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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Enquadramento: O cancro colorretal é o terceiro cancro mais comum a nível mundial, responsável por uma morbilidade e mortalidade significativas. Em 2020, foram notificados mais de 1,9 milhões de novos casos de cancro colorretal e 930 000 mortes. As projecções indicam que, em 2040, estes números poderão aumentar para 3,2 milhões de novos casos e 1,6 milhões de mortes. A ressecção cirúrgica continua a ser a principal abordagem no tratamento do cancro colorretal, sendo a cirurgia minimamente invasiva preferida devido às suas vantagens em relação à cirurgia aberta, como a redução do tempo de internamento, a diminuição das complicações perioperatórias e a redução dos custos hospitalares. Apesar destes benefícios, as complicações pós-operatórias continuam a representar um desafio substancial, afetando os resultados a curto e a longo prazo. Durante o internamento hospitalar, os marcadores inflamatórios são regularmente monitorizados para acompanhar a recuperação do doente a par das características clínicas, ajudando a prever complicações pós-operatórias e a recuperação precoce. Vários estudos estabeleceram cut-offs para a proteína C-reativa, neutrophil-lymphocyte ratio e procalcitonina para prever complicações, sendo que os níveis de proteína C-reativa no 4º dia de pós-operatório se correlacionam fortemente com a ausência de complicações infecciosas. Apesar de se reconhecer que os procedimentos minimamente invasivos estão associados a uma menor resposta inflamatória, os estudos previamente realizados no sentido de estabelecer cut-offs incluem frequentemente indicações cirúrgicas distintas e combinam abordagens minimamente invasivas e abertas, conduzindo a resultados heterogéneos. Existem poucas evidências centradas apenas na cirurgia minimamente invasiva ou nas abordagens robóticas, o que realça a necessidade de aumentar a investigação nestas áreas. Tendo em conta que é possível dar alta a um paciente com segurança no terceiro dia de pós operatório, ainda é necessário obter cut-offs de marcadores inflamatórios mais prematuros e seguros após cirurgia minimamente invasiva de cancro colorretal, de forma a aumentar a confiança e a segurança da decisão do médico no momento da alta precoce. Objetivo: O principal objetivo deste estudo é avaliar o potencial preditivo dos marcadores inflamatórios pós-operatórios na identificação de complicações precoces após cirurgia minimamente invasiva de forma eletiva para cancro colorretal. Os objetivos secundários incluem a identificação dos fatores de risco do paciente associados a complicações, a comparação entre abordagens cirúrgicas laparoscópicas e roboticamente assistidas e a avaliação do impacto das complicações pós-operatórias nas taxas de sobrevivência e nos outcomes oncológicos. Métodos: Foi efectuada uma análise retrospectiva dos dados de 397 doentes tratados na Fundação Champalimaud entre maio de 2012 e setembro de 2023. Os critérios de inclusão incluíram doentes com mais de 18 anos com adenocarcinoma colorretal primário adequado para ressecção curativa. Os critérios de exclusão foram cancro colorretal secundário, lesões benignas, outros tumores que não sejam adenocarcinomas, doença metastática e cirurgia aberta. Os marcadores inflamatórios, incluindo a proteína C-reativa, o neutrophil-lymphocyte ratio, o Glasgow prognostic score, entre outros, foram medidos no 1º, 3º e 5º dias de pós-operatório ou no dia da alta, caso tenha sido prévia ao 5º dia. O outcome primário estabelecido neste estudo foi o desenvolvimento de complicações pós-operatórias, classificadas pelo sistema Clavien-Dindo (≥ I). A análise estatística envolveu métodos univariados e multivariados, juntamente com a receiver operating characteristic curve para identificar fatores preditivos significativos e ainda com o modelo de Kaplan-Meier de forma a realizar análises de sobrevivência. Principais resultados: Dos 397 doentes, 217 (54,7%) eram do sexo masculino, com uma media de idades de 66,6 anos. As complicações pós-operatórias ocorreram em 29,2% (116 doentes), com complicações major (Clavien-Dindo ≥ III) em 11,3%. A análise univariada identificou os seguintes factores de risco: idade (p=0,004), índice de massa corporal (p=0,002), sexo masculino (p=0,019), tumores do reto (p=0,002), terapêutica neoadjuvante (p=0,0002), transfusão sanguínea (p=0,037) e doença microscópica residual (p=0,001). Conclusão: Este estudo evidenciou que o neutrophil-lymphocyte ratio, a proteína C-reativa e o Glasgow prognostic score no terceiro dia de pós-operatório podem prever complicações pós-operatórias em doentes submetidos a cirurgia minimamente invasiva para cancro colorretal. Níveis inferiores a 5,26 para o neutrophil-lymphocyte ratio, 125 mg/L para a proteína C-reativa e 2,12 para o Glasgow prognostic score mostraram uma elevada capacidade preditiva negativa, o que torna estes cut-offs recursos valiosos para o estabelecimento de critérios de elegibilidade padronizados no momento da alta precoce, acrescentando assim confiança e segurança à decisão do clínico. A implementação segura de protocolos de alta precoce pode reduzir os custos hospitalares e melhorar os outcomes clínicos sem aumentar as taxas de readmissão. Neste estudo verificou-se uma menor incidência de complicações do que as relatadas anteriormente na literatura, o que pode estar relacionado com a natureza exclusivamente minimamente invasiva das abordagens cirúrgicas efectuadas. Foram identificados fatores de risco pós-operatório como a idade avançada, o índice de massa corporal mais elevado, a terapêutica neoadjuvante e os tumores mais próximos da margem anal, este último no cancro do reto. Embora a influência da cirurgia robótica na resposta inflamatória tenha sido inconclusiva, verificou-se uma tendência para uma menor resposta inflamatória após os procedimentos robóticos. A abordagem robótica também mostrou uma menor incidência de complicações graves, o que pode ter implicações clínicas significativas. A sobrevivência global aos 5 anos foi significativamente menor nos doentes que sofreram complicações pós-operatórias. No entanto, apesar de haver uma taxa de recorrência loco-regional mais elevada no grupo com complicações, não houve um impacto significativo na Local Recurrence Free Survival. Sendo este um estudo retrospectivo de um único centro hospitalar, sugerimos a realização de mais estudos prospectivos multicêntricos de forma validar os nossos resultados, o seu significado para a prática clínica e a validação externa.
