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Association between sociodemographic factors, body mass index, physical activity and dietary patterns in Portuguese adults

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Resumo(s)

Background To study the relationships between intakes of various nutrients is used dietary pattern (DP) analysis that considers the effect of overall diet: food and nutrients are not eaten in isolation, and the ‘single food or nutrient’ approach will not take into account the complex interactions between food and nutrients. The relationship between health and social factors are not simple but the importance of social, particularly socioeconomic—factors in shaping health it’s already well-documented. Lower–socioeconomic groups have lower-quality diets as well as higher rates of obesity, type 2 diabetes, and cardiovascular disease. By contrast, higher–socioeconomic status groups have better diets and better health. Understanding the influences of sociodemographic and economic factors on food consumption may be useful to explain eating behaviour and nutrition policymaking. The main purpose of this study is to analyze the association between sociodemographic factors, body mass index, physical activity and dietary patterns in Portuguese adults. Methods Cross-sectional study was conducted from the Portuguese fourth National Health Survey (NHS) between 2005 and 2006. To analyze the relationship between dietary patterns and sociodemographic factors were used a representative sub-sample (32 644 participants) of Portuguese adults (≥20 years old), who reported their dietary patterns, education level, family income, smoking habits, physical activity, weight and height when participating in the NHS. Dietary patterns were identified by latent trait models based on dietary intake. Unconditional logistic regression models were performed to analyze association between DP and sociodemographic factors. Age, gender, education, family income, proxy reporting information, smoking habits, body mass index and physical activity level were addressed by NHS and analyzed as potential confounders. Results Final analysis included 4 338 Portuguese adults (52.8% female). Female was positively associated with Factor 1 “dairy and fruit” and negatively associated with Factor 2 “soup and starchy foods”. In older adults were observed a positive and strong association with Factor 1 “dairy and fruit”, Factor 2 “soup and starchy foods” and Factor 4 “fish, fruit and vegetables”. Conversely, Factor 3 “high fat, sugar and salt” was inversely associated with all age group, and Factor 5 “sugary and fatty foods” only associated with adults <64 years old. Regarding to education, excluding Factor 2 “soup and starchy food” where no significantly were associated, all DPs were positively associated with some education level. Factor 1 “dairy and fruit”, Factor 4 “fish, fruit and vegetables” and Factor 5 “sugary and fatty foods” were similarly associated, while Factor 3 “high fat, sugar and salt” was only associated with the highest educational level. All categories of family income were associated with Factor 1 “dairy and fruit”, Factor 2 “soup and starchy food” and Factor 4 “fish, fruit and vegetables”. The highest family incomes was associated with Factor 5 “sugary and fatty foods” and the lowest with Factor 3 “high fat, sugar and salt”. Regarding BMI, only obesity classes were negatively associated with Factor 2 “soup and starchy food” and Factor 4 “fish, fruit and vegetables”. Proxy reporting were positively associated with Factor 1 “dairy and fruit” and Factor 4 “fish, fruit and vegetables”. For current smoker, negative associations with Factor 1 “dairy and fruit”, Factor 2 “soup and starchy food” and Factor 4 “fish, fruit and vegetables” was observed. In a past smoker, only Factor 2 “soup and starchy food” was associated negatively with smoking habits. For those who do moderate physical activity, a single negative association was observed with Factor 5 “sugary and fatty foods”. All sociodemographic factors that were not described with a specific DP did not obtain significant associations. Conclusion Sociodemographic factors such as a high education level and a high family income can influence positively healthy dietary patterns, while high BMI and current smoking habits can be negatively associated with these healthy dietary patterns. These findings may reflect a consequence of sociodemographic inequalities on diet prevailing in Portugal between 2005 and 2006, where less-favourable socioeconomic groups were associated with unhealthy dietary patterns. These data may be an interesting step in the study of food consumption, lifestyle and obesity, in addition to allowing comparison with more recent data. However, longitudinal studies will be needed to investigate these associations, which will allow the development of effective and sustainable public health policies to promote greater adherence to healthy dietary patterns.
