro do discurso do “estranhamente familiar”, a morte e a repetição parecem falhar às vítimas do trauma em todas as frentes possíveis. Estes elementos assombrosos que alimentam os tropos traumáticos serão a linha argumentativa na qual se basearão a maioria dos argumentos teóricos deste capítulo. O segundo capítulo da dissertação terá como objetivo trazer à luz os diálogos entre o quadro teórico previamente construído no capítulo um e os traumas que moldaram a narrativa de No Country for Old Men. Uma boa parte dos argumentos de trauma deste capítulo gira em torno de Chigurh, o “profeta da destruição”, e de como este, enquanto fantasma do trauma, tanto caça como atormenta as demais personagens de uma forma brutal e robótica, usando uma assombrosa arma de abater gado que faz um buraco na testa das suas vítimas. Alicerces do trauma tão diversos como a espectralidade, a crítica testemunhal, a ausência/perda, o trauma intergeracional, o crescimento e “o estranhamente familiar” irão emergir na fase crítica dos nossos argumentos. Tendo orquestrado os diálogos esteticamente significantes entre o mundo do trauma e No Country for Old Men de McCarthy, este capítulo dirigir-se-á para o mundo visual dos irmãos Coen. A análise visual, devo enfatizar, será apenas seletiva ao longo de todo o capítulo, na medida em que apenas investigará os momentos traumáticos previamente elucidados no texto de McCarthy. Numa linha semelhante, o terceiro capítulo da presente dissertação visará o modo exegético relacional entre os tropos do trauma e a obra The Road de McCarthy. Centrada num apocalipse temporalmente vago, a narrativa parece ser propensa ao tropo de trauma de não-referencialidade ou à temporalidade perdida. Temporalidade à parte, McCarthy faz com que todos os traumas, canibalismo e infanticídio, ocorram a uma personagem que é ainda uma criança, daí a adequação das discussões sobre traumas infantis. Além disso, o capítulo irá lançar luz sobre o testemunho e os seus constituintes, principalmente ouvir e falar, que parecem funcionar melhor que nunca através dos espaços traumáticos da narrativa apocalíptica. Todos os esforços do par de colectores não visam senão a sobrevivência, que é outro tropo do trauma, daí a formulação de outra parte deste capítulo à luz deste conceito. Todos estes momentos textuais de trauma se prestarão a uma análise visual, tendo como âmago os esforços de realização de John Hillcoat. Ao colocar os fundamentos teóricos para o discurso sobre o trauma no primeiro capítulo e ao moldar a dialética que se segue entre este capítulo e os particulares tropos do trauma das narrativas do corpus nos capítulos dois e três, a atual dissertação não terá por objetivo apenas desvendar os mistérios, os códigos e a temática que se encontram sob a superfície de No Country for Old Men e The Road de McCarthy, mas tentará também descobrir a própria estética visual, em momentos traumáticos seletivos, através da qual os irmãos Coen e Hillcoat fixaram as suas assinaturas nestes filmes.

Descrição

Palavras-chave

McCarthy, Cormac, 1933- - Personagens McCarthy, Cormac, 1933- - Adaptações cinematográficas Coen, Joel, 1954- - Crítica e interpretação Coen, Ethan, 1957- - Crítica e interpretação Hillcoat, John, 1961- - Crítica e interpretação McCarthy, Cormac - 1933-..... No Country for Old Men McCarthy, Cormac - 1933-... The Road Romance americano - séc.20 - História e crítica Trauma - Na literatura Cinema e literatura Cinema - Estética Teses de mestrado - 2021

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