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Resumo(s)
Na África Austral, mais da metade da sua superfície é ocupada por floresta aberta e savana arborizada. As florestas de Miombo e de Mopane são das mais representativas em África e cobrem mais de 80% do território angolano. Inúmeros produtos florestais lenhosos (i.e., madeira, carvão e lenha) e não lenhosos (i.e., medicamentos, alimentos, fibras, óleos e resinas) em diversos países africanos são extraídos e valorizados pelas comunidades rurais e urbanas, com um impacto socioecómico na economia e, sobretudo, na renda das famílias mais pobres.
A população africana está a crescer exponencialmente, particularmente nas zonas urbanas, mas não acompanhado com o desenvolvimento económico, uma vez que aumenta o índice de desemprego, baixando o poder de compra. Grande parte das pessoas que vivem nas comunidades rurais recorrem à exploração de produtos florestais para subsistência, vendendo os mesmos aos habitantes das zonas urbanas, para a obtenção da renda familiar. Esses produtos são vendidos nos mercados dos centros urbanos, periferias e ao longo das estradas. A valorização dos produtos florestais, sobretudo em África, é uma mais-valia, mas a sustentabilidade e o impacto decorrente da utilização desses recursos tem sido palco para muitas discussões, ao nível global. Neste contexto, a presente tese, dividida em seis capítulos, abordou um conjunto de questões relacionadas com a valorização e impacto da utilização dos produtos florestais lenhosos e produtos florestais não lenhosos alimentares no sudoeste de Angola.
O capítulo 1, introdutório, apresenta o estado da arte, caracterização da área de estudo e os objectivos da tese. Os capítulos 2 e 3, debruçaram-se sobre a dinâmica do uso do solo e do impacto da utilização dos produtos florestais lenhosos, na evolução das florestas, sobretudo do carvão. Analisaram-se as tendências das mudanças na cobertura do solo no sudoeste de Angola nas últimas décadas (1990-2019), que podem estar relacionadas com a dinâmica social e demográfica nesta região. As principais transições da cobertura do solo ocorreram no sentido de floresta (floresta de Miombo e floresta de Mopane) para savana, de savana para agricultura e solo nu, significando desflorestação e degradação florestal. A tendência inversa também ocorreu, principalmente no período da guerra civil (1990-2000). Taxas de desflorestação anual muito altas foram obtidas, em particular na última década (2009-2019) no município de Cacula. As cidades cresceram exponencialmente, triplicando a área urbana, principalmente a cidade do Lubango, enquanto o município de Cacula cresceu a área agrícola. Zonas reflorestadas, para além do êxodo rural durante o período de guerra, podem indicar maior fiscalização governamental e latifúndios, enquanto as zonas severamente desflorestadas podem estar ligadas a um aumento das vias de comunicção, infraestruturas e centros urbanos. O carvão é um dos produtos florestais mais consumidos pela população urbana na região, sendo que cada família rural produtora de carvão pode usar 17 a 26 hectares de floresta por ano. Outros resultados importantes obtidos foram em relação à evolução das florestas. A floresta de Mopane pode levar mais tempo para a regeneração quando comparada com a floresta de Miombo, uma vez que desenvolve em zonas de clima e solo menos favoráveis. No entanto, o corte selectivo das espécies carbonizáveis nas duas formações não afecta significativamente a biodiversidade, ao contrário da actividade agrícola, uma vez que uma parte do caule e da raiz das árvores abatidas permanece no solo e todas as espécies regeneram por toiças.
Nos capítulos 4 e 5, são referidas alternativas de utilização dos produtos florestais mais sustentáveis, em particular através da valorização dos produtos florestais não lenhosos alimentares. Foram estudados dois tipos de produtos dentre os mais comercializados ao longo do ano na região sudoeste de Angola, nomeadamente folhas de plantas silvestres, denominadas “lombi” e cogumelos selvagens, respectivamente. Como resultado, foi possível caracterizar morfologicamente as espécies, as técnicas de colheitas, de armazenamento e de venda dos produtos alimentares pelas comunidades. Foi também possível identificar as propriedades nutricionais e bioativas importantes, inclusive o perfil molecular no caso dos cogumelos, quase todos pela primeira vez em Angola.
Os estudos sobre as alterações do coberto do solo, e o efeito da exploração das espécies lenhosas na estrutura e composição das florestas, podem auxiliar nas medidas de gestão dos recursos florestais. Além disso, uma maior valorização dos recursos florestais não lenhosos pelas populações de Angola é uma mais-valia na mitigação dos impactos que advêm da exploração dos recursos florestais.
Descrição
Palavras-chave
Biomassa Degradação florestal Desflorestação Produtos florestais não lenhosos Segurança alimentar Biomass Deforestation Food security Forest degradation Non-timber forest products
