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De aluno a professor : um "salto" no desconhecido : estudo de caso

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Resumo(s)

A entrada de um adulto jovem na carreira docente, numa sociedade em mudança, é difícil, conflituosa e, por vezes, frustante, podendo provocar uma crise de identidade, e pôr em causa as suas convicções. Quando alguém inicia a profissão docente, sente que «os seus modos de pensar (...) são inadequados, não sabe a quem pedir ajuda, nem como proceder» (Eisenhart, 1991, p.54). É como se, da noite para o dia, sobre os seus ombros caisse uma responsabilidade profissional, cada vez mais acrescida, para a qual percebe não estar preparado nem sabe onde e e a quem recorrer. Estas reflexões revelam as preocupações que, há já algum tempo, vimos tendo com o "futuro profissional" dos estudantes da Universidade onde exercemos a função docente. Os estudos de Fuller, Veenman e Huberman motivaram-nos a realizar um trabalho de investigação relacionado com os problemas inerentes ao processo de socialização, desde a formação inicial até ao final do primeiro ano de carreira. Na impossibilidade de empreender um trabalho que, necessariamente, exigiria um período de tempo bastante longo (pelo menos, cinco anos, ou seja os quatro anos da licenciatura acrescidos do primeiro ano de docência), delimitámos o seu âmbito a uma investigação sobre as dificuldades de socialização profissional de professores, formados pela Escola Superior de Educação em que leccionamos. Apesar de o tema da socialização profissional dos professores já ter sido tratado em muitos estudos internacionais, o seu interesse e actualidade mantêm-se - nomeadamente no que respeita ao nosso País -, na medida em que o seu estudo propicia a abertura de pistas de investigação sobre temas afins que poderão conduzir a uma reflexão sobre os programas dos cursos de formação inicial, bem como à elaboração e desenvolvimento de programas de acompanhamento, durante os primeiros anos de carreira dos professores. Dada a natureza exploratória do nosso estudo, a estratégia investigativa escolhida foi o estudo de caso. Para tal, estabelecemos um quadro conceptual formado por dois planos: o pessoal e o contextual, para podermos compreender como estes dois níveis poderão favorecer ou dificultar a socialização dos professores. Partindo do pressuposto de que o desenvolvimento profissional é resultante não só de um processo de aquisição de competências, mas também de um processo de desenvolvimento pessoal, construído no seio de um contexto determinado por normas e valores próprios, perseguimos, em termos gerais, os seguintes objectivos: - compreender o processo de socialização dos professores; - encontrar alguns caminhos que contribuam para minorar as dificuldades sentidas no confronto com a realidade. O campo de estudo deste trabalho é formado por uma unidade central - um grupo de professores que tiveram o mesmo tipo de formação inicial e que frequentaram a mesma variante de um curso de formação de professores do segundo Ciclo do Ensino Básico, e seis sub-unidades, ou seja, cada um dos professores que constituem a unidade central. Esta e as sub-unidades serão encaradas em interacção com sistemas mais amplos: o Sistema Educativo Português, a Instituição de Ensino Superior onde foram formados e a Escola onde foram colocados pela primeira vez.(...)

Descrição

Tese de Mestrado em Ciências da Educação (Análise e Organização do Ensino) apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 1994

Palavras-chave

Teses de mestrado - 1994 Processos e estruturas educativas Professores em início de carreira Educação permanente Comunicação Socialização

Contexto Educativo

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