| Nome: | Descrição: | Tamanho: | Formato: | |
|---|---|---|---|---|
| 6.2 MB | Adobe PDF | |||
| 10.81 MB | Adobe PDF |
Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
A recente reforma curricular introduziu no plano legislativo
algumas alterações que exigem que sejam repensados os modelos e as
práticas de planificação nas nossas escolas. Verifica-se, em diversos textos
legais, a existência de uma tendência para uma maior descentralização nos
processos de tomada de decisão curricular e para uma participação mais
activa de todos os intervenientes no processo educativo.
Esta tendência começa a esboçar-se desde logo na Lei de Bases do
Sistema Educativo (Lei n° 26/86, de 14 de Outubro). Pode ler-se no Artigo
3° (Princípios organizativos), alínea 1):
"Contribuir para desenvolver o espírito e a prática democráticos.
através da adopção de estruturas e processos participativos na
definição da política educativa, na administração e gestão do sistema
escolar e na experiência pedagógica quotidiana, em que se integram
todos os intervenientes no processo educativo, em especial os
alunos, os docentes e as famílias" .
Na alínea i) do artigo 7° (Objectivos do ensino básico) da mesma lei
pode ler-se:
"Proporcionar a aquisição de atitudes autónomas, visando a
formação de cidadãos civicamente responsáveis e democraticamente
intervenientes na vida comunitária".
Em coerência com o disposto na Lei de Bases do Sistema Educativo
(LBSE) acima transcrito, os programas de Língua Portuguesa do 3° ciclo do
ensino básico afirmam que: "cada professor apresentará e negociará com as suas turmas uma
versão da programação que tenha em conta a natureza dos projectos
de trabalho, a idade, a maturidade e a experiência anterior dos alunos
e que respeite as finalidades, objectivos e conteúdos definidos. (...)
Uma gestão participada da programação pelo professor e pelos alunos
favorece o gosto pelo ensino-aprendizagem e garante sentidos para o
percurso pedagógico." (vol. II, pág.9)
No mesmo programa pode ler-se também:
"Uma programação, ao ser negociada por professor e alunos é mais
facilmente assumida pela turma e tende, por isso, a mobilizar
energias, a valorizar saberes e a anular possíveis resistências. É pois
desejável associar os alunos à gestão do programa, permitindo-lhes
que planifiquem, em função de períodos de tempo estabelecidos, quer a sua actividade pessoal, quer a actividade dos grupos ou da
turma, dentro ou fora da escola.
Nesta gestão partilhada, os alunos desenvolvem o sentido das
responsabilidades, aprendendo a prever, a organizar e avaliar o seu
próprio trabalho. No confronto entre aquilo que projectam e aquilo
que realmente concretizam, os alunos tomam consciência dos
percursos de aprendizagem efectuados e tornam-se
progressivamente mais aptos a respeitar compromissos.
Assim, professor e alunos estabelecerão consensos sobre:
- temas de estudo;
- obras de leitura integral/orientada;
- projectos a desenvolver no âmbito da disciplina ou pluridisciplinares;
- modos de articulação do trabalho da turma com o plano de
actividades da escola; - interacções possíveis com o meio; (...)
Aponta-se assim, claramente, para um modelo de planificação
negocial/contratual, em que os alunos tenham um papel activo na
tomada de decisão, que se pretende consensual. Na qualidade de Assistente da cadeira de Organização e
Desenvolvimento Curricular do Ramo de Formação Educacional da
Faculdade de Letras de Lisboa (formação inicial de professores), entendo
ser meu dever desenvolver nos meus alunos, futuros professores de
Língua Portuguesa no 3º ciclo do ensino básico e no ensino secundário,
saberes e competências no âmbito da planificação conformes com os
princípios enunciados nos textos legais citados. Isto é, saberes e
competências que lhes permitam praticar com os seus alunos um modelo
de planificação negocial/contratual, em cujo processo a participação activa
e democrática dos alunos permita encontrar consensos no respeito não só
por conteúdos e objectivos programáticos como também pelos seus
interesses e necessidades diversificadas.(...)
Descrição
Tese de mestrado em Ciências da Educação (Análise e Organização do Ensino), apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 1995
Palavras-chave
Teses de mestrado - 1995 Pedagogia Métodos pedagógicos Educação - Fins e objectivos Modelos de planificação Escolas modernas
