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As características relacionais do trabalho e o bem-estar dos enfermeiros hospitalares

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Resumo(s)

Esta tese explora as associações entre o desenho relacional do trabalho e o bem-estar dos enfermeiros hospitalares. As características relacionais do trabalho (CRT) têm vindo a ser objeto de uma atenção crescente, com a transição da sociedade para uma economia de serviços. Paralelamente, assiste-se a uma tendência no sentido da abordagem positiva aos fenómenos organizacionais. Os enfermeiros hospitalares constituem o grupo mais numeroso de profissionais de saúde, sendo uma população largamente estudada em termos dos riscos psicossociais a que estão expostos. Desta forma, torna-se importante o estudo das relações entre a componente relacional do trabalho de enfermagem e o bem-estar destes profissionais de saúde. O projeto desta tese engloba quatro estudos empíricos cujos objetivos incluem: 1) a validação de um instrumento de medida dos efeitos psicológicos das CRT; 2) a exploração do contributo único dos efeitos psicológicos das CRT na explicação do bem-estar laboral, para além de outras variáveis do desenho do trabalho largamente pesquisadas; 3) o estudo das relações entre os efeitos psicológicos das CRT e indicadores de bem-estar laboral e geral; 4) a pesquisa das associações entre os efeitos psicológicos das CRT e o vínculo afetivo face ao hospital, através do bem-estar no trabalho dos enfermeiros hospitalares. Este projeto apoia-se, em termos teóricos, em modelos e teorias largamente aceites no campo da psicologia organizacional, e mais especificamente no âmbito da psicologia da saúde ocupacional, de onde se destacam o modelo das Exigências-Controlo do Trabalho (Job Demands-Control; JD-C), o modelo de Exigências-Recursos do Trabalho (Job Demands-Resources; JD-R), a teoria de Conservação de Recursos (Conservation of Resources; COR) e a teoria da Troca Social (Social Exchange Theory; SET). O primeiro estudo consistiu na validação da Escala dos Efeitos Psicológicos das CRT, com 620 enfermeiros hospitalares (335 portugueses e 285 brasileiros), que demonstrou boas qualidades psicométricas em ambas as amostras. Verificou-se que os três fatores da escala, i.e., o impacto social percebido, o valor social percebido e o compromisso afetivo face aos clientes se mostravam constructos independentes, com bons índices de consistência interna. O segundo estudo, realizado com 409 enfermeiros hospitalares, demonstrou o contributo específico do valor social percebido e do impacto social percebido, na explicação da variância do bem-estar laboral (i.e., engagement no trabalho e burnout1) destes profissionais, para além do contributo das exigências quantitativas e do controlo do trabalho, variáveis do modelo JD-C largamente estudadas em pesquisa anterior. Este estudo mostrou a importância da inclusão das variáveis do desenho relacional do trabalho nos estudos do bem-estar dos enfermeiros hospitalares, particularmente relevante no que diz respeito ao engagement no trabalho e ao cinismo, onde mostraram um valor incremental explicativo superior ao demonstrado pelas variáveis do modelo JD-C. No terceiro estudo foram exploradas as relações entre os efeitos psicológicos das CRT, o bem-estar laboral e o bem-estar geral, com duas amostras de enfermeiros hospitalares (335 portugueses e 285 brasileiros). Os resultados mostraram que o valor social percebido, em ambas as amostras, estava associado a níveis mais elevados de engagement no trabalho e menores de burnout, o que, por sua vez, se encontrava associado a níveis mais elevados de satisfação na vida e saúde percebida – o bem-estar no trabalho revelou-se um mecanismo explicativo nas relações entre o valor social percebido e o bem-estar geral dos enfermeiros. Na amostra portuguesa também o engagement no trabalho evidenciou um papel semelhante, explicando as relações entre o impacto social percebido e o compromisso afetivo face aos clientes e o bem-estar geral dos enfermeiros. Estas diferenças evidenciadas pelos resultados obtidos nas amostras dos dois países chama a atenção para a importância e necessidade de realização de estudos transculturais, como forma de explorar o comportamento das variáveis e fenómenos organizacionais nos diferentes países e culturas. No quarto e último estudo deste projeto foram exploradas as relações entre os efeitos psicológicos das CRT, o engagement no trabalho e o compromisso afetivo dos enfermeiros (N=335) face ao hospital. Procurou-se, desta forma, explorar os possíveis resultados positivos para os hospitais, face aos resultados positivos para os enfermeiros mostrados nos estudos anteriores. E, efetivamente, os efeitos psicológicos das CRT mostraram uma relação significativa com o vínculo afetivo dos seus enfermeiros, através do engagement no trabalho destes profissionais. No seu conjunto, os estudos que compõem este projeto, apontam no sentido do contributo positivo dos efeitos psicológicos das CRT, tanto para os enfermeiros como para os hospitais onde estes desenvolvem o seu trabalho. Desta forma, os nossos resultados indiciam que uma atenção ao desenho relacional do trabalho, pode contribuir para uma maior perceção, por parte dos enfermeiros, do impacto e do valor atribuído ao seu trabalho, bem como para um maior vínculo afetivo aos seus clientes. Este estímulo das CRT poderá refletir-se ao nível do bem-estar destes profissionais e do seu vínculo afetivo ao hospital onde trabalham, contribuindo para o fomento de locais de trabalho saudáveis.

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características relacionais do trabalho impacto social percebido valor social percebido, desenho do trabalho, bem-estar, enfermeiros desenho do trabalho bem-estar enfermeiros

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