Autores
Novo, Rosa
Orientador(es)
Resumo(s)
Neste trabalho são abordados temas que têm suscitado um particular interesse dos
psicólogos, nas últimas décadas deste velho século, e que se afiguram como importantes
hnhas de investigação futura. A idade adulta avançada e a velhice são fases da vida
grandemente descuradas no plano científico ou apenas representadas nos estudos
orientados para a caracterização da morbilidade de certas patologias. A infância e a
adolescência mobilizaram a atenção dos teóricos e investigadores durante boa parte do
século XX e só mais recentemente se tem intensificado o estudo em tomo das pessoas
idosas e do envelhecimento. Neste sentido, há quem vaticine que os próximos anos
serão dedicados a este tema e que os estudos a realizar estarão 'condenados' a descobrir
as potencialidades desta fase de vida, já que os aspectos ligados à deterioração flmcional
e à desertificação emocional e relacional neste nível etário estão tão explorados que não
constituirão, provavelmente, um terreno propício a novas descobertas.
Relativamente à especificidade do género feminino, não se pode dizer que, no
panorama científico deste século, estejam ausentes referências importantes à sua
caracterização. No entanto, os estudos elaborados até aos anos 50 sobre os aspectos do
desenvolvimento psicológico humano "tendem a excluir uma reflexão crítica sobre o
sentido que ele assume para cada sexo. Os princípios explicativos adoptados no passado
decorrem de uma generalização de dados em que estão sub-representadas ou ausentes
amostras femininas e neglicenciam os aspectos sócio-cuiturais e ideológicos envolvidos
na construção de género. Neste contexto, os dados discrepantes obtidos com grupos do
sexo feminino eram mais frequentemente interpretados como desvios face à 'norma' do
que como fundamentos para uma visão integrada que reflectisse a especificidade do
pensamento e da experiência de ambos os sexos. A partir da década de 60, com
trabalhos como os de N. Chodorow e de Carol Gilligan, surgem novas formas de olhar
para estas questões. Estas investigadoras chamam a atenção para o facto de as
diferenças universais na socialização precoce de meninos e meninas e de o modo como
as diferenças biológicas são interpretadas e elaboradas socialmente produzirem vidas
com conteúdos e prioridades diferentes para homens e mulheres.
Nos últimos anos, tem-se revelado também uma crescente atenção dos
investigadores aos aspectos positivos do funcionamento psicológico. Para além das
desordens de personalidade e das alterações psicopatológicas, domínios como a
Introdução
criatividade, a. sabedoria, o optimismo e a responsabilidade, quase ignorados no
passado, começaram a ser alvo de investigação por parte de reputados investigadores. A
vasta quantidade de trabalhos realizados nos últimos anos tende a agregar-se num
domínio de estudo que Seligman e Csiksentmihalyi (2000) designam de psicologia
positiva. O grande dinamismo neste, domínio faz prever, segundo estes autores, que o
século XXI venha a conhecer uma ciência e uma actividade profissional, não apenas
voltadas para o alívio do sofrimento humano, mas também para a compreensão e
promoção dos factores positivos que permitem aos indivíduos, às comunidades e às
sociedades desenvolver-se, prosperar e florescer.
O tema de referência central neste trabalho - o Bem-Estar - é considerado um
domínio da psicologia positiva, o qual integra as áreas envolvidas, na construção de
modelos centrados nas experiências subjectivas do passado, do presente ou do futuro.
Alguns trabalhos realizados nas primeiras décadas do século XX e orientados no
sentido da investigação e da teorização sobre os aspectos positivos do funcionamento
psicológico - como os de L. Terman, com estudantes particularmente dotados e sobre a
felicidade conjugal, o trabalho de J. Watson, centrado na parentalidade, e a obra de C.
Jung sobre o sentido da vida - constituem, segundo Seligman e Csiksentmihalyi (idem),
exemplos de investigação que cumpriram uma.das missões específicas da psicologia.
Porém, os caminhos da história universal, nomeadamente as convulsões políticas e
económicas que este século, conheceu, terão contribuído para que a ciência psicológica
se voltasse mais para a doença do que para a saúde, mais para o alívio do sofrimento e
não tanto para a promoção da felicidade.
Descrição
Tese de doutoramento em Psicologia (Psicologia Clínica), apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 2001
Palavras-chave
Bem-estar subjectivo Bem-estar psicológico Mulheres idosas Saúde mental Envelhecimento Teses de doutoramento - 2001