Background: Colorectal cancer is a prevalent and deadly disease where surgical resection plays a critical role in treatment. Minimally invasive surgery is preferred due to its benefits, including reduced hospital stay and fewer complications. However, postoperative complications remain a significant challenge, requiring reliable predictive factors for early detection. Objective: This study aims to evaluate the effectiveness of routine postoperative inflammatory markers in predicting early postoperative complications in patients undergoing elective minimally invasive surgery for colorectal cancer. Methods: A retrospective analysis was conducted on 397 patients who underwent elective minimally invasive surgery for colorectal cancer at the Champalimaud Foundation between May 2012 and September 2023. Inflammatory markers, including C-reactive protein, neutrophil-lymphocyte ratio and Glasgow prognostic score were measured on postoperative days 1, 3, and 5. The primary outcome was the development of postoperative complications, classified by the Clavien-Dindo system (≥ I). Statistical analyses were performed to identify significant predictive factors for complications. Results: Of the 397 patients, 29.2% experienced postoperative complications, with major complications (Clavien-Dindo ≥ III) in 11.3%. Univariate and multivariate analyses identified age, body mass index, neoadjuvant therapy, residual microscopic disease, and proximity to the anal margin, as significant independent risk factors. On postoperative day 3, C-reactive protein levels <125 mg/L (AUC=0.727, NPV 76.7%), Glasgow prognostic score <2.12 (AUC=0.720, NPV 82.7%), and neutrophil-lymphocyte ratio <5.26 (AUC=0.774, NPV 83.0%) were significantly associated with higher complication risks. Conclusion: This study highlights that postoperative inflammatory markers, specifically C-reactive protein, neutrophil-lymphocyte ratio, and Glasgow prognostic score, measured on postoperative day 3, are effective in predicting early postoperative complications in patients undergoing elective minimally invasive surgery for colorectal cancer. The suggested cut-offs showed a high negative predictive capability, making them valuable assets for more standardised eligibility criteria at the moment of early discharges, thereby adding confidence and safety to the physician’s decision. Further research with multicentre prospective studies is needed to validate these findings and refine postoperative management strategies.
Background: Colorectal cancer is a prevalent and deadly disease where surgical resection plays a critical role in treatment. Minimally invasive surgery is preferred due to its benefits, including reduced hospital stay and fewer complications. However, postoperative complications remain a significant challenge, requiring reliable predictive factors for early detection. Objective: This study aims to evaluate the effectiveness of routine postoperative inflammatory markers in predicting early postoperative complications in patients undergoing elective minimally invasive surgery for colorectal cancer. Methods: A retrospective analysis was conducted on 397 patients who underwent elective minimally invasive surgery for colorectal cancer at the Champalimaud Foundation between May 2012 and September 2023. Inflammatory markers, including C-reactive protein, neutrophil-lymphocyte ratio and Glasgow prognostic score were measured on postoperative days 1, 3, and 5. The primary outcome was the development of postoperative complications, classified by the Clavien-Dindo system (≥ I). Statistical analyses were performed to identify significant predictive factors for complications. Results: Of the 397 patients, 29.2% experienced postoperative complications, with major complications (Clavien-Dindo ≥ III) in 11.3%. Univariate and multivariate analyses identified age, body mass index, neoadjuvant therapy, residual microscopic disease, and proximity to the anal margin, as significant independent risk factors. On postoperative day 3, C-reactive protein levels <125 mg/L (AUC=0.727, NPV 76.7%), Glasgow prognostic score <2.12 (AUC=0.720, NPV 82.7%), and neutrophil-lymphocyte ratio <5.26 (AUC=0.774, NPV 83.0%) were significantly associated with higher complication risks. Conclusion: This study highlights that postoperative inflammatory markers, specifically C-reactive protein, neutrophil-lymphocyte ratio, and Glasgow prognostic score, measured on postoperative day 3, are effective in predicting early postoperative complications in patients undergoing elective minimally invasive surgery for colorectal cancer. The suggested cut-offs showed a high negative predictive capability, making them valuable assets for more standardised eligibility criteria at the moment of early discharges, thereby adding confidence and safety to the physician’s decision. Further research with multicentre prospective studies is needed to validate these findings and refine postoperative management strategies.
Descrição
Trabalho Final do Curso de Mestrado Integrado em Medicina, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, 2024
Palavras-chave
Cancro colorretal Cirurgia robótica Proteína c-reativa Neutrophil-lymphocyte ratio Glasgow prognostic score
