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Hegelianism in Portugal – History, Philosophy and Politics (c. 1865-1933)

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Resumo(s)

This study focuses on the manifestation of Hegelianism as a current of thought, always multiple and varied, in the Portuguese intellectual landscape. It will encompass the dimensions of history, philosophy and politics, which are areas of knowledge and practice, but also present their own social and cultural spheres, where those thoughts sprang to life. The chronology of reference embraces a time of deep transformations, corresponding to the 1870´s generation up until the new political course in 1933 (Salazarism), which makes Hegel's thought all the more interesting. Following the hypothesis that Hegelian developments in other cultural universes had, likewise, a reflex in Portugal, one of the main objectives of this study was the establishment of a possible typological framework. Since Hegel´s ideas came to be understood through a process of interpretation and appropriation, this will imply a hermeneutical perspective regarding the subject of Hegelianism. The modern approaches of studying history, especially from the point of view of theory, owe much to the Berlin philosopher, because many concepts meant to understand recent traits of historical reflection trace back to him. His dialectical understanding will leave a lasting imprint on the discipline of philosophy. Finally, the ideas behind political struggles found in him an effective and dynamic theoretical basis. This led intellectuals in Portugal to seek for the philosopher’s dialectical attitude, which I endeavor to demonstrate from a collection of different sources, mostly mediated by other cultures but also more directly through Germanized Portuguese nationals. These marks appear in a variety of contexts and take different forms, such as studies, correspondences, translations or even political discourses. One could conclude that Hegelian philosophical currents were of utmost importance in the thinking about modernity and, even if not as thoroughly understood or studied as other intellectual movements, will probably have the most enduring presence in the Portuguese context.
A tese aqui apresentada tem como foco as marcas do Hegelianismo em Portugal enquanto corrente intelectual, sobretudo nas três grandes áreas de conhecimento em que o pensamento do filósofo teve maior expressão, constituindo-se estas respectivamente como diferentes partes da tese. Primeiramente a história, tendo Hegel introduzido novas teorias a esse respeito através das concepções de historicidade e consciência histórica. Depois a filosofia, com inovações no foro da ontologia, epistemologia ou ainda da metafisica dialéctica que constituem importantes avanços perante toda a filosofia anterior e definem a filosofia moderna. Finalmente a política, que pela via da hermenêutica filosófica do pensado de Hegel deu lugar a diferentes interpretações e tipologias, com claras conotações sociais, políticas e jurídicas, as quais se fizeram também sentir no meio intelectual português. A cronologia de referência coloca o foco em primeiro lugar na geração de 70, que tem a sua gênese nos anos de 1865, quando muitos dos estudantes dessa geração terminam os estudos e se mudam para Lisboa. Já a data de 1933 é o fim de um ciclo, pondo termo definitivo ao sistema demo-liberal tradicional, sendo um marco ideológico-político importante no Portugal contemporâneo ao dar lugar à institucionalização de um novo período, pelo que se considerou ser uma boa data para além da qual, dentro do possível, não se deveria alargar. O capítulo de introdução justifica essas escolhas e elucida os eixos directores da tese, bem como aponta preliminarmente os objetivos e hipóteses que guiaram a investigação. Nessa introdução também se apresentam as principais orientações metodológicos e perspectivas seguidas na elaboração da tese, que são as da 1. História Conceptual 2. História das Transferências Culturais 3. Teoria e Estética da Recepção 4. Hermenêutica e Constelações Intelectuais. Na parte relativa à história (I.), o primeiro capitulo (1.) começa por abordar as transferências intelectuais, uma vez que o hegelianismo dialoga com diferentes correntes intelectuais. Dessa forma o pensamento de Hegel chega a Portugal sobretudo mediado por outras culturas, em vez de diretamente da Alemanha, com origens tão diversas como França, Espanha, Itália ou Inglaterra e também em menor grau de outros espaços como Suíça, Bélgica ou o norte da Europa. Ainda assim não se descartam contactos mais directos com o espaço germânico, através de estudantes, diplomatas e figuras ligadas à cultura alemã. Esses encontros implicaram processos de adaptação e transformação, cujo estudo teve de ter em conta aspectos linguísticos, culturais e estéticos próprios da cultura e pensamento portugueses. Um segundo capitulo (2.) equaciona a relação entre o hegelianismo e diferentes teorias da história, visto que essa corrente de pensamento dialoga com várias outras, tendo consequentemente expressões no pensamento histórico de intelectuais portugueses como Antero de Quental, Adolfo