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A imagem do professor

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Resumo(s)

A investigação em Educação tem oferecido um grande número de estudos, tendo em vista determinar quais os comportamentos que se deverão desenvolver para uma boa imagem do professor. Este desempenha um papel fundamental. A sociedade exige-lhe o adequado cumprimento das suas funções educativas e os alunos lançam as suas expectativas sobre a imagem que lhes é dada pelo professor, de si próprio. O professor é o actor privilegiado da acção pedagógica e como tal. elabora também representações sobre a actividade que desempenha nessa sociedade. No entanto, como pessoa, que é, só pode manter uma identificação profissional adequada, na medida em que sentir coerência entre o que faz no seu dia a dia de trabalho e o papel que a sociedade lhe atribui. Sobre o professor, parece-nos importante saber o que ele pensa ou sente sobre a profissão que exerce; mais ainda, como encara a sua imagem. Recolher as opiniões dos professores e dos alunos em relação a alguns elementos intervenientes específicos da actividade docente, através de indicadores pertinentes, permitiu-nos determinar os campos representacionais mais generalizados, e aqueles para os quais se encontra maior relação com sentimentos de satisfação pessoal. As representações estão ligadas aos comportamentos. Agir sobre eles é exercer um poder sobre um indivíduo ou sobre toda uma classe social. A desigual distribuição da exploração do campo das imagens e representações nas relações escolares, mostra que a pesquisa tende a reproduzir as estruturas da escola e as modalidades afectivas da relação adulto-adolescente. É a relação professor-aluno que oferece ao estudo da comunicação e das relações de grupo, um campo de acção e observação privilegiado. A pedagogia de grupo salienta a importância das atitudes e das percepções na relação educativa. Relativamente ao resultado de investigações sobre as representações recíprocas professor-aluno surge-nos um dado que nos mereceu bastante reflexão, ou seja, a divergência que o estudo da organização das representações revela. Enquanto o professor privilegia na representação que tem do aluno, os aspectos cognitivos e as atitudes morais face ao trabalho, o aluno dá mais importância às qualidades humanas e relacionais, na sua representação de professor. Parece-nos que esta contradição poderá estar na origem das insatisfações reciprocas vividas pelos professores e pelos alunos. Ao passo que o professor se situa no quadro da instituição com o único objectivo de ensinar, o aluno vê-se rejeitado na sua solicitação afectiva, cuja satisfação parece ser necessária e fundamental à sua aprendizagem. As concepções educativas do professor e a concepção que ele tem do seu papel, afectam a relação que o professor tem do aluno e a expectativa em relação ao seu futuro escolar. É possível que o professor se interesse sobretudo pelos alunos que correspondem melhor aos objectivos propostos mas a concepção que o professor tem da sua função e as concepções e estratégias pedagógicas que defende são aspectos a ter em conta em todo o processo. No entanto, consideramos que é necessário prosseguir a análise da dinâmica das representações e das suas relações com os comportamentos na situação escolar, utilizando técnicas de observação do campo representativo e da análise das interacções da turma. Estas, quanto a nós, são duas perspectivas complementares de investigação de cuja articulação depende o desenvolvimento da psicossociologia da Educação. Só assim é possível conhecer as duas faces, interna e externa, da vertente sócio-afectiva do processo educativo, caminhando no sentido da optimização deste processo. O bom professor tem de saber, saber fazer e saber ser. É bem conhecida a distinção entre conhecimentos científicos - o professor tem de conhecer bem a matéria que ensina; as competências pedagógicas ou metodológicas - o bom professor tem de saber como transmitir bem os conhecimentos científicos; e as competências pessoais - o bom professor tem que ler qualidades humanas e um bom relacionamento com todos os intervenientes do processo educativo. A empatia, o respeito e a autenticidade constituem para nós a pedra basilar das competências pessoais do professor. O desenvolvimento integral do aluno processa-se num ambiente de respeito, de compreensão e amizade. De entre as várias funções que o professor exerce na sua turma, salientamos por um lado a função de ensinar, exigindo-lhes conhecimentos in e por outro lado tem de ser o animador sugerindo trabalhos incitando-os a aprender sendo ele o seu orientador. Estes, além de lermos considerado as idades e o sexo tanto de professores como de alunos, são os aspectos que consideramos mais importantes para o nosso trabalho e é neles que basearemos os instrumentos de colheita de dados. Através da aplicação de um questionário a professores e alunos do ensino secundário, ficámos a conhecer a percepção que têm do professor. A imagem do professor é a nossa variável dependente. Formulámos hipóteses de acordo com os itens do instrumento de colheita de dados. Pelas análises indutiva e estatística dos dados obtidos, foram confirmadas as hipóteses referentes ao comportamento, conhecimentos científicos, competências pessoais e funções do professor. Fizemos a discussão dos resultados lendo em conta a pesquisa bibliográfica efectuada. Propomos algumas "soluções" possíveis para o problema.

Descrição

Tese mestrado em Educação (Metodologia do Ensino das Ciências), apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Ciências, 1994

Palavras-chave

Professores - Formação Imagem do professor Competência do professor Teses de mestrado - 1994

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