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Cruzamento de testemunhos portugueses quinhentistas sobre formas do corpo social gerir a produção em proveito da "respublica"

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No século XVI em Portugal homens de bastidores, experientes no conselho político, nas finanças, na guerra ou na administração, alvitram sobre uma sociedade aberta à mobilidade social onde, contrariando uma estrutura social cristalizada e arcaizante ainda defendida por alguns e expressa em textos normativos, riqueza se confunde com prestígio, a nível individual e colectivo, e onde muitas transformações decorrem da Expansão de um império ultramarino e do concomitante desenvolvimento de mecanismos que geram redistribuição de rendimentos. Alguns desses autores já foram motivo de destaque em estudos da especialidade. É o caso de Gil Vicente, Sá de Miranda, João de Barros, Damião de Góis. Contudo, pode-se ainda alargar o campo de observação e enriquecer a problemática ao comparar perspectivas económicas de outros pensadores menos divulgados. Procuramos fazê-lo ao selecionar D. António de Ataíde, 1º Conde da Castanheira e Vedor da Fazenda de D. João III, em parecer de 1553, Francisco Pereira em pareceres de 1534 ou autores anónimos que escrevem a este monarca por volta de 1543 sobre o futuro da política expansionista (Marrocos versus India). Pode-se nesses testemunhos quinhentistas, sobretudo encontrar, de original, algumas antecipações de problemas que serão mais valorizados nos séculos seguintes e motivo de apreciações críticas sobre o auge do processo expansionista. Teremos em linha de conta, para tal comparação, olhares, aliás nem sempre coincidentes, sobre fertilidade e seu aproveitamento, crescimento populacional e forças dinâmicas da sociedade, recursos e consumo útil, técnicas, contratos e taxações, em comentários que discutem abertamente os homens e o “proveito da terra”. Iremos, pois, investigar posições assumidas no século XVI sobre estes temas tão observados no século XVII por autores como Duarte Gomes Solis, Fernão Rebelo, Manuel Severim de Faria e Luís Mendes de Vasconcelos, provando uma preocupação atempada por parte dos pensadores quinhentistas face à sua observação imparcial da realidade portuguesa. Trata-se, nos nossos objectivos, de, com isso, revisitar criticamente também uma historiografia, que no século XIX (com projecção ainda nos séculos XX e XXI) se assumiu como anti-lição utilizando pensadores anteriores (apenas excertos dos seus escritos) para provar as suas teses decadentistas sobre o período moderno. Na verdade, com objectivos de moralização da sociedade conjugam-se projectos de orientação política nos testemunhos portugueses de Quinhentos, facto que nos conduz a um olhar atento sobre perspectivas críticas na mentalidade da centúria que conectam fenómenos sociais com definições jurídicas e realidades socioeconómicas, comentando a dinâmica dos grupos sociais e a sua relação com os poderes vigentes, avaliando as funções de cada indivíduo e corpo social na “res publica”.

Descrição

Palavras-chave

Consumo útil Controvérsias Mobilidade social Proveito da terra Res publica

Contexto Educativo

Citação

CRUZ, Maria Leonor García da, “Cruzamento de testemunhos portugueses quinhentistas sobre formas do corpo social gerir a produção em proveito da "respublica" “ in Sandra Olivero Guidobono (Coord.), Artes y humanidades en el centro de los conocimientos. Miradas sobre el patrimonio, la cultura, la historia, la Antropología y la demografia, Madrid, Dykinson S.L., pp. 1210-1227, ISBN 978-84-1377-926-3

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