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Resumo(s)
Theodor Adomo declarou, numa famosa citação, que "escrever
poesia depois de Auschwitz é um ato bárbaro" (1967 [1955]), p.34). A
questão que aqui está implícita é a da irrepresentabilídade da experiência
violenta e, correlatamente, a da possibilidade mesma de uma memória da
violência.Amemória é feita tanto de recordação quanto o é de esquecimento.
Para recordar, é preciso esquecer. A memória não é apenas a reprodução
do passado e muito menos do passado tal como acollteceu. A memória é o
passado seletivamente esquecido e integrado no presente e pelo presente
através de uma recriação seletiva investida de significado e na qual estão
implicados tanto o indivíduo que recorda, quanto o contexto social mais
vasto onde a recordação efetivamente acontece (HUYSSEN, 1995). Só
quando seletivamente esquecido pode o passado servir de novo como
referente para moldar a experiência subjetiva do indivíduo ou significativa
de um gmpo social ou comunidade. O esquecimento é operado por meio
de imagens, de representações, de sentidos, de linguagens, de rituais, que
permitem mediar o acesso ao passado a paliir do presente, tornando-o
cognoscível e significativo. Noutros casos, é o corpo que esquece, e a
experiência passada é feita memória habitual pelo efeito da continuidade
indivisível do tempo duracional (BERGSON, (2007 [1912]).
Descrição
Palavras-chave
Memória Violência
Contexto Educativo
Citação
Peralta, E. & Ganito, T. (2013). Memória e violência. In Graebin, C. M. G. & Santos, N. M. W. (orgs), Memória social: questões teóricas e metodológicas (Série Memória e Património 5), (pp. 185-205). Canoas: Unilasalle
