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Pandita Ramabai : a quest for improvement

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Resumo(s)

A Índia britânica constituía uma sociedade regida pelo patriarcalismo e sob domínio colonial do Império Britânico, que restringia o papel da mulher indiana, principalmente, à esfera doméstica não só pelas tradições hindus e muçulmanas, mas também pela subordinação da Índia em relação à Grã-Bretanha. Por isso, as conquistas políticas e sociais de mulheres da história indiana recente são recontadas com orgulho por tantas outras mulheres atuais assim como as histórias de santas e heroínas de mitos e lendas em outras partes do mundo. Entre as primeiras, está Ramabai Dongre (1858-1922), conhecida posteriormente como Pandita Ramabai Sarawasti, e que é o foco da presente dissertação que visa dilucidar alguns aspectos da vida e obra desta notável reformadora social, educadora, conferencista e defensora das causas femininas. Com o intuito de contextualizar o objecto de estudo deste trabalho, começa-se por considerar o período de intensa transformação tanto na Índia colonial como no mundo, mais especificamente em Inglaterra. Por isso, traça-se uma panorâmica das relações históricas mútuas, ou seja, a intensa relação político-financeira, dos movimentos culturais e da circulação de ideias entre a Índia e a Grã-Bretanha desde o estabelecimento da Companhia das Índias Orientais em 1600, passando pela Rebelião Indiana de 1857, o início do Raj britânico até a fundação do Congresso Nacional Indiano em 1885. Num primeiro momento, considera-se a importância do Utilitarismo de James Mill para o imperialismo inglês e a consequente propagação da ideia de países “civilizados” (como a Inglaterra) e de países “atrasados” (como a Índia), conduzindo à crença da intervenção por obrigação moral de modo a aperfeiçoar e aprimorar os povos subjugados, assim preparando o caminho para a autonomia. Por outro lado, contrapõe-se ainda nesta primeira parte, as ideias românticas de Edmund Burke provenientes do fenómeno cultural surgido nos finais do século XVIII com todo um conjunto de posições opostas ao racionalismo iluminista de Mill. Na segunda parte deste capítulo, dedica-se especial atenção às missões cristãs e à relevância das mesmas no desenvolvimento do sistema educativo na Índia na segunda metade do século XIX e avalia-se ainda a importância de nomes como Charles Grantt, Thomas Macaulay, Charles Wood, entre outros, para a discussão sobre o desenvolvimento do ensino baseado no modelo inglês na Índia, bem como as consequências das missões cristãs, sejam estas consideradas aliadas ou oponentes do Império, na formação de uma geração de jovens indianos que receberam uma educação moderna e valores ocidentais. Seguidamente, analisa-se a contribuição multifacetada de Pandita Ramabai como sendo, simultaneamente, uma feminista indiana, uma escritora da Diáspora em Inglaterra, uma mulher pertencente à sociedade indiana ao mesmo tempo que uma estranha devido à sua conversão ao Cristianismo. Para isso, expõem-se os principais eventos da vida e obra de Pandita Ramabai, relatando desde as dificuldades enfrentadas na vida de peregrinação com a família, passando pelo momento de primeiro contacto com reformistas indianos e a comunidade ocidental, até à viagem para Inglaterra em 1883, a polémica conversão ao Cristianismo, a ida aos Estados Unidos da América e o retorno à Índia para a continuidade do seu trabalho. Posteriormente, traça-se o estado da arte, seguindo uma modalidade cronológico-temática das referências sobre Pandita Ramabai em, basicamente, quatro grupos: primeiro, as biografias escritas por missionários que a retratavam como um exemplo da missão civilizadora e usavam as críticas dela sobre a própria tradição para ressaltar a decadência da sociedade indiana. Esse é o caso dos textos de Helen Dyer, Nicol Macnicol, Paul Buchenel, entre outros. Em segundo lugar, há os trabalhos críticos de A.B.Shah e S.M. Adhav que se debruçam sobre a contribuição de Ramabai para a teologia cristã e filosofia hindu. Para além dos cristãos que tinham profunda apreciação pelo trabalho social de Ramabai, há inúmeros trabalhos e pesquisas de escritoras feministas contemporâneas que demonstram grande interesse por aquela que teve coragem de se comprometer nas causas femininas ainda no século XIX. Esse é o caso de Meera Kosambi e Uma Chakravarti, cujos trabalhos apresentam contribuições significativas para aprofundar o conhecimento sobre Pandita Ramabai. Finaliza-se esse capítulo com os trabalhos de Antoinette Burton e Leslie A. Flemming que se concentram nas relações ambivalentes de Ramabai com as autoridades na Índia Britânica e na Inglaterra Vitoriana. Todos esses textos e pesquisas conduzem-nos a um aspecto primordial do trabalho de Ramabai: a posição entre o mundo primariamente da cultura indiana e a