Introdução A alimentação é um dos principais determinantes de saúde. Em Portugal, e no mundo, os hábitos alimentares pouco saudáveis constituem um importante fator de risco modificável para doença crónicas não transmissíveis, como a doença cardíaca isquémica, acidente vascular cerebral, cancro, doença pulmonar obstrutiva crónica, diabetes melitos e hipertensão arterial. Segundo a Organização Mundial de Saúde, uma alimentação saudável caracteriza-se pela ingestão limitada de energia, gordura, açúcares simples e sal e pela ingestão diária de fruta, hortícolas e cereais integrais, adequado às necessidade individuais dependendo da idade, género, estilo de vida e prática de atividade física, respeitando o contexto cultural, disponibilidade alimentar e local onde vive. Quando o objetivo é melhorar os hábitos alimentares de uma população, através da implementação de novas políticas alimentares e de saúde, é importante considerar todos os determinantes associados ao consumo alimentar e, para o efeito é utilizado a análise do padrão alimentar. Esta análise considera a dieta na sua totalidade pois os nutrientes não são consumidos isoladamente, e a abordagem “alimento ou nutriente individual” não considera o complexo das interações entre nutrientes. Em epidemiologia nutricional, a relação entre saúde, doença e alimentação tem sido amplamente descrita e considera tanto grupos alimentares (por exemplo, fruta e vegetais) como a presença de determinados nutrientes (por exemplo, cálcio, fibra). Muitos são os estudos que identificam os maus hábitos alimentares e inatividade física como os principais fatores de risco para o excesso de peso e/ou obesidade. A OMS considera a obesidade como uma epidemia global, afetando não só os países industrializados como também, e de forma crescente, os países em desenvolvimento sobrepondo-se ao problema da fome e da desnutrição. Paralelamente a isto, nas últimas décadas, aumentou igualmente o interesse em identificar as suas causas nomeadamente, os padrões de consumo que possam contribuir para o ganho de peso e/ou complicações de saúde associadas. A influência dos determinantes sociais na saúde não é fácil, mas a importância da condição socioeconómica do grupo na sua saúde é um facto consistente na literatura. As desigualdades socioeconómicas na alimentação ajudam a explicar algumas destas diferenças sociais observadas na saúde. Grupos com elevado nível socioeconómico têm maior probabilidade de ter hábitos alimentares saudáveis, enquanto grupos com menor nível socioeconómico têm perfil alimentar mais afastado das recomendações, contribuindo assim para um agravamento do seu estado de saúde. É precisamente nestes grupos que existem maiores taxas de obesidade, diabetes tipo 2 e doença cardiovascular. Por outro lado, grupos com maior nível socioeconómico apresentam melhores indicadores de saúde. Deste modo, identificar os padrões de consumo que possam contribuir para a atual epidemia da obesidade e perceber a influência das variáveis sociodemográficos e económicos sobre os hábitos alimentares da população portuguesa, constituirá uma ferramenta útil na elaboração de políticas alimentares e de saúde mais eficientes que permitirão melhorar os seus hábitos alimentares. O presente estudo tem como objetivo geral analisar a associação entre fatores sociodemográficos, Índice de Massa Corporal (IMC), atividade física e o padrão alimentar em Portugueses adultos entre 2005-2006. Métodos Estudo epidemiológico observacional transversal a partir da análise dos dados do quarto Inquérito Nacional de Saúde entre 2005 e 2006. Para analisar a relação entre padrões alimentares e fatores sociodemográficos utilizou-se uma sub-amostra representativa (32 644 participantes) de adultos portugueses (≥ 20 anos) que relataram hábitos alimentares, nível de escolaridade, rendimento familiar, hábitos tabágicos, atividade física, peso e estatura. Os padrões alimentares foram identificados por um modelo de variáveis latentes, com base numa lista de 20 questões dicotómicas (“sim” ou “não”, dependendo se o entrevistado indicava que consumia esse alimento) a questões sobre o consumo alimentar: “Você consumiu algum destes alimentos ontem?”