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Historiografia e cidadania. Oposições cívicas durante o Estado Novo (1945-1974)

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Resumo(s)

A presente dissertação busca compreender a relação entre historiografia e a prática da cidadania no decurso do Estado Novo, concretamente entre 1945 e 1974. Neste período marcado por mudanças internacionais e reajustamentos internos, verifica-se a emergência de novas conspecções cívicas baseadas num novo olhar sobre a sociedade portuguesa, sobretudo por parte de historiadores (e intelectuais em geral) que viam no regime uma incapacidade de encarar e resolver os problemas estruturais do país. Os historiadores em particular encontram-se aqui inseridos enquanto produtores de conhecimento, cultura e memória histórica, empenhando-se também em actividades políticas que ultrapassam o ofício – seria o estudo do passado que procede à compreensão do presente. Conseguiram equilibrar o seu dever científico com a sua vida pessoal e política, conflituando por vezes com o seu próprio ser social? E como encaravam a história na sua relação com o presente e os seus problemas? Para tentar compreender um universo de estudo bastante amplo, dar-se-á primazia a três historiadores nesta investigação: Vitorino Magalhães Godinho, José Tengarrinha e António Borges Coelho. Além de terem em comum a oposição ao Estado Novo, cada qual contribuiu para a renovação da sociedade portuguesa através de diversas intervenções, baseando-se nos seus respectivos ideais e recorrendo a meios distintos para esse efeito – desde o aprofundamento do conhecimento histórico ao jornalismo, activismo político, ensino, entre outros. O contacto directo com as fontes é primacial, consultando-se obras de destaque onde são visíveis esses traços historiográficos e cívicos: por exemplo, os Ensaios, de V. Magalhães Godinho; História da Imprensa Periódica Portuguesa de José Tengarrinha e o seu estudo sobre José Estêvão; Raízes da Expansão Portuguesa e A Revolução de 1383, de António Borges Coelho. Porém, não se esquece o estudo pontual de outros intervenientes que se mostrem relevantes para a investigação, sejam eles historiadores, jornalistas, políticos, ensaístas, etc.; institucionais, como o acervo da PIDE; ou periódicos de teor jornalístico, científico, político e/ou cívico.

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