mentalidade e valores ocidentais. Servirão como base para análise da contribuição de Ramabai os próprios textos da autora: A Testimony of Our Inexhaustible Treasure (1907), o seu livro mais famoso na América The High-Caste Hindu Woman (1887), e a compilação de cartas Letters and Correspondence of Pandita Ramabai (1977). Considerar-se-á também a maneira como Pandita Ramabai articulou suas escolhas e construiu seu próprio ser no que diz respeito, não somente, à sua identidade religiosa, mas também, à condição de mulher fora do alcance das restrições impostas à população feminina do mesmo período. Em relação à identidade religiosa, serão consideradas suas primeiras conexões ainda na infância no seio familiar e a gradual desilusão com o Hinduísmo a partir da sua vivência com a dura realidade da mulher indiana durante a vida de viagens e peregrinação pela Índia. Em seguida, discute-se os primeiros contactos com o Cristianismo, o começo do trabalho assistencial até a ida para a Inglaterra e a consequente e controversa conversão. Neste mesmo capítulo, explora-se a repercussão de tal ato tanto para os ocidentais como para os indianos, destacando-se as dúvidas e dificuldades em aceitar dogmas cristãos e a autoridade hierárquica da Igreja Anglo-Saxónica. Já em relação à busca da identidade como mulher, começa-se por esclarecer alguns conceitos como feminismo, casta e normas de género na Índia colonial do século XIX. Posteriormente, é dado uma visão geral da sociedade de Maharashtra assim como se caracteriza a posição da mulher indiana de alta casta que sofria de uma desigualdade supostamente divina dentro do sistema patriarcal. Ainda assim, demonstra-se que, além de Pandita Ramabai, outras mulheres indianas também contribuíram para a causa feminina de alguma maneira. Na sequência, explora-se principalmente a relação entre Ramabai e a mulher inglesa, baseada no relacionamento de Ramabai com a sua mentora Irmã Geraldine e a Diretora da Cheltenham Ladies’ College, Dorothea Beale, visando tentar entender o Império à luz de uma perspectiva de género e dos primeiros movimentos feministas organizados de mulheres britânicas na Índia Britânica ligados à missão civilizadora. Nesse enquadramento, o desafio consistiu em explicar Ramabai como um produto intercultural, mas ainda assim um paradigma para mulheres indianas. Na conclusão realça-se o modo como Ramabai, posicionando-se entre dois mundos, luta por selecionar valores e normas das comunidades indianas e britânicas tão diferentes e, até mesmo parcialmente, concorrentes, e acaba por representar um novo paradigma para as mulheres indianas.
Ramabai Dongre (1858-1922), later known as Pandita Ramabai Sarawasti, is the subject matter of the present dissertation which focuses on the life and work of this remarkable social reformer, educator, speaker and advocate for the causes of women, renowned for prodigious learning. Considering the period of intense transformation worldwide, the study begins by outlining and discussing the interconnected history, i.e., the intense political and economic relationship, cultural flows, and circulation of ideas, between India and Britain from the establishment of the East India Company in 1600 to the foundation of the Indian National Congress in 1885. This thesis assesses Pandita Ramabai’s multifaceted contribution as being simultaneously an Indian feminist, a Diaspora writer in England, an insider to the Indian society yet an outsider because of her conversion to Christianity. It focuses on the analysis of her own writings, in particular a text called A Testimony of Our Inexhaustible Treasure (1907), her most famous book The High-Caste Hindu Woman (1887), and the collection of Letters and Correspondence of Pandita Ramabai (1977). It also takes into account the way Pandita Ramabai articulated her choices and constructed herself not only regarding her religious identity but also as a woman apart from the constraints female population had to face in the same period. Furthermore, the thesis provides some conceptual clarification of feminism, caste and gender norms in the nineteenth-century colonial India, an overview of the Maharastrian society, the position of the High-caste Indian woman and the relationship between Ramabai and British women. Ultimately, it attempts to answer how Ramabai, standing between two worlds, struggles to select the values and norms of several different and at least partially competing Indian and British communities.

Descrição

Palavras-chave

Ramabai Sarasvati, Pandita, 1858-1922 - Biografias Feministas - Índia - séc.19 - Biografias Reformadoras sociais - Índia - séc.19 Convertidos do hinduísmo ao cristianismo - Índia - séc.19 Missões cristãs - Índia - séc.19 Grã-Bretanha - Relações - Índia - séc.17-19 Índia - Relações - Grã-Bretanha - séc.17-19 Teses de mestrado - 2017

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