. A baixo encontrava-se uma lista de alimentos e bebidas para assinalar quando consumidas às três refeições principais - pequeno-almoço, almoço e jantar, (leite, queijo e iogurte; sopa de legumes; pão e cereais; carne; peixe; batata, arroz e massa; leguminosas; hortícolas; fruta; e produtos de pastelaria, chocolates ou sobremesas doces; outros alimentos), e fora das refeições principais (fruta; pão ou sanduíches; leite, queijo e iogurte; sumos; produtos de pastelaria, chocolates ou sobremesas doces; outras guloseimas; snacks salgados; batatas fritas; bebidas alcoólicas; outros alimentos). Os cinco padrões alimentares encontrados foram padrão 1 “Laticínios e fruta”, padrão 2 “Sopa e amiláceos”, padrão 3 “Elevado teor de gordura, açúcar e sal”, padrão 4 “Peixe, fruta e hortícolas” e padrão 5 “Alimentos açucarados e gordos”. Modelos de regressão logística (não condicional) foram realizados para analisar a associação entre os padrões alimentares e os fatores sociodemográficos. Idade, género, nível de escolaridade, rendimento familiar, informação do representante, tabagismo, IMC e atividade física foram analisados como confundidores. Resultados A análise incluiu 4 338 adultos (52,8% mulheres) com mais de 20 anos de idade. As mulheres foram positivamente associadas ao padrão 1 “Laticínios e fruta” e negativamente associada ao padrão 2 “Sopa e amiláceos” comparadas com os homens; É nas faixas etárias mais elevadas que se encontram associações positivas com o padrão 1 “Laticínios e fruta”, o padrão 2 “Sopa e amiláceos” e o padrão 4 “Peixe, fruta e hortícolas”. Por outro lado, o padrão 3 “Elevado teor de gordura, açúcar e sal” foi inversamente associado a todas as faixas etárias enquanto o padrão 5 “Alimentos açucarados e gordos” apenas se verificou relação inversa em indivíduos com idade inferior a 64 anos; Na educação, excetuando o padrão 2 “Sopa e amiláceos” onde não houve associação significativa, todos os outros padrões alimentares foram associados positivamente a algum nível de escolaridade. O padrão 1 “Leite e fruta”, o padrão 4 “Peixe, fruta e hortícolas” e o padrão 5 “Alimentos açucarados e gordos” foram associados de maneira semelhante a todos os níveis de escolaridade, enquanto o padrão 3 “Elevador teor de gordura, açúcar e sal” foi apenas relacionado com indivíduos que possuem no mínimo o ensino secundária; Todas as categorias de rendimento familiar foram associadas ao padrão 1 “Laticínios e fruta”, ao padrão 2 “Sopa e amiláceos” e ao padrão 4 “Peixe, fruta e hortícolas”. Os rendimentos mais elevados familiares foram associados ao padrão 5 “Alimentos açucarados e gordos” e os mais baixos com o padrão 3 “Elevado teor de gordura, açúcar e sal”. Em relação ao IMC, apenas as classes de obesidade foram negativamente associadas ao padrão 2 “Sopa e amiláceos” e ao padrão 4 “Peixe, fruta e hortícolas”. O relato feito por uma segunda pessoa foi positivamente associado a dois padrões alimentares: ao padrão 1 “Laticínios e fruta” e ao padrão 4 “Peixes, fruta e hortícolas”. Aos atuais fumadores foram observadas associações negativas com o padrão 1 “Laticínios e fruta”, o padrão 2 “Sopa e amiláceos” e o padrão 4 “Peixe, fruta e hortícolas”. Aos ex-fumadores, apenas o padrão 2 “Sopa e amiláceos” foi negativamente associado com hábitos tabágicos. Para quem pratica atividade física, só se registou uma associação negativa com o padrão 5 “Alimentos açucarados e gordos” para aqueles que a praticam de forma moderada. Todos os fatores sociodemográficos que não foram descritos com determinado padrão alimentar não obtiveram associações significativas. Conclusão A escolaridade e rendimento familiar elevado parecem influenciar a adesão a um padrão alimentar saudável enquanto o IMC elevado e os hábitos tabágicos se encontram associados a padrões alimentares menos saudáveis. Estes resultados podem refletir uma consequência das desigualdades sociodemográficas na alimentação em Portugal entre 2005 e 2006. Estes dados podem ser um passo interessante para o estudo entre consumo alimentar, estilo de vida e obesidade, além de permitir a comparação com dados mais recentes. No entanto, estudos longitudinais serão necessários para entender estas associações que permitirão a elaboração de políticas de saúde pública eficazes e sustentáveis a fim de promover uma maior adesão de padrões alimentares saudáveis.

Descrição

Tese de mestrado, Doenças Metabólicas e Comportamento Alimentar, Universidade de Lisboa, Faculdade de Medicina, 2019

Palavras-chave

Dietary patterns Diet Body mass index Sociodemographic factors Public health Teses de mestrado - 2019

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