Coelho ou Fidelino Figueiredo. Nesses autores podemos encontrar vários conceitos de filosofia da história como razão, consciência ou espirito histórico segundo as concepções do filósofo alemão. O capítulo subsequente (3.) aborda a nova concepção histórica de Hegel, com a sua noção de historicidade bem como um enfoque na consciência, e de como essas ideias vão ser apropriadas por vários intelectuais portugueses. Inicialmente, sobretudo entre os estudantes de Coimbra, desde José Júlio de Oliveira a Antero de Quental, intensificando-se depois a partir da geração de 70. A investigação histórica passa a olhar filosoficamente para o passado, no encalço da finalidade da história e dos seus movimentos, como por exemplo em Oliveira Martins ou Frederico Laranjo onde encontramos essa perspectiva. No hegelianismo sobressai ainda um sentido estético da história, pela sua dramatização enquanto palco onde o espírito se inteira da razão. A segunda parte (II.) da tese ocupa-se do Hegelianismo no contexto da filosofia em Portugal. O primeiro capítulo (4.) foca-se principalmente no ensino da filosofia, assim como em autores interessados por questões filosóficas, o que nos leva a outras áreas de conhecimento em que a filosofia teve papel de relevo. Para atestar o conhecimento da filosofia de Hegel foi considerado um vasto leque de autores e áreas temáticas, uma vez que esse conhecimento foi progressivo, com o interesse acentuado no seio da geração de 70, ainda que então a sua filosofia não fosse tão bem compreendida. Além da mediação cultural indirecta, também se explorou a possibilidade do um conhecimento da filosofia alemã mais directo, através de um contacto com o universo intelectual alemão, por exemplo em diplomatas, como Agostinho de Ornelas ou descendentes lusófonos, como o conde de Oriola. Os estudos de filosofia em Portugal tiveram um percurso de profissionalização difícil, sendo uma área de estudos marcada pelo autodidatismo. Foram estabelecidos cursos de filosofia apenas no século XX com a fundação das universidades de Lisboa e Porto, bem como a reforma da universidade de Coimbra, pelo regime republicano. Esse conhecimento incipiente levou a equívocos em relação ao entendimento da filosofia de Hegel que perduram no tempo, além de que paralelamente existem debates acerca das interpretações do pensamento do filósofo. Consequentemente, um outro capítulo (5.) atende a essas interpretações filosóficas, que se podem definir como diferentes tipologias do Hegelianismo e se inserem num contexto transnacional. Pelo que a investigação segue as tendências da hermenêutica filosófica, o que só vem elucidar essa conceção de um universo tipológico do hegelianismo, que encontramos noutros capítulos e em vários intelectuais portugueses. As correntes de pensamento moderno podem certamente associar-se a várias dessas interpretações, que de uma maneira ou outra se apropriam de algumas das tipologias hegelianas. Por fim, uma terceira parte (III.) do trabalho corresponde à dimensão política do hegelianismo, que é precisamente onde esse universo tipológico sobressai. Os alinhamentos ideológicos de diferentes grupos políticos deram lugar à inclusão de considerações filosóficas nos debates políticos. Nesse sentido, vários conceitos-chave do pensamento político moderno têm origem em Hegel, como por exemplo a sua nova concepção do trabalho ou ainda a teoria da sociedade civil. Nesse capítulo (6.) são aprofundadas essas ideias de acordo com três principais orientações políticas correspondentes ao socialismo, republicanismo-liberalismo e por fim ao conservadorismo. Cada uma delas apropriou Hegel de acordo com diferentes tradições, ainda que algumas sejam de mais difícil fundamentação, esse aspecto é, contudo, muitas vezes secundário para a sua mobilização política. Por fim, um último capítulo (7.) mostra paralelamente como essas ideias se manifestam na concepção e aparelho de estado, através da filosofia do direito ensinada nas universidades e nas instituições do poder de estado. O ensino da filosofia do direito próxima do pensamento alemão tem em Coimbra uma longa tradição, mantendo-se até bem tarde com Cabral Moncada, que era admirador de Hegel e da filosofia do idealismo alemão. Esse hegelianismo encontra ressonâncias por exemplo em Martens Ferrão, Frederico Laranjo ou Bernardino Machado, nomeadamente na intensa actividade política e decisões governamentais destes. Em suma, este capítulo demonstra como os políticos e teóricos do estado procuram, na dimensão social da filosofia de Hegel, inspiração para as reformas que julgam necessárias. No seguimento deste estudo, são então apresentadas as conclusões da tese, bem como assinalado o significado de Hegelianismo em Portugal. Em resumo, este vai seguir as tendências dessa corrente filosófica, mas adequada aos problemas próprios da realidade nacional, integrando o pensamento sobre a modernidade. Os intelectuais vão colher do Hegelianismo 1. novos modelos e concepções históricas, 2. renovar o conhecimento filosófico, 3. convocar essas ideias para as lutas ideológicas e políticas, que se apresentam no estudo do direito e no aparelho de estado.

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